<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340</id><updated>2012-02-06T04:08:20.208Z</updated><category term='Programa &quot;Nós&quot;'/><category term='Mia Couto'/><category term='Dá-me o telemóvel'/><category term='Televisão'/><category term='Imigração'/><category term='Vasco Freire'/><category term='Multimedia'/><category term='Rui Horta'/><category term='Ana Luísa Rodrigues'/><category term='ACIDI'/><category term='Juventude Europeia Federalista'/><category term='AEDI'/><category term='Reportagem'/><category term='Opinião'/><category term='Gastronomia Molecular'/><category term='André Soares'/><category term='Amin Maalouf'/><category term='referendo tratado europeu'/><category term='Ricardo Quaresma'/><category term='Edit On Web'/><category term='Juventude Liberal Social'/><category term='Entrevista'/><category term='movimento liberal social'/><category term='Identidades Assassinas'/><category term='Hugo Garcia'/><category term='Tratado Reformador'/><category term='teatro'/><category term='Helena de Sousa Freitas'/><category term='Rádio'/><category term='O Marinheiro'/><category term='Imprensa'/><category term='Mouraria'/><category term='Fernando Pessoa'/><category term='Luís Humberto Teixeira'/><category term='miguel duarte'/><category term='Padre António Vieira'/><category term='Maurits Van Der Hoofd'/><category term='Fotografia'/><category term='Raquel Pacheco'/><category term='caso do telemóvel'/><category term='Perfil'/><category term='Ana Lopes'/><title type='text'>Dez Minutos de Conversa</title><subtitle type='html'>Entrevistas de dez minutos sobre temas sociais, com produção e locução de Inês Branco (eu!).</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>50</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-7668442227575978627</id><published>2011-08-06T05:46:00.002Z</published><updated>2011-08-06T05:49:05.564Z</updated><title type='text'>Em Timor</title><content type='html'>Para aqueles que seguem este blogue, fica a nota de que, até Dezembro, podem seguir-me:&lt;a href="http://www.haubelebatimor.blogspot.com"&gt; aqui&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;Até depois!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-7668442227575978627?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/7668442227575978627/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=7668442227575978627' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/7668442227575978627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/7668442227575978627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2011/08/em-timor.html' title='Em Timor'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-2584335690089494958</id><published>2011-04-24T20:54:00.006Z</published><updated>2011-04-24T21:03:30.834Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Identidades Assassinas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amin Maalouf'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Imigração'/><title type='text'>Resumo “Identidades Assassinas” de Amin Maalouf (1998) – Quinta e Última Parte</title><content type='html'>Amin Maalouf termina o livro neste capítulo a que dá o nome “Domesticar a pantera”. O fenómeno da mundialização continua a ser aprofundado e o que o autor procura agora é entender de que modo a mundialização exacerba os fenómenos identitários e de que modo poderia ela torná-los menos assassinos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, considera fundamental que cada um se possa reconhecer na mundialização e que esta não seja apenas exclusividade dos Estados Unidos. É sublinhada aqui também a premência do princípio da “reciprocidade”, ou seja, o princípio de que cada um de nós tenha de adoptar elementos de culturas mais poderosas, mas que cada um também possa ver certos elementos da sua própria cultura serem adoptados por outros países e fazerem parte do património de toda a humanidade. Apesar de não duvidar que a mundialização pode ameaçar a diversidade cultural, de línguas, de modos de vida, Maalouf tenta ver o lado positivo, afirmando que também nos dá os meios para evitar que essas perdas ocorram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Internet é um desses meios, como espaço igualitário, que pode ser utilizado como instrumento de liberdade (exemplo dos jornalistas. Ver &lt;a href="http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2010/02/os-bloggers-sao-jornalistas.html"&gt;artigo "Os bloggers são jornalistas?"&lt;/a&gt;). Maalouf refere também os instrumentos de tradução que permitem que, mesmo que o Inglês seja predominante, a diversidade de línguas se alastre (hoje ainda mais, com ferramentas de tradução muito mais desenvolvidas, com a possibilidade de falar com pessoas em qualquer parte do mundo, de assistir a vídeos no Youtube, com as redes sociais, etc).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este ponto sobre a diversidade de línguas é alvo de especial atenção por Maalouf (não fosse ele o criador da ideia de uma língua pessoal adoptiva. Ler: &lt;a href="http://ec.europa.eu/education/languages/archive/doc/maalouf/report_pt.pdf"&gt;“Um desafio Salutar”&lt;/a&gt;). Por quê dar menos atenção à diversidade de culturas do que à diversidade de espécies animais e vegetais? Diz o autor que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O combate pela diversidade cultural será ganho quando estivermos prontos para nos mobilizarmos intelectual, afectiva e materialmente, a favor de uma língua ameaçada de desaparecimento, com tanta convicção como a que mostramos para impedir a extinção do panda ou do rinoceronte”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Maalouf, a língua é um elemento da identidade pelo menos tão importante como a religião. Quando duas comunidades têm línguas diferentes não basta a religião para as unir. Por outro lado, a língua pode ser uma aliada da religião. O que é certo é que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Um homem pode viver sem uma religião, mas não pode viver sem uma língua”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diferenciá-las está também o facto de a religião ser exclusiva e de a língua não, ou seja, pode saber-se falar mais do que uma. A língua é, não só um elemento da identidade, como também meio de comunicação e, se é desejo do autor que se separe a religião da identidade, separar esta da língua não lhe parece benéfico, pois é o eixo da identidade cultural e a diversidade linguística, Maalouf considera-a como eixo de toda a diversidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São estas duas funções das línguas, a identitária e a comunicacional que as distinguem. Hoje, o inglês responde à segunda, mas não responde à primeira (a não ser no caso dos falantes nativos, claro). Surge então a necessidade de ir mais longe. Entre a língua identitária e a global existe um espaço. Assim, Maalouf propõe uma terceira, uma em que cada indivíduo seja especialista, uma língua do coração, uma língua adoptiva ou língua privilegiada de comunicação. Esta seria uma forma de preservar a diversidade cultural, que o autor admite exigir algum voluntarismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maalouf tenta delinear uma solução para satisfazer o desejo de identidade. Dá como exemplo alguns tipos de regimes que tentaram repartir o poder pelas várias comunidades: o caso falhado do Líbano, que implementou um sistema de quotas, e os regimes ditatoriais comunistas e nacionalistas. Conclui, então, que a escolha só pode estar no quadro da democracia. Mas há democracias e democracias. Um sistema de quotas levado ao absurdo ou um sistema que não respeita senão a lei dos números podem ser ambos muito perigosos. Diz o autor que qualquer prática discriminatória pode ser perigosa, mesmo quando exercida a favor de uma comunidade que sofreu discriminações. Não só se substitui uma injustiça por outra, como se reforça o ódio e a suspeição. Enquanto o lugar de uma pessoa numa sociedade depender de uma pertença está-se a perpetuar um sistema perverso, que só aprofunda divisões:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O único objectivo respeitável é o de lutar para que cada cidadão seja tratado como um cidadão de corpo inteiro, quaisquer que sejam as suas pertenças”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passa então à crítica dos sistemas baseados na decisão das maiorias, como a lei do sufrágio universal, em que cada cidadão tem uma voz nas eleições, através do voto. O problema é que este sistema, exercido num clima de crise social aguda e de propaganda racista, pode conduzir à própria abolição da democracia. Dá como exemplos o da Alemanha nazi ou o do Ruanda. Neste país, os hutus representam nove décimos da população e os tutsis cerca de um décimo. Nos massacres de 1994, o extermínio dos tutsis pelos hutus veio acompanhado de argumentos como a defesa da democracia e de eliminação de uma casta de privilegiados. Assim, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O papel das democracias já não é o de fazer prevalecer as preferências da maioria, mas sim o de fazer respeitar os direitos dos oprimidos, mesmo contra a força dos números”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso da África do Sul, a utilização do slogan “Majority Rule” não significava querer substituir um governo branco por outro negro. O desejo de homens como Nelson Mandela era o de dar a todos os cidadãos, qualquer que fosse a sua origem, os mesmos direitos políticos e a liberdade de elegerem os dirigentes de sua escolha, independentemente da sua ascendência africana, europeia, asiática ou mestiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, para se considerar esta possibilidade seria necessário um processo eficaz de harmonização interna, de harmonização e de maturação, que cada um dos candidatos pudesse ser julgado pelos seus próprios concidadãos pelas suas qualidades humanas e pelas suas opiniões e não pelas pertenças que herdou. Em 1998, Maalouf dizia que escusado seria referir que não nos encontrávamos ainda nesse ponto, mas que nada proibia que um dia um branco fosse presidente da África do Sul e um negro presidente dos Estados Unidos…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-2584335690089494958?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/2584335690089494958/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=2584335690089494958' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/2584335690089494958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/2584335690089494958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2011/04/resumo-identidades-assassinas-de-amin_24.html' title='Resumo “Identidades Assassinas” de Amin Maalouf (1998) – Quinta e Última Parte'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-4826069165256961645</id><published>2011-04-23T23:04:00.002Z</published><updated>2011-04-24T20:54:21.186Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Identidades Assassinas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amin Maalouf'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Imigração'/><title type='text'>Resumo “Identidades Assassinas” de Amin Maalouf (1998) – Quarta Parte</title><content type='html'>O terceiro capítulo, intitulado “O Tempo das Tribos Planetárias”, começa por falar do “Espírito do tempo”. Com esta expressão, Maalouf pretende dizer que em certos momentos da História, numerosas pessoas privilegiaram um elemento da sua identidade à custa de outros. Actualmente, esse elemento é a pertença religiosa e o autor pergunta por que será que hoje em dia esta afirmação parece natural e legítima. Um dos factores determinantes terá sido a queda do mundo comunista em que a ideia de Deus, segundo o modelo marxista, foi banida. Outro dos factores é a “crise” que afecta o Ocidente (esta crise reporta-se à época em que o livro foi escrito, note-se, e não há crise que vivemos em 2011). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa tal “crise” refere-se ao modelo ocidental, em crise porque se revela incapaz de resolver os problemas da pobreza nas suas metrópoles, incapaz de atacar o desemprego, a delinquência, a droga e tantos outros flagelos. No entanto, continua a ser o mais atraente e, diz o autor, não admira que um jovem que acaba de entrar para uma universidade do mundo árabe se sinta fascinado pelo Ocidente, quando outrora talvez se tivesse sentido atraído por uma organização marxizante. Mas qual a forma de aceder a esse mundo fascinante? Somente através da emigração. Assim, todos aqueles que continuam a viver à margem desse mundo em rápida mudança revoltam-se contra a corrupção, a arbitrariedade estatal, as desigualdades, o desemprego, a falta de horizontes e sentem-se tentados pelos movimentos islamitas (alguma semelhança com o que tem vindo a acontecer no norte de África?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ascensão do religioso explica-se então através destes dois factores. A juntar a estes dois, temos a evolução no domínio das comunicações e a “mundialização”. Sobre este fenómeno, Maalouf diz que tudo o que as sociedades forjaram no decurso dos séculos para marcar as suas diferenças, para traçar as fronteiras entre si e os outros, está a ser submetido a pressões que visam reduzi-las. A mundialização provoca uma reacção de reforço do sentimento de identidade e da necessidade de espiritualidade, e a pertença religiosa parece responder aos dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que responder aos dois responde também à exigência de universalismo. Maalouf introduz aqui o conceito de “tribos planetárias”, pelo seu conteúdo identitário e por ultrapassarem fronteiras. Mais uma vez, coloca uma questão: que outra pertença irá tornar esta pertença religiosa obsoleta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começar, o autor diz ser necessário não só separar a Igreja do Estado, mas também, satisfazer de outro modo a necessidade de identidade. Separar a espiritualidade da necessidade de pertença, para que o homem possa praticá-la sem ter de se unir a um exército de correligionários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para substituir esta pertença, só outra mais vasta e portadora de uma visão humanista mais completa. Surge aqui novamente a “mundialização”. Se os meios de comunicação nos aproximam demasiado depressa e nos levam a afirmar as nossas diferenças, por outro lado, também nos podem fazer tomar consciência do nosso destino comum. Isto poderia levar à emergência de uma nova perspectiva de identidade como a soma de todas as nossas pertenças, na qual se destacaria a pertença à comunidade humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, no entender de Maalouf, alguns dos receios em relação à “mundialização” são perfeitamente justificáveis. Não os que se relacionam com o medo da mudança, mas sim aqueles que se revelam no medo da uniformidade. Se a mundialização traz a universalidade, traz também consigo a uniformidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à universalidade, é bem-vinda, pois considera que há direitos inerentes à dignidade do ser humano que ninguém deveria negar ao seu semelhante por causa da sua religião, cor, sexo, nacionalidade,… Ou seja, qualquer atentado aos direitos fundamentais dos homens e das mulheres em nome de uma tradição particular é contra o espírito da universalidade. Respeitar tradições ou leis discriminatórias, diz Maalouf, é desrespeitar as suas vítimas. E se devemos lutar pela universalidade, devemos também combater a uniformização, que é empobrecedora, que nivela as múltiplas expressões linguísticas, artísticas e intelectuais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-4826069165256961645?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/4826069165256961645/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=4826069165256961645' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/4826069165256961645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/4826069165256961645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2011/04/resumo-identidades-assassinas-de-amin_23.html' title='Resumo “Identidades Assassinas” de Amin Maalouf (1998) – Quarta Parte'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-1275987189525307065</id><published>2011-04-22T22:32:00.003Z</published><updated>2011-04-24T20:53:58.939Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Identidades Assassinas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amin Maalouf'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Imigração'/><title type='text'>Resumo “Identidades Assassinas” de Amin Maalouf (1998) – Terceira Parte</title><content type='html'>Para responder à questão de por que razão o ocidente cristão conseguiu produzir sociedades respeitadoras da liberdade de expressão, enquanto o mundo muçulmano aparece agora como uma “cidadela do fanatismo”, Amin Maalouf reflecte sobre a relação entre povos e religiões, considerando exagerada a importância que se dá à influência das religiões sobre os povos, enquanto se negligencia a influência dos povos sobre as religiões. É nesta linha que surge a resposta. Diz o autor que se o cristianismo modelou a Europa, a Europa também modelou o cristianismo. As sociedades europeias transformaram-se ao longo dos tempos e transformaram também o cristianismo. Tal mudança não foi simples. A princípio, a Igreja resistiu sempre (basta ver o caso de Galileo), mas depois acabou por se adaptar. Se hoje o cristianismo é como é, foi porque a sociedade ocidental foi capaz de esculpir uma religião que a acompanhasse. Parece estar respondida a questão, quanto ao cristianismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esta resposta serve também para o mundo muçulmano, pois a influência da sociedade sobre a religião não é característica apenas das sociedades ocidentais e do cristianismo, também se passou o mesmo com o Islão. Esta religião nunca foi a mesma de umas épocas para as outras nem de um país para outro. Do século VII ao século XV existiram grandes sábios e pensadores em diversas áreas, como a astronomia, a agronomia, a química, a medicina e as matemáticas. No mundo muçulmano esta religião era interpretada pelos seus seguidores num espírito de tolerância e de abertura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje será também o Islão um reflexo das sociedades que professam esta fé? Maalouf acredita que o facto de os muçulmanos atacarem violentamente o Ocidente não se deve a serem muçulmanos e o Ocidente ser cristão, mas, sobretudo, ao facto de serem pobres, dominados, ridicularizados e por o Ocidente ser rico e poderoso. Segundo o autor, estes movimentos não são um puro produto da história muçulmana, são o produto da nossa época, das suas tensões, das suas distorções, das suas práticas, das suas desesperanças:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“As sociedades seguras de si mesmas reflectem-se numa religião confiante, serena, aberta; as sociedades inseguras reflectem-se numa religião friorenta, beata e sobranceira”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fornecer esta perspectiva, pondo em evidência que, de facto, a sociedade modela a religião e não somente a religião modela a sociedade, Maalouf vai mais longe e acusa mesmo quem se recusa a admitir a primeira visão, não só de injusto, mas também de tornar os acontecimentos do mundo totalmente incompreensíveis. Diz ele que, se nos resignamos à ideia de que o Islão condena irremediavelmente os seus adeptos ao imobilismo, como estes constituem quase uma quarta parte da humanidade e jamais renunciarão à sua religião, o futuro do nosso planeta parece bem sombrio (note-se que o livro foi escrito antes do 11 de Setembro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se do século VII ao século XV o mundo árabe prosperou, a partir daí até ao século XIX andou a passo, enquanto, por sua vez, o Ocidente avançou rapidamente. Mais uma vez, o autor volta à questão: foi o cristianismo que modernizou a Europa? De certa forma, o que pretende é mostrar que, da mesma forma que não foi o cristianismo que modernizou a Europa, também não é o Islão que imobiliza os povos seguidores desta religião.&lt;br /&gt;Respondendo à pergunta, mais uma vez o autor realça o facto de a Igreja também se ter oposto sempre, a princípio, à modernização. Foi necessário um impulso profundo, poderoso e contínuo a favor da mudança para que esta resistência se atenuasse e para que a religião se adaptasse. Maalouf considera todo este trabalho dos povos ocidentais, que todos os dias inventavam, inovavam e faziam tremer certezas, um acontecimento único na História. E lança uma outra questão: por que é que quando a civilização da Europa cristã tomou a dianteira todas as outras começaram a declinar? E responde: sem dúvida porque a humanidade tinha nesse momento os meios técnicos para um domínio planetário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, o Ocidente está em todo o lado. Toda a modernização é, daqui em diante, ocidentalização. Embora haja monumentos e obras que trazem consigo a marca de civilizações específicas, tudo o que se criou de novo foi criado à imagem do Ocidente (discutível? Japão, Índia, China de hoje?). Mas esta realidade não é vivida da mesma forma pelos povos do Ocidente e pelos restantes, ou seja, pelos que pertencem à civilização dominante e pelos que pertencem às civilizações dominadas. Para estas, segundo Maalouf, a modernidade coloca-se em termos bastante diferentes. A modernização implicou constantemente o abandono de uma parte de si próprios. Embora tenha suscitado, por vezes, o entusiasmo, nunca se desenrola sem uma certa amargura, sem um sentimento de humilhação e de renúncia, sem uma profunda crise de identidade (será assim para todas as pessoas que pertencem a essas culturas?). &lt;br /&gt;É possível assimilar a cultura ocidental sem renegar à sua própria cultura? É possível adquirir o conhecimento do Ocidente sem ficar à sua mercê? Maalouf expõe de forma mais detalhada o caso do Egipto, que apresenta como testemunho de que o mundo árabe sentiu desde muito cedo a necessidade de se modernizar. Primeiro conta a história de Muhammad-Ali, vice-rei do Egipto no século XIX, que modernizou o país, mas que foi travado pela Europa, sendo que a conclusão que os árabes tiraram deste episódio foi de que o Ocidente não quer ninguém que se lhe assemelhe, quer somente que lhe obedeçam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá depois o caso de Nasser, presidente do Egipto entre 1956 e 1970. Nasser foi um ídolo para o mundo árabe-muçulmano e governou até morrer. A incapacidade de resolver certos problemas ligados ao subdesenvolvimento e as várias derrotas militares, nomeadamente a da Guerra dos Seis Dias, contra Israel, fizeram com que perdesse alguma da sua anterior credibilidade. Foi neste contexto que parte da população se predispôs a ouvir os discursos do radicalismo religioso e que surgiram os regimes radicais nos anos 70. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maalouf utiliza estes exemplos, e mais alguns outros, para demonstrar que foram especialmente as expectativas goradas dos jovens, que primeiro acreditaram e depois deixaram de acreditar, a par da derrota do nacionalismo e do socialismo, que fizeram com que os árabes e muçulmanos tivessem enveredado pelo radicalismo religioso. Para o autor, essa nunca foi a primeira via, nunca foi a escolha espontânea. Para que tal acontecesse foi preciso que todas as outras se fechassem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-1275987189525307065?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/1275987189525307065/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=1275987189525307065' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/1275987189525307065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/1275987189525307065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2011/04/resumo-identidades-assassinas-de-amin_22.html' title='Resumo “Identidades Assassinas” de Amin Maalouf (1998) – Terceira Parte'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-901433903937491077</id><published>2011-04-20T23:37:00.001Z</published><updated>2011-04-24T20:53:35.779Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Identidades Assassinas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amin Maalouf'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Imigração'/><title type='text'>Resumo “Identidades Assassinas” de Amin Maalouf (1998) – Segunda Parte</title><content type='html'>No segundo capítulo, intitulado “Quando a modernidade vem do outro”, Amin Maalouf começa por colocar diversas questões, que julga serem comuns à maioria das pessoas, relacionadas com o mundo árabe: porquê o véu, porquê o arcaísmos e a violência, será tudo isto inerente a estas sociedade, será o Islão incompatível com a liberdade e com a democracia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relativamente a este tema, se, por um lado, não agrada ao autor o discurso feito de velhos preconceitos relativamente ao Islão, em que são tiradas conclusões definitivas relativamente a certos povos e à sua religião; por outro, também não lhe satisfaz o discurso daqueles que dizem que a religião muçulmana é a religião da tolerância e que tudo não passa de um mal-entendido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maalouf vai mais a fundo neste último ponto de vista e diz que, mesmo que uma doutrina não possa ser considerada responsável por algum acto repreensível cometido em seu nome, ela não pode, no entanto, ser considerada como totalmente estranha a tal acto. Consoante a interpretação que cada um faz da sua doutrina, assim a pode utilizar de determinada forma:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Todas as sociedades humanas souberam encontrar, no decurso dos séculos, as citações sagradas que pareciam justificar as suas práticas do momento …. O texto não muda, o que muda é o nosso olhar. Mas o texto não age sobre as realidades do mundo senão através do filtro do nosso olhar. Olhar que em cada época se demora sobre certas frases e desliza por outras sem as ver”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá o exemplo do “Não matarás” da Bíblia, que só passados dois ou três mil anos começou a ser aplicado à pena de morte (e não é em todo o lado, como se sabe). Será então o cristianismo tolerante, respeitador das liberdades, conducente à democracia? Se olharmos para a Inquisição, escravatura, sujeição das mulheres, factos que ocorreram ao longo de séculos, dir-se-ia que não. Então por que é que só no século XX o espírito democrático do cristianismo se revelou? O autor explica que esta exigência de democracia não foi algo que sempre tivesse existido na história do mundo cristão, mas, apesar de tudo, a democracia conseguiu instaurar-se nas sociedades de tradição cristã, embora de forma progressiva, incompleta e tardia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maalouf chama a atenção para que nenhuma doutrina é necessariamente libertadora e para que, se sobre estas questões quisermos deitar um olhar novo e útil, será necessário que não haja nem hostilidade, nem complacência, nem, sobretudo, condescendência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor faz então uma pequena retrospectiva da história do Islão. Cinco anos após a morte de Justiniano, em 565, e a queda do Império Romano, nascia Muhammad Maomé. Este vazio deixado pela “grande Roma” permitiu, entre outras coisas, que as tribos da Arábia conseguissem, em algumas dezenas de anos, tornarem-se senhoras de um imenso território que ia de Espanha até às Índias. Tudo isto, diz o autor, de forma espantosamente ordenada, com um relativo respeito pelos outros e sem excessos de violência gratuita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esclarece então que percebe que servirá de pouca consolação saber que o Islão foi tolerante no século VIII, quando hoje se cometem crimes em seu nome. No entanto, o que o autor pretende não é defender nem o Islão, nem o Cristianismo. Aquilo por que se bate é contra a ideia de existência de uma religião – a cristã - que sempre defendeu o modernismo, a liberdade, a tolerância e a democracia, e outra – a muçulmana – votada desde sempre ao despotismo e ao obscurantismo. Diz o autor que isto é errado, é perigoso e ensombra toda a perspectiva de futuro de uma boa parte da humanidade. Aos seus olhos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Um crente é simplesmente aquele que crê em certos valores – que resumirei num único: a dignidade do ser humano”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhuma religião está desprovida de intolerância e o autor não pretende julgar ninguém, limitando-se, segundo ele, a constatar que houve no decurso da história muçulmana uma longa prática de coexistência e de tolerância a outras religiões. Porém, acrescenta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A  tolerância não me basta. Não tenho desejo algum de ser tolerado, exijo que me considerem um cidadão de corpo inteiro, qualquer que seja a minha crença.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fazer a comparação entre os dois mundos, o cristão e o muçulmano, talvez se pudesse descobrir de um lado uma religião intolerante durante um longo tempo, que se transformou numa religião de abertura, de outro, uma religião que possuía uma vocação de abertura, mas que derivou para comportamentos intolerantes e totalitários. A questão, para o autor, está em saber por que tal aconteceu, ou seja, por que razão o ocidente cristão conseguiu produzir sociedades respeitadoras da liberdade de expressão, enquanto o mundo muçulmano aparece agora como uma “cidadela do fanatismo”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-901433903937491077?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/901433903937491077/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=901433903937491077' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/901433903937491077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/901433903937491077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2011/04/resumo-identidades-assassinas-de-amin_20.html' title='Resumo “Identidades Assassinas” de Amin Maalouf (1998) – Segunda Parte'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-2172573038481157640</id><published>2011-04-19T19:36:00.002Z</published><updated>2011-04-24T20:53:06.234Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Identidades Assassinas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amin Maalouf'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Imigração'/><title type='text'>Resumo “Identidades Assassinas” de Amin Maalouf (1998) – Primeira Parte</title><content type='html'>O autor, Amin Maalouf, é libanês, jornalista, vive em Paris desde 1976 e a maior parte do tempo dedica-a à escrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste livro, ele começa por falar, logo na introdução, da sua própria identidade. Mais francês? Mais libanês? Na realidade, ele sente-se libanês, francês, árabe e, também, cristão. São todas estas pertenças que formam a sua identidade. Logo aqui, na introdução, ele salienta o perigo que é querer fazer com que alguém tenha uma pertença mais profunda, porque isso reduz cada um a uma “essência” estabelecida de uma vez por todas à nascença e que nunca se alterará. No entanto, diz que nada nas leis e nas mentalidades actuais permite a alguém com pertenças tão distintas (fala do exemplo de um jovem filho de pais argelinos e nascido em França) “assumir harmoniosamente a sua identidade compósita”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No capítulo I ele foca-se no conceito de identidade e previne que o objectivo do livro não é redefinir esta noção, mas sim “tentar compreender a razão pela qual tantas pessoas são levadas a cometer crimes em nome da sua identidade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, começa por explicar (note-se que ele escreve cada capítulo como se de uma aula se tratasse) que a identidade é constituída por várias pertenças e, embora vários indivíduos possam ter as mesmas pertenças, por exemplo, pertencer ao mesmo clube, à mesma religião, ter nascido no mesmo país, etc., encontrar exactamente as mesmas pertenças em dois indivíduos é impossível e é isto que torna cada indivíduo singular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De facto, cada indivíduo tem diversas pertenças e, embora nenhuma prevaleça de modo absoluto, quando uma delas é ameaçada, é essa que prevalece e quase parece que é a única que ele tem, a única que forma a sua identidade e, por ela, ele é capaz de se bater “ferozmente” contra os seus próprios correligionários. Dá vários exemplos, como o dos curdos e turcos, ambos muçulmanos, mas com línguas diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refere o seu próprio caso. Como o facto de ser árabe e também cristão é uma situação muito minoritária e muito específica e nem sempre fácil de assumir. Diz ter sido determinante na vida dele, em muitas das decisões que tomou, nomeadamente, ter escrito este livro. Se por um lado, a língua o aproxima de uma boa parte da humanidade, a religião aproxima-o de outra. Ele diria que a língua e a religião separadamente o tornam próximo de metade da humanidade. As duas pertenças em conjunto tornam-no parte de uma minoria e confrontam-no com a sua própria especificidade. O mesmo acontece com o facto de ser libanês e francês. Esclarece que nasceu no seio da comunidade greco-católica, ou melquita, a qual reconhece a autoridade do Papa, mas continua fiel a alguns ritos bizantinos (ortodoxos). Esta é uma das razões que o fez não pegar em armas no Líbano para lutar pelo território ou pelo poder, o facto de pertencer a uma comunidade marginalizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto tudo para afirmar que os seres humanos não são todos semelhantes, mas sim diferentes entre cada um deles: um sérvio é diferente de um croata, mas cada sérvio é também diferente de todos os outros sérvios e o mesmo com os croatas. Deixa então um alerta para a importância das nossas palavras. Não é raro englobarmos as pessoas mais diversas no mesmo vocábulo (“os ingleses destruíram”, “os judeus confiscaram”), emitindo frios juízos de valor sobre determinada população, juízos que podem terminar em sangue. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, as nossas palavras não são inocentes e contribuem para perpetuar preconceitos:&lt;br /&gt;“Porque é o nosso olhar que aprisiona muitas vezes os outros nas suas pertenças mais estreitas e é também o nosso olhar que tem o poder de os libertar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No terceiro ponto do capítulo I começa por falar da identidade como construção. Ou seja, além de ser constituída por diversas pertenças, ela também se modifica ao longo do tempo. Os elementos da nossa identidade que existem logo à nascença são relativamente poucos e mesmo estes são vivenciados de forma diferente à medida que vamos crescendo. Dá o exemplo da diferença existente entre uma mulher que tenha nascido em Cabul ou de outra que tenha nascido em Oslo. Ambas são mulheres, mas a forma como vivenciam este aspecto da sua identidade é absolutamente diferente. Neste ponto, mais uma vez, utiliza uma frase quase poética: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Cada um de nós deve desbravar um caminho entre as vias para onde nos empurram e aquelas que nos proíbem ou cujo terreno minam sob os nossos pés; nenhum de nós é à partida um ser único; não nos contentamos em tomar consciência da nossa identidade, tornamo-nos o que somos; adquirimos essa consciência passo a passo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós somos um conjunto de pertenças, mas estas não se sobrepõem, fundem-se. Se se tocar numa é toda a pessoa que mexe. Mais uma vez, foca o facto de nos reconhecermos mais numa das pertenças quando essa é atacada. E se não a defendemos, o desejo de vingança fica guardado dentro de nós. Este desejo de afirmação é utilizado por alguns, a que ele chama, os condutores, que o utiliza de forma mais ou menos calculista, inflamando todo um grupo, que fica assim preparado para a guerra, que segundo esse grupo é merecida. Ficam assim justificados todos os crimes, vinganças e humilhações. Amin Maalouf tenta demonstrar a existência de um potencial assassino dentro de cada um de nós, como sob certas condições nos podemos tornar criminosos e cometer as maiores atrocidades, sentindo legitimidade para o fazer com o argumento de defesa da nossa identidade. Esta é a razão pela qual o autor utiliza a designação “identidades assassinas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A acrescentar a esta falsa legitimidade para cometer crimes, o autor acrescenta a complacência com que ainda são vistos, por exemplo, os massacres étnicos como algo “lá entre eles”, inevitável, inerente à condição humana. Esta concepção tribal de identidade é, segundo Maalouf, aquela que ainda prevalece no mundo inteiro. Como contraponto realça que, embora muitas concepções inaceitáveis nos dias de hoje se tivessem mantido ao longo de séculos, as mentalidades podem mudar e ideias novas têm vindo a conseguir impor-se, pelo menos em certas partes do mundo. Por exemplo, a ideia de que as mulheres devem ter os mesmos direitos do que os homens. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, como “solução” Amin Maalouf fala da urgência de uma nova concepção de identidade. Diz ele que não se pode exigir a milhões de seres humanos que escolham entre a afirmação excessiva da sua identidade e a sua total perda, entre a negação de si mesmos e a negação do outro. Esta nova concepção de identidade favoreceria o encorajamento da assumpção de pertenças múltiplas, a possibilidade de conciliar a necessidade de identidade com uma abertura franca e descomplexada a culturas diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para terminar este primeiro capítulo, Amin Maalouf, aprofunda o tema “migração”. Todos nós temos algo de migrante e de minoritário. Mesmo aqueles que nunca deixaram a sua terra natal, muitas vezes já não a reconhecem, o que se deve a esta característica da alma humana (afinal não só dos portugueses) naturalmente inclinada para a nostalgia e também à acelerada evolução que nos fez atravessar em 30 anos, o que outrora se passava em várias gerações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A concepção tribal de identidade é a primeira a ser ameaçada pelos novos tempos. Se um migrante tiver de escolher entre a sua própria pátria e a de destino, vê-se condenado a trair uma das duas. Diz Maalouf que os imigrantes vivem diversos dilemas. Em relação ao país de origem sentem culpa por ter abandonado os seus, mas por outro lado, se deixaram a sua terra é porque havia motivos de rejeição. Em relação ao país de acolhimento, se por um lado, é uma terra de oportunidades, por outro, há uma apreensão pelo desconhecido, receio de se ser humilhado. Diz ele que o sonho mais secreto da maior parte dos migrantes é o de serem tomados por naturais desse país. A primeira estratégia que utilizam é tentar passar despercebidos, mas, à medida que percebem que tal não é possível, podem desenvolver frustrações, que desembocam em sentimentos de orgulho exacerbados, fanfarronice ou em contestação brutal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor afirma que é neste domínio, o dos estados de alma dos migrantes, dos seus conflitos constantes, que as tentativas identitárias podem levar às “derrapagens mais mortíferas”. Diz ele que contra todas as tensões existentes entre população nativa e populações migrantes é preciso deitar um olhar de sabedoria e serenidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação ao país de acolhimento diz existirem duas concepções extremas e radicalmente diferentes. Uma é a de que o país de acolhimento é uma página em branco em que quem chega não precisa de mudar nada nos seus gestos e hábitos, e outra é a de que a página já está escrita e impressa e que os imigrantes não têm outra alternativa senão adaptarem-se. Amin Maalouf é a favor de um consenso, mas, não sendo este possível, um código de conduta que proteja uns e outros do que chama “loucura” é aconselhável. Lança aqui dois conselhos a uns e outros:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quanto mais vos impregnardes da cultura do país de acolhimento mais o podereis impregnar com a vossa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quanto mais um imigrante sentir que a sua cultura de origem é respeitada, mais ele se abrirá à cultura do país de acolhimento”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, a palavra-chave utilizada pelo autor é “reciprocidade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para finalizar, dá como exemplo a polémica criada pelo uso do véu islâmico em alguns países. Embora pense que se trata de um comportamento passadista e retrógrado, que traz à tona o longo combate das mulheres árabo-muçulmanas pela emancipação, diz que a verdadeira questão não está no conflito entre arcaísmo e modernidade, mas sim em saber por que razão, na história dos povos, a modernidade é tantas vezes rejeitada e nem sempre entendida como um progresso e como uma evolução bem-vinda. A interrogação fica no ar como essencial para a reflexão sobre identidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-2172573038481157640?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/2172573038481157640/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=2172573038481157640' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/2172573038481157640'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/2172573038481157640'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2011/04/resumo-identidades-assassinas-de-amin.html' title='Resumo “Identidades Assassinas” de Amin Maalouf (1998) – Primeira Parte'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-4488045226856004351</id><published>2010-03-05T11:42:00.002Z</published><updated>2010-03-05T11:48:27.544Z</updated><title type='text'>O imigrante como o Outro</title><content type='html'>Inês Branco - em Fevereiro de 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal tem vivido nas últimas décadas fortes transformações demográficas, tendo passado de país de emigração a país de imigração. O nosso país é hoje caracterizado por uma grande diversidade, que representa uma maior riqueza em termos demográficos, económicos e culturais. Mas é esta mesma diversidade que coloca a Portugal novos desafios que resultam numa maior necessidade de promoção da coesão social e da gestão da diversidade cultural. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As construções que os media dos países que acolhem os imigrantes fazem destes são críticas em influenciar o tipo de recepção que estes têm e, assim, condicionam uma eventual experiência de inclusão ou exclusão dos imigrantes. Muitas vezes agindo como porta-vozes de partidos políticos ou de outros grupos de poder, o discurso dos media tem demonstrado ser imensamente influenciador da construção dos imigrantes como os Outros e, muitas vezes, também como “criminosos” ou “indesejados”. Este foco na criminalidade imigrante cria estereótipos que estão muito longe da verdade e que são muito difíceis de desarreigar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta questão leva-me à reflexão do imigrante como Outro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se “o outro é sempre inquietante, é sempre o mais inquietante” (Marcos, 2004), então o imigrante, retratado com o Outro é inquietante, porque “ameaça a inércia do igual, introduz a incoerência, provoca a contradição”. Numa entrevista da Alta Comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural em 2009, este factor fica bem explícito nesta frase “Sim, com vizinhos há sempre questões porque todos têm receio, ninguém gosta do que não conhece e há anticorpos quando uma família de imigrantes vai viver para um bairro. Há comportamentos racistas e discriminatórios até as pessoas se começarem a conhecer”. Mas será que, neste momento em que o Mesmo conhece o Outro, o Outro passa a ser o Mesmo e, portanto, deixa de ser alvo de comportamentos racistas e discriminatórios? O Outro será sempre o Outro. Um imigrante é um sujeito com uma cultura, uma identidade que o identifica como Outro, mas deixa de ser visto como só mais um indivíduo dentro de uma categoria, para ser entendido como um “sujeito auto-afirmativo”, segundo o conceito filosófico herdado do paradigma kantiano, que não coincide com o termo “indivíduo”, significativo de uma prática a-social (Marcos, 2004). Esta visão do Outro é frequentemente veiculada pelos media: “Polícia de Beja agredido por indivíduo de etnia Cigana”. Neste artigo o Outro é retratado como um indivíduo genérico que só é definido por pertencer a uma categoria: etnia Cigana. A partir do momento em que o Mesmo começa a conhecer o Outro, a diferença neutraliza-se. Ainda assim, falar do conhecimento do Outro é de certo modo abusivo. A não transparência absoluta do Outro é condição da sua afirmação enquanto Outro (Marcos, 2004). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só quando existe um trabalho de reconhecimento, o Outro se pode afirmar como sujeito singular, mesmo que inscrito num universo de semelhantes. Reconhecimento das suas capacidades, que o tornam um sujeito singular dentro da comunidade imigrante à qual pertence, “Portugal reconhece os imigrantes qualificados?” (anexo 1). Através do reconhecimento de qualificações, o imigrante como um Outro passa de mero indivíduo pertencente a uma categoria, a um sujeito livre, responsável, com uma profissão, com qualificações. Isto leva-nos à questão da “cidadania” e à constatação de que este conceito não pode ser observado à parte do conceito de “reconhecimento” (Costa, 1997). A cidadania é um status outorgado a cada ser humano mediantes a concessão de direitos civis, políticos e sociais (Zapata-Barrero, 2001). O reconhecimento surge como forma de introduzir nas questões que envolvem a acessibilidade aos bens materiais e imateriais que circulam no espaço público, alguns critérios e procedimentos que promovam a inclusão de grupos socioculturais minoritários, que se encontram em desvantagem, na distribuição de bens (Costa, 1997). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A contraposição da política de reconhecimento da igualdade das culturas à igualdade dos sujeitos é feita por Charles Taylor. Segundo o autor, a cultura é preexistente, pois o sujeito existe em função da sua cultura singular e diferenciada. Taylor constrói as suas concepções em relação aos problemas das acções humanas no espaço de convívio entre diversos grupos em torno do problema da identidade (Taylor, 1997). O reconhecimento é a componente nuclear da formação ética do sujeito. Taylor abordou o tema do reconhecimento a partir das teorias do reconhecimento de Hegel, fonte imediata destas teorias.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Hegel põe em evidência o problema da base ética da solidariedade social, por oposição à moralidade. Com base nisto, Taylor afirma que o facto de a nossa identidade ser formada, em parte, pela existência ou inexistência de reconhecimento e, muitas vezes, pelo reconhecimento incorrecto dos outros, uma pessoa ou grupo de pessoas podem ser realmente prejudicados, serem alvo de uma verdadeira distorção, se aqueles que os rodeiam reflectirem uma imagem limitativa, de inferioridade ou de desprezo por eles mesmos. O reconhecimento incorrecto não implica só uma falta de reconhecimento devido. Pode também marcar as suas vítimas de forma cruel, subjugando-as através de um sentimento incapacitante de um ódio contra elas mesmas. Por isso, o respeito devido não é um acto de gentileza para com os outros. É uma necessidade humana vital (Taylor, 1998). Daqui decorre a responsabilidade que os media têm no criar de uma imagem dos imigrantes, pois é através deles que se cria também uma imagem na opinião pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Axel Honneth afirma que a exclusão social (a inacessibilidade) é mais do que uma limitação à autonomia individual, põe os sujeitos em desvantagem, pois quebra-se o sentimento de pertença deste em relação aos restantes. A negação de direitos ou a falta de acesso a um sistema de normas legitimadas pela sociedade lesa o auto-respeito dos sujeitos, pois dá-se uma perda de capacidade de se referirem a si próprios como parceiros em pé de igualdade com todos os próximos. Seguindo Hegel e Mead, Honneth distingue o reconhecimento recíproco com o que designa por estima social (Honneth, 2003).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão do reconhecimento e da relação entre sujeitos pode pôr-se também ao nível das suas culturas. O fenómeno das migrações e a globalização reflecte-se no intensificar da interdependência entre países, intensificando também a necessidade de um diálogo entre culturas diferentes. Quando se fala em trocas entre diferentes culturas e não apenas entre saberes, é porque existe “diálogo intercultural” . Boaventura Sousa Santos propõe a utilização de uma “hermenêutica diatópica” como procedimento guia, ou seja, uma interpretação da outra cultura, levando em conta que a nossa própria cultura não é completa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na área dos direitos humanos e da dignidade humana, a mobilização de apoio social para as possibilidades e exigências emancipatórias que eles contêm, só será concretizável na medida em que tais possibilidades e exigências tiverem sido apropriadas e absorvidas pelo contexto cultural local. Apropriação e absorção, neste sentido, não podem ser obtidas através da canibalização cultural. Requerem um diálogo intercultural e uma hermenêutica diatópica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A hermenêutica diatópica baseia-se na ideia de que os “topoi” de uma dada cultura, por mais fortes que sejam, são tão incompletos quanto a própria cultura a que pertencem. Os “topoi” são premissas de argumentação que, por não se discutirem, dada a sua evidência, tornam possível a produção e a troca de argumentos. A incompletude dos “topoi” não é visível do interior dessa cultura, uma vez que a aspiração à totalidade induz a que se tome a parte pelo todo. O objectivo da hermenêutica diatópica é ampliar ao máximo a consciência de incompletude mútua através de um diálogo que se desenrola, por assim dizer, com um pé numa cultura e outro, noutra. Nisto reside o seu carácter dia-tópico. Um exemplo de hermenêutica diatópica, que Boaventura Sousa Santos apresenta, é a que pode ter lugar entre a cultura ocidental, a cultura hindu e a cultura islâmica, quando se fala em direitos humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A hermenêutica diatópica mostra-nos que a fraqueza fundamental da cultura ocidental consiste em estabelecer dicotomias demasiado rígidas entre o indivíduo e a sociedade, tornando-se assim vulnerável ao individualismo possessivo, ao narcisismo, à alienação e inexistência de uma lei. De igual modo, a fraqueza fundamental das culturas hindu e islâmica deve-se ao facto de nenhuma delas reconhecer que o sofrimento humano tem uma dimensão individual irredutível, a qual só pode ser adequadamente considerada numa sociedade não hierarquicamente organizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, para que possa existir diálogo intercultural, é necessário que cada cultura reconheça as suas incompletudes, especialmente, no diálogo entre culturas que partilham um passado de trocas desiguais, em que uma foi moldada pela outra, como é o caso de países colonizadores e ex-colónias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo imperativo intercultural, e o mais difícil de atingir e obter para que possa existir diálogo intercultural, é o de, em concepções concorrentes de igualdade e diferença, as pessoas e os grupos sociais terem o direito a ser iguais quando a diferença os inferioriza, e o direito a ser diferentes quando a igualdade os descaracteriza (Sousa Santos, 1997). &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Bibliografia:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Costa, Sérgio e Werle, Luís Denílson. “Liberais, comunitaristas e as relações raciais no Brasil”. Novos Estudos Cebrap, São Paulo, N. 49, p. 159-180, 1997.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Honnet, Axel. “Luta por reconhecimento. A gramática moral dos conflitos sociais”. São Paulo: Editora 34, 2003.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcos, Maria Lucília. “Princípio da Relação e Paradigma Comunicacional”. Cadernos Universitários. Edições Colibri, 2007.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Santos, Boaventura de Sousa. "Por uma concepção multicultural de direitos humanos". In Revista Lua Nova n.º 39. São Paulo, CEDEC, 1997.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Taylor, Charles. “A Política do Reconhecimento in Multiculturalismo. Lisboa. Piaget, 1998.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Taylor, Charles. “As fontes do self: a construção da identidade moderna”. São Paulo: Loyola, 1997.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Zapata-Barrero, Ricaros. “Ciudadania, democracia y pluralismo cultural: hacia un nuevo contrato social”. Libros de La Revista Anthropos. Barcelona: Anthropos, 2001.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-4488045226856004351?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/4488045226856004351/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=4488045226856004351' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/4488045226856004351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/4488045226856004351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2010/03/o-imigrante-como-o-outro.html' title='O imigrante como o Outro'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-7470937740308958315</id><published>2010-02-25T00:00:00.004Z</published><updated>2010-02-25T00:18:10.314Z</updated><title type='text'>Os Bloggers são Jornalistas?</title><content type='html'>Inês Branco - 31 de Janeiro de 2008, para Questões Contemporâneas do Jornalismo - Mestrado em Jornalismo - UNL-FCSH&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.Introdução&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande dificuldade em responder à questão sobre se os bloggers são jornalistas surge desde logo com o facto de conceitos como blogging e jornalismo não estarem claramente definidos. Se considerarmos o jornalismo como uma forma de divulgar informação, então o blogging é jornalismo e quem escreve em blogues pode ser considerado jornalista. No entanto, esta definição de jornalismo abrangeria outras actividades que não são consideradas jornalismo, como o próprio ensino, ao espalhar informação pelos estudantes. Por outro lado, se falarmos de jornalismo como sinónimo de trabalhar numa organização noticiosa, então o blogging não é jornalismo.&lt;br /&gt;Neste ensaio procurarei, mais do que dar uma resposta inequívoca a esta questão, fornecer alguns conceitos que estão na base desta discussão, perceber em que situações as duas actividades de sobrepõem e conhecer reflexões feitas desde as origens do blogging acerca deste tema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;2.Conceitos&lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Importa, antes de mais, esclarecer alguns dos principais conceitos relacionados com os blogues, embora não haja definições standard.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Weblog&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Foi em 1998 que surgiram os primeiros weblogs. Caracterizam-se por serem uma espécie de diários online. São páginas Web com inserções datadas e organizadas da mais recente para a mais antiga (Fichter, 2001; Bausch, Haughey, Hourihan, 2002; Matheson, 2004). Esta é uma definição mais ou menos consensual, e é a que aparece no glossário We Blog: Publishing Online With Weblogs de Paul Bausch, Matthew Haughey e Meg Hourihan (Ojala, 2005). Desde 1998, com a chegada de softwares que permitem a sua criação automática, começaram a crescer em termos de popularidade entre os utilizadores da Internet (Matheson, 2004). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Blog&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Trata-se de uma abreviação de weblog e de o acto de escrever um weblog (Bausch, Haughey, Hourihan). Em 2004, o dicionário online Merrian-Webster declarou “Blog” a primeira palavra do ano. A sua definição é “um website que contém um jornal pessoal online com reflexões, comentários e muitas vezes hyperlinks” (Ojala, 2005). Os primeiros blogues evoluíram de páginas Web. De acordo com Bausch, Haughey, Hourihan, o termo “weblog” entrou no vocabulário em 1997, apesar de pessoas como Tim Berners-Lee, David Winer e Justin Hall já escreverem páginas “What’s new” desde 1994 (Ojala, 2005).&lt;br /&gt;Um blogue é uma versão mais dinâmica de um website pessoal, sendo actualizado, pelo menos, semanalmente e, algumas vezes, diariamente, hora a hora, ou mesmo mais frequentemente, com as entradas mais recentes a aparecer primeiro. Os blogues invocam hyperlinks para outros sites para reforçarem as suas próprias publicações (Wall, 2005).&lt;br /&gt;O conteúdo dos blogues pode variar bastante, desde assuntos mundanos até aos mais pessoais, focando-se em vários tópicos, nos quais se incluem as notícias ou a informação. Daí que se chamem a este tipo de blogues “blogues noticiosos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Blogger&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;É aquele que escreve ou publica em blogues. &lt;br /&gt;Muitas vezes, procura na Web notícias interessantes e coloca hyperlinks para essa informação. Pode sumarizar o conteúdo do link ou pode colocar comentários, críticas ou outros pensamentos pessoais sobre essa informação (Wall, 2005).&lt;br /&gt;Blogger é também um software da Google que veio permitir fazer blogues sem serem necessários conhecimentos de tecnologia por parte de quem os cria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Notícia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Informação nova sobre um assunto de algum interesse público, que é partilhada com uma porção de público. As notícias são, com efeito, o que vai na mente de uma sociedade (Stephens, 1988). &lt;br /&gt;As notícias são temporais, interessam a quem está mais próximo do assunto que trazem, envolvem o que é conhecido ou proeminente, as suas consequências afectam muitos ou simplesmente são suficientemente estranhas para serem qualificadas de interesse humano (MacDougall e Reid, 1987).&lt;br /&gt;As notícias são baseadas numa série de escolhas ou selecções feitas nas salas das redacções, respeitantes àquilo que vai ser enfatizado e como. As notícias são a interpretação que os media fazem dos eventos (Lippmann, 1965)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3.Eleições Presidenciais Americanas de 2004&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para perceber a evolução dos weblogs e a forma como estes vieram mudar os media “mainstream” é necessário falar das eleições presidenciais norte-americanas de 2004. &lt;br /&gt;Os blogues políticos com comentários sobre os candidatos, as questões e as campanhas chamaram a atenção dos media (Ojala, 2005). À medida que os media iam descobrindo o poder dos blogues, perceberam algo que os bloggers nunca tinham considerado, os blogues como uma encarnação do Novo Jornalismo (Seelye, 2004; Cristol, 2002). Quando os media começaram a utilizar os blogues como veículo para reportagens e comentários, estes começaram a ganhar legitimidade e estatura. Tornaram-se parte do panorama de publicações e os editores começaram a preocupar-se sobre se os seus jornais se tornariam obsoletos face às novas plataformas dos weblogs (Ojala, 2005).&lt;br /&gt;No início, os blogues eram uma voz para aqueles que se opunham ao “mainstream”, em especial, no que dizia respeito aos blogues políticos. Quando os media tradicionais começaram a adoptar os blogues, algumas das características originais começaram a desvanecer-se. A periodicidade das inserções ou publicações nos blogues tornou-se mais regular, o número de leitores aumentou e os comentários nos blogues começaram a ser repetidos na imprensa e na televisão. A voz dos comentadores começou a ser reconhecida como tendo credibilidade e autoridade (Ojala, 2005).&lt;br /&gt;Uma medida importante para entender o que se passou durante as eleições presidenciais americanas de 2004 é o número de blogues existentes nessa época. De acordo com o Technorati.com, existiam mais de 4,298,000 sites em 2004. Nas eleições levadas a cabo apenas dois anos antes, os blogues ainda estavam a emergir e foram muito pouco utilizados, faltando-lhes visibilidade que lhes pudesse dar algum crédito (Lawson-Borders e Kirk, 2005).&lt;br /&gt;As eleições presidenciais norte-americanas de 2004 marcaram o ano em que o blogging se tornou a assinatura de comunicação dos jornalistas (Packer, 2004). &lt;br /&gt;Segundo a investigação feita por Gracie Lawson-Borders e Rita Kirk, professoras da Kent State University e da Southern Methodist University, respectivamente, existem três tipos de pesquisa que nos podem dar uma visão sobre o blogging como meio de comunicação política. Primeiro está a investigação do blogue como diário social. Segundo, está a análise dos blogues como ferramentas organizativas. Terceiro, os blogues são vistos como uma forma de jornalismo cívico e participativo.&lt;br /&gt;Blogue como diário social &lt;br /&gt;Um aspecto da narrativa social é o estudo de como a mensagem se espalha pela população. O activismo social dos bloggers promove a auto-expressão democrática e o efeito de rede (Kath &amp; Kellner, 2004, p. 91). Com as eleições políticas de 2004 deflagrou uma pletora de bloggers que injectaram o seu ponto de vista. Os bloggers foram prolíficos nas convenções Democráticas e Republicanas de 2004, com ambos os partidos a permitir que bloggers se registassem como representantes dos media para fazer a cobertura da campanha (Lawson-Borders e Kirk, 2005). &lt;br /&gt;Blogue como ferramenta organizativa&lt;br /&gt;Três marcas do discurso dos blogues são importantes para a organização de grupos. Em primeiro lugar, o discurso dos blogues é curto e emotivo. O jornal “Chicago Tribune” descobriu que, durante a convenção democrática, mais leitores se voltaram para os blogues do que para as suas estórias (The Media Center, 2004). Apesar de muitas vezes ter origem em fontes jornalísticas tradicionais, existe alguma coisa em relação à voz dos blogues que diz não se tratar de uma voz corporativa. &lt;br /&gt;Uma segunda marca é a utilização dos blogues como ferramenta motivacional. O blogging foi primeiramente utilizado como ferramenta motivacional para encorajar o envolvimento de apoiantes. Numa das campanhas para as primárias, a de Howard Dean, o blogue foi uma das principais fontes de informação para os seus apoiantes. A pessoa que liderou o movimento acreditou que as pessoas se queriam envolver. Quando a campanha arrancou, no Outono de 2003, o blogue já tinha mais de 30,000 visitas diárias (Weiss, 2003). Muitas pessoas que queriam participar, não o faziam por falta de tempo. O uso dos blogues veio permitir este envolvimento. &lt;br /&gt;A terceira marca é ser uma ferramenta de participação. Os blogues fazem mais do que permitir a interacção dos participantes, muitas vezes são eles próprios que criam as estórias. Segundo o administrador do blogue da campanha de John Kerry, apesar de apenas 10 por cento das pessoas que entravam no site visitava o blogue, a tendência era ficarem mais tempo no site. Isto faz com que as campanhas tenham a possibilidade de influenciar mais os leitores, expondo-os a informação adicional. Isto porque gostam do acto de participar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Blogue como forma de jornalismo cívico e participativo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Canais de comunicação como os blogues criaram um fórum para o discurso político e para a abordagem de outros assuntos públicos, importantes para aqueles utilizadores não muito afiliados a organizações de jornalismo tradicional (Cohen, 2002). Chamar aos blogues “media independente” seria inapropriado, mas claramente os editores estão empenhados em descobrir e avaliar os factos que nos são apresentados em cada dia (Blood, 2005).&lt;br /&gt;Os blogues apresentam um novo contexto para se entender o papel entre os jornalistas e as suas audiências, em que estas últimas têm o potencial de se envolverem mais, de serem mais interactivas e de serem produtoras e não apenas consumidoras de informação (Matteson, 2004). &lt;br /&gt;Embora ainda esteja em discussão se o blogging veio mudar o discurso político, Gracie Lawson-Borders e Rita Kirk concluíram que nas eleições de 2004 a blogosfera só por si não foi suficiente para contar a estória. As notícias requereram a credibilidade trazida pelas organizações noticiosas. Mais do que isto, as pessoas que tentaram cobrir as eleições através dos seus blogues não fizeram mais do que os jornalistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4.Blogues Noticiosos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se grande parte dos blogues trata de assuntos pessoais, sendo praticamente diários online, existe uma larga minoria cujos assuntos são de natureza pública. Muitas vezes estes blogues citam e comentam estórias publicadas nos meios de comunicação social, quer seja nos jornais, quer seja na televisão ou nos websites das respectivas organizações. &lt;br /&gt;Este tipo de blogues, embora com uma categorização algo problemática, surgiu na sequência dos chamados “blogues de guerra”, de que falarei mais à frente. O problema em categorizar um blogue como “noticioso” está relacionado com o próprio conceito de jornalismo. Os weblogs vieram transformar leitores de notícias em criadores de notícias e consumidores de notícias em comentadores. Se por um lado se espera que os weblogs venham rejuvenescer o jornalismo, por outro, as convenções sociais sobre quem se pode proclamar jornalista ou sobre o que conta como jornalismo leva à necessidade de uma renegociação (Matheson, 2004).&lt;br /&gt;Num estudo realizado em 2004, Donald Matheson procurou saber como é que os possuidores de weblogs sobre assuntos de carácter público negociavam a sua relação com os géneros e posição social do jornalismo. Neste estudo chegou à conclusão que, apesar de muitos críticos considerarem o weblogging como uma forma radical de jornalismo, os bloggers entrevistados mostravam uma relação mais complexa com a ideia de actuarem com o papel de jornalistas. A maioria deles escrevia com o objectivo de contribuir para o debate público, mas existia uma grande ambivalência e mesmo algum antagonismo relativamente à ideia de ver o weblogging como jornalismo.&lt;br /&gt;Um dos respondentes, um repórter no activo, caracterizou o seu blogue com um local de experimentação, com um trabalho mais relacionado com assuntos políticos e com uma maior reflexão sobre as notícias, tudo fora das rotinas e das normas do seu trabalho diário.&lt;br /&gt;Para outros respondentes o seu papel era claramente o de jornalista. Dois destes escreviam para dar voz a vozes marginalizadas e outros dois apropriavam-se do papel de jornalista curiosamente para fazer a distinção entre o papel de fazer jornalismo e o papel daqueles que são empregados de organizações noticiosas. Para estes dois, o weblog era uma intervenção política na esfera dos media, que servia para manter a honestidade dos jornalistas e para dar vozes e aproximações novas aos media noticiosos. Uma das respondentes argumentava que os webloggers eram muitas vezes melhores jornalistas políticos, pois faziam a análise política que deveria estar nos media, mas que não estava.&lt;br /&gt;Apesar desta apropriação do papel de jornalista, Matheson concluiu que os webloggers não se consideravam similares a estes profissionais. Antes usavam o jornalismo para activamente construírem as suas próprias identidades, colocando-se como alternativas a um “mainstream” corrompido. Verificou existir mesmo uma tensão evidente entre o desejo de que a sua voz marginalizada se ouvisse e o reconhecimento.&lt;br /&gt;Paulo Querido e Luís Enes, em entrevistas a vários bloggers portugueses realizadas para o livro Blogs, de 2003, também vieram mostrar que os próprios autores dos blogues não encaravam os espaços que geriam como substitutos dos media tradicionais, nem tão pouco pareciam tentados pelas funções dos jornalistas profissionais (Freitas, 2006).&lt;br /&gt;Ainda que se chamem “blogues noticiosos”, tipicamente estes blogues, geridos individualmente, não criam conteúdos originais, suportando-se em outras fontes para as quais colocam links e que servem de inspiração para os seus comentários (Wall, 2005). Têm sido descritos com estando fora das normas vigentes do jornalismo tradicional, com menos gatekeepers ou filtros e não se suportando em grandes organizações. (Lasica, 2002; Levy, 2002).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5.Pós-modernidade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vários conceitos têm sido utilizados para caracterizar o tipo de jornalismo que estes blogues noticiosos produzem: jornalismo personalizado, jornalismo “faça-você-mesmo”, jornalismo do mercado negro e jornalismo pós-moderno (Wall, 2005). Relativamente a este último, se o jornalismo do século XX é visto como um produto da modernidade, então as mudanças sociais dos anos mais recentes, que levaram os observadores a identificar um período de hipermodernidade ou de pós-modernidade, precisam de ser consideradas ao avaliar o futuro do jornalismo (Wall, 2003).&lt;br /&gt;A pós-modernidade é vista como uma resposta à modernidade, uma visão do mundo associada a conhecimento científico e a outras assim chamadas de “grand narratives”, que legitimam certas epistemologias e foco no controlo do conhecimento por parte de certos profissionais ou elites (Lyotard, 1984). A pós-modernidade defende que a realidade não é fixa ou passível de ser conhecida fora do “eu”. Em vez disso, nós criamos a realidade através de linguagens e interacções ou performances (Jameson, 1991).&lt;br /&gt;Alguns observadores vêem certas características pós-modernas encarnadas em tendências negativas do jornalismo, ligando-as à cada vez menos clara fronteira entre notícias e entretenimento e à global celebração da cultura comercial (Hartley, 1996). Ainda assim, existem outros que fazem uma descrição do jornalismo pós-moderno, encarnando valores mais positivos. Para estes, o jornalismo pós-moderno consistiria em pequenas estórias locais sobre pessoas, que transmitem sofrimento humano e que rejeitariam uma meta-narrativa. Com as audiências a consumirem activamente estórias, a pós-modernidade daria um maior foco a vozes e a versões de eventos não-oficiais (Ettema, 1994).&lt;br /&gt;Para Melissa Wall, investigadora da Universidade Estadual da Califórnia, a questão está em saber até que ponto estes blogues diferem das noções tradicionais daquilo que é considerado notícia e de que forma estes blogues podem ser considerados uma forma de jornalismo pós-moderno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;6.Relação entre Blogging e Jornalismo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de tentar saber se serão os blogues uma forma de jornalismo pós-moderno, é necessário primeiro esclarecer qual a relação existente entre o blogging e o jornalismo. Serão os blogues uma oportunidade ou um desafio para o jornalismo? A respeito do blogging muito se tem dito. Há quem pense que expõe os pontos fracos do jornalismo (Regan, 2003), há quem ache que é uma força que vai abrir buracos nas paredes dos gatekeepers e que irá acabar com o reinado de soberania do jornalismo (Rosen, 2005). No entanto, há também quem diga que os bloggers e os jornalistas se complementam e se intersectam (Lasica, 2003) e que o debate entre jornalistas e bloggers é falso e redutor (Rosen, 2005).&lt;br /&gt;Para Wilson Lowrey, investigador da Universidade do Alabama, os jornalistas e os bloggers estão mais interessados em manter ou procurar autoridade do que em beneficiar a sociedade. A motivação e a acção individuais são constrangidas por factores sociais tais como os recursos das organizações, os processos profissionais e as mudanças tecnológicas. Surge, assim, a necessidade de mapear a relação entre bloggers e jornalistas, para saber em que aspectos do seu trabalho os jornalistas são vulneráveis ao blogging, o que é que prediz as suas forças e as suas vulnerabilidades e que mudanças os jornalistas são compelidos a fazer.&lt;br /&gt;Lowrey definiu vários conceitos relacionados com o jornalismo, fazendo a distinção face ao blogging: profissão, valores, processo de recolha de notícias e formato.&lt;br /&gt;Muitos dos blogues são publicações personalizadas e poucos bloggers recebem compensação. Deste ponto vista, blogger não seria uma profissão. No entanto, para a definição de uma profissão conta a percepção que o indivíduo tem de estar a praticar uma actividade similar, com as mesmas normas e valores sobre as suas práticas (Blor e Dawson, 1994; Dingwall, 1976; Fine, 1996; Van Maanen e Bartlley, 1984) e os bloggers tem esta percepção (Kramer, 2004).&lt;br /&gt;Quanto aos valores, os blogues são considerados participativos, transparentes e opinativos (Lasica, 2003; Wall, 2004, 2005), enquanto os valores do jornalismo são a exactidão, a equidade e a objectividade (International Federation os Journalists, 1986; Kovach e Rosenstiel, 2001; McQuail, 2000; Society of Professional Journalists, 1996).&lt;br /&gt;Outro factor distintivo é o processo de recolha de notícias. Para os jornalistas é uma rotina. Para os bloggers é uma raridade (Blood, 2003)&lt;br /&gt;O formato online interactivo dos blogues também o distingue do formato do jornalismo tradicional. Apesar de a utilização de hyperlinks para outros blogues também ser possível nos sites de jornalismo tradicional, os jornalistas não os utilizam rotineiramente como os bloggers.&lt;br /&gt;Lowrey desenvolveu um modelo, que lhe permitiu explicar o impacto que o blogging tem no jornalismo. Este modelo permite mostrar que os jornalistas alteram as qualidades subjectivas do seu processo profissional, ou seja, a lógica interna da sua prática profissional (diagnóstico, inferência e tratamento) para cobrir áreas que se tornaram vulneráveis ao blogging (concorrentes ocupacionais) e que desafiam a sua capacidade de controlar o trabalho de informar. Os jornalistas utilizam a discussão intra-profissional, feita em convenções e publicações comerciais para determinar quais direcções necessitam de mudar para reparar as vulnerabilidades. Através desta discussão os jornalistas redefinem problemas, audiências, objectivos e até mesmo a natureza dos jornalistas e do jornalismo. Os benefícios e constrangimentos objectivos externos, tais como a estrutura e recursos organizacionais e os constrangimentos legais afectam o quanto os jornalistas são vulneráveis e moldam os esforços destes em mudar o conhecimento e as práticas profissionais.&lt;br /&gt;No entanto, estratégias para dar resposta ao desafio do blogging já começaram a surgir. Algumas organizações jornalísticas passaram a ter blogues nos seus websites. O impacto destas estratégias remodela o processo profissional dos jornalistas, sendo que a comunidade dos jornalistas pode tentar, por exemplo, redefinir o blogging como uma ferramenta do jornalismo (Lowrey, 2006).&lt;br /&gt;O problema está em saber se estas estratégias vêm beneficiar a sociedade. Os apoiantes do blogging dentro da comunidade jornalística consideram-no uma evidência de um novo jornalismo mais igualitário e participado (Lasica, 2002). Mas ainda não é claro se estes blogues noticiosos são de facto sinónimo de um jornalismo mais participativo, pois existem evidências de que grande parte dos blogues têm links para outros blogues (Singer, 2005). Por sua vez, as organizações noticiosas preocupam-se mais em conter e direccionar o fenómeno do blogging do que em fomentar uma participação mais democrática (Lowrey, 2006). &lt;br /&gt;Uma reacção socialmente benéfica ao blogging foi o reforçar das tarefas jornalísticas de recolha de notícias e de assegurar a sua exactidão, o que os bloggers não têm muitas vezes condições de fazer. O crescente reconhecimento da importância destas tarefas viria beneficiar as audiências e a sociedade. O blogging veio também demonstrar que muitos jornalistas tendem a largar uma estória prematuramente. Se as organizações noticiosas apostassem mais na especialização e numa melhor cobertura das estórias, as audiências beneficiariam. No entanto, o mais certo é estas organizações repararem esta vulnerabilidade, encorajando os jornalistas a monitorizarem os blogues e a seguirem as estórias que tiveram mais poder junto das audiências. (Lowrey, 2006). &lt;br /&gt;Assim, este modelo é especialmente útil para entender quando é que uma mudança na profissão do jornalismo fará sentido. Quando uma ocupação está bem enraizada e não tem um rival relevante, as mudanças não são prováveis. Quando uma ocupação está bem enraizada, mas vulnerável a rivais, embora não seja necessária uma mudança fundamental no curto prazo, uma alteração à “fachada” será útil. Mas quando uma profissão não está bem enraizada e está vulnerável a rivais, é necessária uma mudança fundamental. Apesar de o futuro não ser claro, o que é certo é que o jornalismo como profissão será objecto de mudanças incrementais. Estas adaptações poderão ser bem sucedidas ou falhar na manutenção do controlo jornalístico e podem mesmo mudar fundamentalmente a natureza do jornalismo “mainstream” (Lowrey, 2006). &lt;br /&gt;Um ponto fulcral nesta discussão sobre a relação entre blogging e jornalismo tem sido a ideia de que pelo menos algum blogging constitui “jornalismo participativo” ou “jornalismo do cidadão” e a questão de como isto se relaciona (ou não) com anteriores movimentos profissionais para jornalismo “público” ou “cívico”. Os blogues tornaram-se uma fonte primária de notícias e informação durante catástrofes cuja dimensão desafia o alcance e recursos das organizações noticiosas tradicionais, como foi o caso do tsunami na Tailândia, dos ataques bombistas de Londres ou do furacão Katrina nos Estados Unidos. Nestes casos os blogues tornam-se claramente uma fonte de matéria-prima para os jornais e para a televisão, fornecendo fotografias, trechos de informação e depoimentos na primeira pessoa. No entanto, na actividade diária dos blogues noticiosos os papéis invertem-se, pois as notícias publicadas pelos jornalistas tornam-se no “combustível” para a actividade dos bloggers (Graves, 2007). &lt;br /&gt;Para Lucas Graves, investigador de tecnologia dos media, comunicação política e notícias, da Columbia University, as principais mais-valias do blogging são os contributos dos leitores, a fixação e a justaposição. &lt;br /&gt;Graves compara o blogging aos softwares de open-source, que disponibilizam o seu código a tantas pessoas quanto possível, permitindo que, em vez de se focarem na especialização de uns poucos profissionais, se possam apoiar em toda uma comunidade para descobrir erros e resolver problemas. Na blogosfera tanto as reportagens originais como a verificação dos factos operam segundo os mesmos princípios. &lt;br /&gt;Tanto em televisão como em imprensa, as notícias podem ser bastante efémeras. As reportagens que não atinjam uma massa crítica de atenção podem desaparecer de vista rapidamente. Os blogues noticiosos (e os websites em geral) constituem uma espécie de quadro global no qual se afixam factos incongruentes para que possam ser facilmente recuperados, a salvo da amnésia do clico de notícias (Graves, 2007). &lt;br /&gt;Por último, relacionando-se com a fixação, está a capacidade que os blogues têm de contrapor ou confrontar factos. Os blogues têm uma muito maior liberdade editorial que lhes permite fazer uma análise das notícias, que os jornalistas normalmente não fazem, devido a certos constrangimentos, como o cumprimento de prazos, a necessidade de parecerem objectivos, terem de escrever para um espaço limitado e outros que tais.&lt;br /&gt;Embora estas mais-valias não sejam exclusivas dos blogues, nem sejam uma lista definitiva, dão-nos já uma boa base para entender por que é que os blogues são como são e quão claramente este novo género reflecte as características tecnológicas que o suportam (Graves, 2007).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;7.Blogging: Jornalismo Pós-Moderno?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sua pesquisa, Melissa Wall percebeu que globalmente muitos dos blogues parecem estabelecer diferentes convenções para a sua construção das notícias. Quando comparados com o jornalismo tradicional, os blogues sugerem uma forma modificada das notícias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Voz&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Com excepção dos colunistas, a voz tradicional de um jornalista profissional é desconectada, neutra e conta os dois lados da estória. Espera-se que o jornalista não se envolva nas suas estórias. No caso dos bloggers, a sua voz é personalizada, opinativa e, muitas vezes, parcial (Wall, 2005).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Audiências&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em termos de audiências o papel tradicional é o de receptores passivos. Já nos blogues, muitas vezes as audiências são convidadas a contribuir com informação, comentários e algumas vezes a contribuir com suporte financeiro (Wall, 2005).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Forma&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quanto à forma das estórias que são contadas nos blogues também difere. As estórias “mainstream” seguiram durante décadas certas fórmulas estruturais, tais como a pirâmide invertida. Os textos eram fechados com o sentido de não deixarem abertura a múltiplas interpretações e as audiências não eram encorajadas a relacionar aquela estória com outras reportagens. Com os blogues a forma da estória alterou-se para um fragmento, que muitas vezes é incompleto, sem seguir uma ligação e, assim, parece nunca estar concluída. Alguém pode ler um fragmento, seguir um link para a notícia original, mas também pode explorar outros sites, voltar para comentar ou simplesmente deixar o texto aberto (Wall, 2005).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Credibilidade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Uma das principais características do jornalismo, a credibilidade, é ganha no caso dos blogues de maneira muito diferente da tradicional no caso dos jornalistas. Enquanto os media tradicionais estabelecem um padrão de rotinas para criar a sensação de dependência, os blogues invocam a sua distância do poder para criação de credibilidade. Muitos destes blogues invertem completamente a sabedoria tradicional no que a isto diz respeito. Quanto mais personalizado e aberto a opiniões um blogue é, mais confiável e credível ele parece ser. Um estudo realizado sobre leitores de blogues noticiosos sugere que estes são visitados precisamente porque os leitores acreditam serem mais credíveis do que os media tradicionais (Kayes e Johnson, 2004).&lt;br /&gt;Outro factor que contribui para a percepção de credibilidade é a própria relação que os blogues têm com as suas audiências. Enquanto os media tradicionais vêem os seus leitores como clientes que passivamente recebem o seu produto, os bloggers vêem as suas audiências como apoiantes e mesmo como seus pares. Com a controvérsia relacionada com a guerra do Iraque não é de estranhar que as pessoas quisessem falar sobre o assunto (Kayes e Johnson, 2004). &lt;br /&gt;Esta participação dos cidadãos, que os torna de certa forma co-autores dos conteúdos dos blogues, pode mesmo vir a mudar a estrutura daquilo que é considerado notícia (Wall, 2005). Isto vai ao encontro das previsões quanto ao futuro da comunicação, em que os consumidores iriam participar na criação daquilo que iriam consumir (Rheingold, 2002).&lt;br /&gt;No entanto, no seu estudo Wall acaba por chegar à conclusão que enquanto alguns observadores escreviam sobre novas formas de notícias, tais como o jornalismo pós-moderno consistir em pequenas estórias, o que ela encontrou assemelha-se mais a fragmentos. Enquanto muitos blogues cultivam a sensação de que são “outsiders” relativamente aos media corporativos, ironicamente, na maior parte das vezes não utilizam reportagens independentes, suportando-se nos media tradicionais para muito daquilo que publicam.&lt;br /&gt;Outras das conclusões, também irónica, é que os hyperlinks utilizados nos blogues para dar outro formato à estória e para lhe dar credibilidade, vêm amplificar muito o alcance da publicação original no site dos media tradicionais, pois esta é reproduzida pelos bloggers e por outros media online. Os sites dos media tradicionais, que não encorajam os leitores a sair do seu site, não dedicariam com certeza grande parte das suas páginas à colocação de hyperlinks para outros sites. Onde os bloggers promovem redes sociais, os media tradicionais são mais levados a colocar conteúdos comerciais.&lt;br /&gt;Assim, parece existir aqui alguma forma de jornalismo pós-moderno: um que desafia o controlo da informação por elites e que questiona a legitimidade das notícias tradicionais, que consiste não tanto em grandes narrativas, mas em pequenos pedaços de uma estória, que é reproduzida nos blogues. As notícias são produtos sociais que reflectem os valores do seu contexto. Tal como outros períodos lançaram outros desafios ao jornalismo tradicional (como é o caso do Novo Jornalismo), o jornalismo pós-moderno é um produto de várias mudanças sociais, talvez mais evidentes, devido à ocorrência da guerra do Iraque que parece ter agravado o aparecimento de formas alternativas de notícias (Wall, 2005).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;8.Blogues de Guerra&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na origem dos chamados “blogues noticiosos” estiveram os “blogues de guerra”. &lt;br /&gt;Muitos destes blogues apareceram no clima político polarizado depois do 11 de Setembro de 2001, passando os weblogs a focar-se também nos media e nos políticos, levando as notícias relacionadas com o ataque ao World Trade Center e com a invasão do Iraque a uma audiência mais vasta (Matheson, 2004).&lt;br /&gt;Várias análises sugerem que estes blogues são um novo género de jornalismo que enfatiza a personalização, a participação das audiências na criação de conteúdos e a forma das estórias, que são fragmentadas e interdependentes de outros websites. Estas características sugerem uma mudança da abordagem moderna do jornalismo tradicional em direcção a uma nova forma de jornalismo infundida em sensibilidades pós-modernas (Wall, 2005).&lt;br /&gt;O início da guerra do Iraque, na Primavera de 2003 é um momento crítico para a análise dos blogues, devido à importância das notícias em tempos de guerra. Os media, durante estes períodos tornam-se menos críticos do governo e de acções militares e mais propensos a repetir “propaganda” governamental (Knightley, 2004; Tumber e Palmer, 2004). Este facto abriu espaço para outros meios de comunicação oriundos do estrangeiro, desde a imprensa britânica aos bloggers, levarem um grande número de americanos a procurarem na Web notícias sobre a guerra (Kayes e Johnson, 2004; Pew Center for Internet Studies, 2003). A resposta destes blogues à procura de informação que aumentou nos Estados Unidos com a invasão do Iraque, levou alguns observadores a caracterizarem este segundo conflito entre os dois países como a “primeira guerra na Internet” (Kurtz, 2003).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;9.Importância do &lt;em&gt;Samizdat&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa reflexão sobre se os bloggers são jornalistas, fazer uma abordagem apenas ao panorama ocidental e democrático seria bastante restritivo. Svetlana V. Kulikova, investigadora de comunicação de massas na Universidade Estadual do Lousiana, e David P. Perlmutter, investigador da Universidade do Kansas, fizeram, em 2007, um estudo que avaliou o impacto e a importância do blogue de advocacia, Akaevu.net, directamente ligado à “Revolução das Túlipas”, no Quirguistão. &lt;br /&gt;O estudo avaliou até que ponto os blogues samizdat (não oficiais) serviram de fontes de informação oposta para os cidadãos daquele país, bem como para observadores internacionais, e quais as evidências dos efeitos dos blogues samizdat em eventos políticos, tais como o do caso analisado.&lt;br /&gt;Estes investigadores chegaram à conclusão que o blogue se tornou de facto uma fonte de informação rica e única não disponível através de outras fontes locais ou dos media mundiais. Os blogues samizdat podem servir para incitar ou suster a democratização em países do Terceiro Mundo, mesmo aqueles que atravessam um desenvolvimento económico desigual.&lt;br /&gt;Várias versões dos acontecimentos foram relatadas sobre a “Revolução das Túlipas”, quando o presidente Askar Akayev fugiu do país que governara durante catorze anos, depois de uma série de protestos públicos. Apareceu a versão dos media ocidentais, a versão da media pro-governo e a versão da imprensa dos países vizinhos. Neste contexto, os meios de comunicação domésticos do Quirguistão não sabiam o que informar, acabando por recorrer a fontes de informação alternativas, como a Internet.&lt;br /&gt;No Quirguistão as vozes da oposição tinham apenas dois jornais, pelo que muita da “campanha” anti-governamental era feita através da Internet. No entanto, muitos dos sites existentes foram bloqueados durante as eleições parlamentares de 2005.&lt;br /&gt;Samizdat era o nome dado, na era soviética, aos escritos não oficiais e auto-publicados da oposição. Hoje muita desta literatura é publicada através da Internet. Com o bloqueio dos dois sites Gazeta.kg e Kyrgyz.us, o Akaevu.net foi criado como solução temporária. Começou a operar apenas um dia antes da revolução, a 23 de Março de 2005, e a sua função era dar informação minuto a minuto sobre a situação política no Quirguistão.&lt;br /&gt;O blogue era “alimentado” por compilações de materiais recolhidos noutros sites, pela media internacional, pela media do Quirguistão que cobria eventos locais, pela media russa e por materiais produzidos pelo próprio grupo de advocacia. Foi o primeiro site a noticiar a libertação de Felix Kulov, um dos principais opositores ao regime, com 30 minutos de avanço em relação à sua primeira aparição na televisão. Em termos de audiência, era sobretudo, estudantes a viver no estrangeiro, jornalistas, investigadores políticos e outros peritos, que falassem russo. No dia 4 de Abril, o blogue deu por findada a sua missão: “hoje podemos dizer que certamente não há mais lugar para nenhum Akayev na vida política do Quirguistão”. &lt;br /&gt;Kulikova e Perlmutter concluíram que o blogue Akaevu.net, mesmo com uma curta vida, de apenas um mês, contribuiu de facto para a cobertura da “Revolução das Túlipas” na Internet. Cumpriu, assim, a sua missão como solução temporária para fazer face à tentativa das forças pro-governamentais de travar o fluxo de informação dos sites da oposição. Um caso como estes sugere que um regime de “democracia controlada” talvez não tenha forma de controlar o único verdadeiro meio de comunicação livre, a Internet, pelo menos com os meios existentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;10.Conclusão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como comecei por dizer, não é fácil responder à questão colocada. Vários são os investigadores que já se debruçaram sobre o tema, sob várias perspectivas e aqui tentei deixar algumas. &lt;br /&gt;Ser blogger, só por si, não é ser jornalista. Existem várias espécies de blogues e a única que se poderia sobrepor à função do jornalismo é o blogue de conteúdos noticiosos. No entanto, na maioria dos casos, estes blogues mais não fazem do que comentar ou ligar informação recolhida em meios de comunicação tradicionais. Jornalista não é aquele que dá as notícias, é também aquele que descobre as notícias. Neste aspecto os bloggers falham, porque, na maioria dos casos, não são eles que descobrem as notícias. Existe ainda o facto de as organizações noticiosas terem construído a sua credibilidade ao longo do tempo e segundo critérios que são aceites pelas audiências. Se alguém quer obter informação, a veracidade e exactidão desta é crucial. Como escreve Helena de Sousa Freitas, jornalista e investigadora, seria preocupante se a crença de que a ausência de um editor não é sinónimo de prejuízo da credibilidade, mas uma garantia da inexistência de censura.&lt;br /&gt;Umas das questões que se impõe é a de saber se os próprios bloggers querem ser jornalistas e verifica-se que, apesar de alguns se identificarem com a profissão, muitos outros querem apenas exercer uma actividade paralela à sua, que lhes permita intervir e gerar a discussão pública de assuntos do seu interesse.&lt;br /&gt;Existe ainda a própria classificação de jornalista, que é dada no nº1 do artigo 1.º do Estatuto do Jornalista: “são considerados jornalistas aqueles que, como ocupação principal, permanente e remunerada, exercem funções de pesquisa, recolha, selecção e tratamento de factos, notícias ou opiniões, através de texto, imagem ou som, destinados a divulgação informativa”. Esta definição exclui, à partida, os bloggers, pois não exercem a actividade a tempo inteiro e não são remunerados, embora neste último caso, o facto de existir publicidade nos blogues já possa contribuir de alguma forma para o conceito de actividade remunerada.&lt;br /&gt;No entanto, existem excepções, como aconteceu no caso do blogue “Do Portugal Profundo”, de António Balbino Caldeira, professor universitário. Ao ser arguido num processo por ter colocado no seu blogue informações sobre o processo Casa Pia, cuja difusão a Justiça decidira manter interdita, viu durante a sentença que o absolveu a 14 de Novembro de 2005, o seu blogue ser considerado um meio de comunicação social, ao contrário do que ele próprio alegara: “pode ser já considerado um meio de comunicação social, ainda que tenha surgido como um meio de comunicação personalizada, uma vez que permite a comunicação em massa, bastando, para tal, o acesso à net” (Freitas, 2005; Caldeira, 2005).&lt;br /&gt;Uma profissão que tem vindo a evoluir desde o final do século XIX não deixará de existir, nem será substituída por outra. Talvez mude de forma, talvez recorra a outros meios ou a outras fontes, mas a essência é a mesma.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;11.Bibliografia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kulikova, Svetlana V. and Perlmutter, David D., Blogging Down the Dictator? The Kyrgyz Revolution and Samizdat Websites, International Communication Gazette 2007; 69; 29&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graves, Lucas, The Affordances of Blogging: A Case Study in Culture and Technological Effects, Journal of Communication Inquiry 2007; 31; 331&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reese, Stephen D.; Rutigliano, Lou; Hyun, Kideuk and Jeong, Jaekwan, Mapping the blogosphere: Professional and citizen-based media in the global news arena, Journalism 2007; 8; 235&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brown, Derek, Joe Blog’s turn, British Journalism Review 2006; 17; 15&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lowrey, Wilson, Mapping the journalism–blogging relationship, Journalism 2006; 7; 477&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ojala, Marydee, Blogging: For knowledge sharing, management and dissemination, Business Information Review 2005; 22; 269&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lawson-Borders, Gracie and Kirk, Rita, Blogs in Campaign Communication, American Behavioral Scientist 2005; 49; 548&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wall, Melissa, ‘Blogs of war’: Weblogs as news, Journalism 2005; 6; 153&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MacDougall, Robert, Identity, Electronic Ethos, and Blogs: A Technologic Analysis of Symbolic Exchange on the New News Medium, American Behavioral Scientist 2005; 49; 575&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matheson, Donald, Negotiating Claims to Journalism: Webloggers' Orientation to News Genres, Convergence 2004; 10; 33&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deuze, Mark, The Web and its Journalisms: Considering the Consequences of Different Types of Newsmedia Online, New Media Society 2003; 5; 203&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Freitas, Helena de Sousa, Sigilo Profissional em Risco, MinervaCoimbra (2006)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-7470937740308958315?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/7470937740308958315/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=7470937740308958315' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/7470937740308958315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/7470937740308958315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2010/02/os-bloggers-sao-jornalistas.html' title='Os Bloggers são Jornalistas?'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-846298548345327514</id><published>2009-11-11T12:11:00.003Z</published><updated>2009-11-11T12:26:24.458Z</updated><title type='text'>Sessões des(contínuas)</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ligxamYXiVg/SvqqumXjdfI/AAAAAAAAAUI/wK-Xp0CVrU0/s1600-h/tribunal.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 225px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ligxamYXiVg/SvqqumXjdfI/AAAAAAAAAUI/wK-Xp0CVrU0/s320/tribunal.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5402818420534375922" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crónica publicada no livro &lt;a href="http://planetamarcia.blogs.sapo.pt/74504.html"&gt;As Extraordinárias Aventuras da Justiça Portuguesa&lt;/a&gt;, de Sofia Pinto Coelho e na editora online &lt;a href="http://sexoforte.net/mulher/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=573:sessoes-descontinuas-de-um-tribunal&amp;catid=85:escrivaninha&amp;Itemid=117"&gt;Sexo Forte&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Quem entrasse na sala de tribunal via que eram só dois ou três gatos-pingados sentados lá no fundo, nos bancos de pau a imitar os de uma igreja. Só faltavam os genuflexórios agarrados aos bancos da frente. A sala era grande. Em frente à porta, uma parede atravessada por uma fila de janelas permitia a entrada da luz do dia. Do lado direito estavam umas mesas de madeira situadas alguns centímetros acima do nível dos pés. Mais abaixo, outra mesa com um computador quase tão velho como a madeira, perfeitamente integrado no resto da decoração, especialmente concebida para conferir ao espaço um ar antiquado, de tempos passados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em passo apressado, fui sentar-me perto de quem já lá estava. Voltei-me para trás e pedi alguns esclarecimentos:&lt;br /&gt;- Já começou há muito tempo?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Vai haver vários julgamentos, não é?&lt;br /&gt;- Sim. São sessões contínuas.&lt;br /&gt;- São jornalistas?&lt;br /&gt;- Não, polícias. Somos testemunhas num processo. Mas, até ser o nosso, podemos assistir aos outros julgamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou um jovem na sala. Com ar descontraído, sentou-se na primeira fila. De seguida entrou uma jovem. Esta, um pouco mais agitada. Aproximou-se da mesa do meio, estendeu a mão e apertou a da senhora loira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe quem são? - Perguntou-me um dos polícias.&lt;br /&gt;- Faço uma ideia.&lt;br /&gt;- À esquerda, é a Procuradora do Ministério Público.&lt;br /&gt;- A acusação? &lt;br /&gt;- Sim. Ao meio…&lt;br /&gt;- É a juíza.&lt;br /&gt;- Em baixo é o escrivão e à direita a advogada de defesa. Na primeira fila está o arguido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uma expressão benevolente, a juíza começou o julgamento. Nome, data de nascimento, naturalidade, profissão, estado civil, número de filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que chamou aos agentes?&lt;br /&gt;- Nada. Nada mesmo. Isso não aconteceu.&lt;br /&gt;- Não foi preso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou um homem de roupa desportiva e colar de missangas ao pescoço. Era um dos agentes da PSP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi testemunha e ofendido?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- Onde aconteceu?&lt;br /&gt;- Na zona J. &lt;br /&gt;- Qual a razão da abordagem?&lt;br /&gt;- Não abordámos. O Sr. Ernesto ausentou-se do local.&lt;br /&gt;- Qual foi o motivo?&lt;br /&gt;- Estávamos de patrulha e ouvimos impropérios. Se me permitir posso dizê-los.&lt;br /&gt;- Permito. Tem de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tapei os ouvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ainda se sente ofendido?&lt;br /&gt;- Sim…&lt;br /&gt;- Foram no encalço dele?&lt;br /&gt;- Atravessámos a artéria. O Sr. E apercebeu-se de que o íamos abordar e fugiu, continuando com os impropérios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encalço, artéria, abordagem, impropérios… A advogada olhava com ar intrigado. A acusação resolveu intervir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Abordaram-nos sem nenhuma razão?&lt;br /&gt;- Sim. Íamos a passar e começaram-nos a injuriar sem razão.&lt;br /&gt;- Mas a que propósito?&lt;br /&gt;- Não faço a mínima ideia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso afigurava-se difícil. Alguém de um bairro “desfavorecido”de Lisboa tinha chamado nomes às autoridades. Foi a vez de a defesa intervir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Passou-se a que horas?&lt;br /&gt;- Uma e meia da manhã.&lt;br /&gt;- Havia mais pessoas?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- A que distância?&lt;br /&gt;- Não posso precisar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O agente vacilou, mas a advogada não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mais ou menos?&lt;br /&gt;- Vinte, trinta metros.&lt;br /&gt;- Consegue identificá-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Precisa-se da comparência da outra testemunha. A audiência terá de ser adiada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A juíza era uma mulher de gosto refinado. Os punhos brancos que poderiam ter sido do Marquês de Pombal e que teimavam em aparecer, sobrepondo-se às mangas da toga negra, revelavam-no. Comecei a perceber tudo. Não passava de uma questão de estética. O estilo antigo e repassado pelos anos tinha de condizer em toda a linha. Até as palavras eram antigas. E o caso não poderia destoar. Era preciso deixá-lo envelhecer. Venha o próximo!&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-846298548345327514?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/846298548345327514/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=846298548345327514' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/846298548345327514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/846298548345327514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2009/11/sessoes-descontinuas.html' title='Sessões des(contínuas)'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ligxamYXiVg/SvqqumXjdfI/AAAAAAAAAUI/wK-Xp0CVrU0/s72-c/tribunal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-4337337417807463169</id><published>2008-06-15T13:03:00.006Z</published><updated>2008-06-15T14:05:39.638Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Raquel Pacheco'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Televisão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reportagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Programa &quot;Nós&quot;'/><title type='text'>Quando Jovens Ganham Voz</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Dmbzg9Gp8J0&amp;hl=en"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Dmbzg9Gp8J0&amp;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reportagem de Inês Branco para programa televisivo "Nós" (RTP 2, 18/05/2008, domingo, 10h).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre esta reportagem ver também &lt;a href="http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/04/entrevista-com-raquel-pacheco-quando.html"&gt;Entrevista com Raquel Pacheco - Autora da Investigação "Quando Jovens Ganham Voz" - 1ª PARTE&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/04/entrevista-com-raquel-pacheco-autora-da.html"&gt;2ª PARTE&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-4337337417807463169?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/4337337417807463169/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=4337337417807463169' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/4337337417807463169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/4337337417807463169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/06/quando-jovens-ganham-voz.html' title='Quando Jovens Ganham Voz'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-9215125106765918922</id><published>2008-05-01T14:30:00.003Z</published><updated>2008-05-01T14:42:41.719Z</updated><title type='text'>Fernando Pessoa - "O Marinheiro"</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_ligxamYXiVg/SBnV_RZfE1I/AAAAAAAAAMA/HTivJGAWpM4/s1600-h/Fernando_Pessoa.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp3.blogger.com/_ligxamYXiVg/SBnV_RZfE1I/AAAAAAAAAMA/HTivJGAWpM4/s400/Fernando_Pessoa.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195418928127349586" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Está em cena, no Teatro Municipal de Almada, a peça "O Marinheiro", de Fernando Pessoa.&lt;br /&gt;Em parceria com a editora Livros de Areia, foi lançada uma edição  desta obra. A apresentação realizou-se na Casa Fernando Pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta foi a reportagem que fiz para o programa de rádio "Vidas Alternativas". &lt;a href="http://va.vidasalternativas.eu/?p=862"&gt;OUVIR AQUI!!&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/04/o-marinheiro-de-fernando-pessoa.html"&gt;Ler notícia&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-9215125106765918922?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/9215125106765918922/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=9215125106765918922' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/9215125106765918922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/9215125106765918922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/05/fernando-pessoa-o-marinheiro.html' title='Fernando Pessoa - &quot;O Marinheiro&quot;'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_ligxamYXiVg/SBnV_RZfE1I/AAAAAAAAAMA/HTivJGAWpM4/s72-c/Fernando_Pessoa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-5532949012849243186</id><published>2008-04-21T21:17:00.005Z</published><updated>2008-04-21T21:26:15.503Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Raquel Pacheco'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rádio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><title type='text'>Entrevista com Raquel Pacheco -  Autora da Investigação "Quando Jovens Ganham Voz" - 2ª PARTE</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_ligxamYXiVg/SA0FD-hkkSI/AAAAAAAAAL4/nLS-nYfwsaA/s1600-h/PICT3402.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp2.blogger.com/_ligxamYXiVg/SA0FD-hkkSI/AAAAAAAAAL4/nLS-nYfwsaA/s400/PICT3402.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5191811511309603106" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://odeo.com/flash/audio_player_gray.swf" quality="high" width="322" height="54" name="odeo_player_gray" align="middle" allowScriptAccess="always" wmode="transparent"  type="application/x-shockwave-flash" flashvars="type=audio&amp;id=18749823" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" /&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="font-size: 9px; padding-left: 110px; color: #f39; letter-spacing: -1px; text-decoration: none" href="http://odeo.com/audio/18749823/view"&gt;powered by &lt;strong&gt;ODEO&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a segunda parte da entrevista com a investigadora Raquel Pacheco. Desta vez, vai falar-nos da sua teoria da "Juventude Ameaçadora", sobre vários olhares sobre os jovens e sobre culturas juvenis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta entrevista foi transmitida no programa Vidas Alternativas nº119. Para ouvir o programa na íntegra clique &lt;a href="http://va.vidasalternativas.eu/?p=839"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/04/entrevista-com-raquel-pacheco-quando.html"&gt;Ver primeira parte da entrevista.&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-5532949012849243186?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/5532949012849243186/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=5532949012849243186' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/5532949012849243186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/5532949012849243186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/04/entrevista-com-raquel-pacheco-autora-da.html' title='Entrevista com Raquel Pacheco -  Autora da Investigação &quot;Quando Jovens Ganham Voz&quot; - 2ª PARTE'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_ligxamYXiVg/SA0FD-hkkSI/AAAAAAAAAL4/nLS-nYfwsaA/s72-c/PICT3402.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-2035171021370790822</id><published>2008-04-21T01:20:00.004Z</published><updated>2008-04-21T01:36:55.184Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Marinheiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Imprensa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fernando Pessoa'/><title type='text'>O Marinheiro, de Fernando Pessoa</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_ligxamYXiVg/SAvuk-hkkPI/AAAAAAAAALg/_6fkYITCPxA/s1600-h/Fernando+Pessoa.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp0.blogger.com/_ligxamYXiVg/SAvuk-hkkPI/AAAAAAAAALg/_6fkYITCPxA/s400/Fernando+Pessoa.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5191505314501136626" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estreou dia 17 de Abril, no Teatro Municipal de Almada, a peça “O Marinheiro”, de Fernando Pessoa. Em parceria com a Casa Fernando Pessoa, o teatro apresenta ainda obras de várias artistas plásticos inspiradas no poeta português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A peça “O Marinheiro” foi escrita em apenas dois dias e nunca chegou a ser representada na presença do autor. Mesmo hoje, são poucas as encenações desta peça a que Fernando Pessoa subintitulou “drama estático”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Um quarto que é sem dúvida num castelo antigo. Do quarto vê-se que é circular. Ao centro ergue-se, sobre uma mesa, um caixão com uma donzela, de branco. Quatro tochas aos cantos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À direita, quase em frente a quem imagina o quarto, há uma única janela, alta e estreita, dando para onde só se vê, entre dois montes longínquos, um pequeno espaço de mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do lado da janela velam três donzelas. A primeira está sentada em frente à janela, de costas contra a tocha de cima da direita. As outras duas estão sentadas uma de cada lado da janela. É noite e há como que um resto vago de luar.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 18, a editora Livros de Areia, em parceria com a Companhia de Teatro de Almada, lançou a edição de “O Marinheiro”. A apresentação do livro realizou-se na Casa Fernando Pessoa e contou com as presenças de Teresa Rita Lopes, especialista na obra de Fernando Pessoa, de Alain Ollivier, encenador da peça e de Pedro Marques, em representação da Livros de Areia Editores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Teresa Rita Lopes, especialista na obra de Fernando Pessoa &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O Marinheiro tem-me ocupado a vida toda”, declarou aos presentes Teresa Rita Lopes, fazendo de seguida uma apresentação desta obra de Pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Um texto tão pequeno… Cada vez que o leio descubro qualquer coisa nova. Por isso, quando aceitei estar aqui para falar de “O Marinheiro”, li-o outra vez com todo o cuidado, acabando por achar coisas novas. Apraz-me falar sobre ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dedico este fascínio pela peça à minha amiga Teresa Mota, com quem em 1961 encenei a peça Três Fósforos, com Amélia Rey Colaço. Foi censurada pela PIDE e, talvez tenha sido por isso, que fugi para Paris. Esta nova abordagem dedico-a à minha amiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não gosto de abordar Pessoa de uma forma esotérica. Toda a minha vida me tenho recusado a enveredar por isso. Ele (Fernando Pessoa) nunca foi ortodoxo nas suas crenças e essas pessoas que o usam para provar as suas crenças irritam-me”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Circunstância da peça - &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referindo-se à circunstância desta peça, a especialista esclareceu que foi escrita nos dias 12 e 13 de Outubro de 1913. Tem a ver com a propensão de Fernando Pessoa para o oculto, que o levou a experiências de escrita automática e de “mesa de pé de galo”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sempre pensei em não ir por aí. Qualquer obra dedicada a uma crença fica inevitavelmente datada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os simbolistas abriram caminhos. No final do século XIX denunciaram o impasse do teatro. Os simbolistas de língua francesa sonharam o teatro do futuro. O Fernando Pessoa estava a par disto. Maeterlinck recusava todo o teatro naturalista que se fazia na altura. Em 1913, Pessoa comparou-se com Maeterlinck e disse que iria fazer muito melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O verdadeiro teatro descobriu-o em 1914 com a explosão dos heterónimos. O teatro que lhe interessava era o herdeiro do teatro simbolista, recusando os artifícios até aí usados. Inspirado em Hamlet, ele imaginou os heterónimos. São um monólogo prolongado e analítico, imagem de uma personagem de Shakespeare, monologado, sempre só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o teatro tem de ter acção, embora não um conflito, como o naturalista. O teatro como os simbolistas o entreviram. Isto tem a ver com a atracção de Pessoa pelo outro. O que é interessante é que exista em O Marinheiro uma &lt;em&gt;mise-en-scène &lt;/em&gt;espiritual”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lugar desta obra na obra pessoana – &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passando ao lugar que esta peça ocupa na obra pessoana, Teresa Rita Lopes confessou que não é fácil falar de Pessoa sem que nos percamos. “O Marinheiro e Fernando Pessoa são uma “floresta antagónica”, perdemo-nos nos trilhos quando falamos deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta foi uma obra que Fernando Pessoa adoptou durante a vida toda. Escreveu ao João Gaspar Simões, em 1930, a dizer que ainda estava a ser objecto de correcções. O minimalismo é uma coisa que agrada em Pessoa. Tudo está reduzido ao essencial, corta todos os floreados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que Fernando Pessoa ganhou a aposta que fez com Maeterlinck? Comparei esta peça com “Les Aveugles” e constatei que O Marinheiro responde melhor aos preceitos dos simbolistas. Uma palavra-chave dos simbolistas é o “distanciamento”. Distanciamento da realidade. Distanciamento que as personagens, as veladoras, vão procurar durante todo o tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia central da peça é fugir à realidade, que faz com que as personagens pareçam fantasmas ou sonâmbulos. A noção do espaço, do tempo e da linguagem não tem nada a ver com as personagens normais. Maeterlinck não foi tão longe. &lt;em&gt;“Um quarto que é sem dúvida num castelo antigo”&lt;/em&gt; põe-nos logo em dúvida. Pode ser ali como pode ser noutro sítio qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pessoa conseguiu evitar uma coisa que o Maeterlinck não conseguiu evitar, a alegoria. Pessoa nunca faz isto. Este quarto circular é fora do espaço e do tempo – &lt;em&gt;“ainda não deu hora nenhuma” &lt;/em&gt;-  percebemos logo que não estamos no mundo dos vivos. Distanciamo-nos da acção o mais possível. As veladoras são todas a mesma, não se distinguem. Ali não há conflito. Elas ajudam-se, são solidárias em fugir à vida, no criar o sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do “drama estático”, Fernando Pessoa pôs-lhe outro título – teatro de êxtase – essa tal ascese que encontramos também em “Salomé” (“O Marinheiro”, “Diálogo No Jardim do Palácio” e “Salomé” foram todas obras escritas por Pessoa em 1913). Elas, as veladoras, agem para fugir à vida, para criar um sonho. Há uma que se destaca, que é a que conta a história do marinheiro. Há uma luta entre essa necessidade, essa proposta que fazem umas às outras de fugir à vida – &lt;em&gt;“Não rocemos pela vida nem a orla das nossas vestes...”&lt;/em&gt; – ganham asas e nas asas do sonho elas levitam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A oposição é entre a vida e o sonho. Existe a vida, porque esta vida equivale à morte. Álvaro de Campos (um dos heterónimos de Pessoa) diz que temos duas vidas – a verdadeira, que sonhamos em criança, e a falsa, a prática. Morre-se, porque não se sonha bastante. Elas fogem da vida, como quem foge da morte. Viver esta vida ao rés-do-chão equivale a morrer. Por outro lado, elas querem esta vida. &lt;em&gt;“Na vida aquece ser pequeno”&lt;/em&gt; – o que assistimos ao longo da peça é a hesitação entre querer fugir da vida e um ritual (toda a peça é um ritual, um acto mágico) em que, através do sonho, elas querem voltar ao Eu Primordial, ao Ser Lar. Ser Lar é Deus. Fernando Pessoa é completamente heterodoxo nas suas crenças – “Creio ou quase creio”. Isto faz com que nunca tenha sido um fanático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa dada altura da peça elas dizem &lt;em&gt;“Tenho um medo disforme de que Deus tivesse proibido o meu sonho...” &lt;/em&gt;e falam do frio, esse frio que chega dessas tais regiões isoladas e, por isso, querem o conforto da vida. Este sonho das veladoras é muito complexo. Por um lado, conseguem levantar voo nas asas do sonho, sonhando o seu passado, um sonho divinatório. Trata-se de um perfeito fenómeno de regressão (Pessoa escreveu “não há comunicação directa com Deus, Ser Lar”), em que elas tentam cumprir as etapas que levam ao encontro de si próprias. Mas se permite esta regressão, por outro lado, projecta-nos para o futuro, porque é criador. Depois de sonharem colectivamente o marinheiro descobrem o seu poder – &lt;em&gt;“Por que não será a única coisa real nisto tudo o marinheiro, e nós e tudo isto aqui apenas um&lt;br /&gt;sonho dele?...”&lt;/em&gt;. Elas criam o marinheiro e ele cria outra terra natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta hesitação entre Céu e Terra é a única acção da peça. Opõe-se à criação das ruas da terra natal do marinheiro, que se assemelha à génese bíblica – &lt;em&gt;“Ao princípio ele criou as paisagens, depois criou as cidades; criou depois as ruas e as travessas, uma a uma, cinzelando-as na matéria da sua alma”. &lt;/em&gt;Às vezes chegamos a ter a sensação que as veladoras são médiuns – &lt;em&gt;“Que voz é essa com que falais?... É de outra... Vem de uma espécie de longe..."&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final as perguntas que se colocam são: “Quem é, afinal, o marinheiro” e “O que é a morte?”. O marinheiro talvez seja o próprio Fernando Pessoa. Ele tinha um grande patriotismo em relação à beleza da língua portuguesa. Assim, a verdadeira pátria do marinheiro é a Língua Portuguesa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morte é algo que está presente em toda a peça. Sem a consciência da morte não há peça. O tempo é a morte, como pode ser entendido nas palavras de uma das veladoras - &lt;em&gt;“…Velamos as horas que passam…”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alain Ollivier, encenador da peça&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sua intervenção Alain Ollivier esclareceu que para falar sobre o seu interesse pelo “Marinheiro” é necessário dizer que não foi o primeiro a montar esta peça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Hoje, Fernando Pessoa tem uma reputação internacional. Fiquei muito impressionado com a sua natureza explosiva. Faço um paralelismo com o teatro simbolista francês. Este tipo de teatro surgiu na última década no século XIX  (Maurice Maeterlinck). Existiam peças de teatro super-realistas e medíocres. O teatro simbolista surgiu neste contexto. Pode fazer-se uma correlação entre o teatro simbolista e o teatro de Fernando Pessoa, com pequenos tormentos, com um realismo depressivo. É muito político.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Marinheiro fala de inspiração poética. Permite conhecer de onde vem a inspiração de Fernando Pessoa, que com 24 anos escreveu esta peça em dois dias. Mostra-nos a sua intuição, a sua visão daquilo que viria a ser a sua vida de artista, de tormento e de sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final agradeceu ao director da Companhia de Teatro de Almada. “Não poderia recusar o convite de Joaquim Benite, porque também achei interessante a encenação, a compreensão do que é a encenação. Escrever uma peça não é explorar uma situação, uma vivência… Não é só fazer um diálogo. É necessário um imaginário animado por um pensamento, uma ideologia, um pensamento analítico, um pensamento que tenha forma.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pedro Marques, Livros de Areia Editores&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro Marques agradeceu à Companhia de Teatro de Almada a lembrança de ter contactado a sua editora há cerca de dois anos. “Não é um projecto inovador. Outras companhias já nos convidaram para editar teatro. Isto é ir contra-corrente. Não é um trabalho que faça como especialista. Não sou especialista em textos dramáticos, mas trata-se de uma companhia muito sólida, que escolhe textos muito bons. Desde esse contacto que já editámos sete a oito livros. São textos muito interessantes".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alain Ollivier foi director do Théâthre Gérard Phillipe de Saint-Denis e apresentou, em 2006, na Sala Experimental do TMA a sua encenação de “O Marinheiro”, protagonizado pela actriz francesa Anne Alvaro. Deste espectáculo surgiu o convite para Allain Ollivier voltar a dirigir o “drama estático” de Fernando Pessoa, numa produção da Companhia de Teatro de Almada, com um elenco de três actrizes portugueses, protagonizado por Teresa Gafeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em cena No TMA, até 18 de Maio, a peça “O Marinheiro”, de Fernando Pessoa. &lt;a href="http://bp0.blogger.com/_ligxamYXiVg/SAvu9-hkkQI/AAAAAAAAALo/3KjfRMVWrkE/s1600-h/cta_logo_100px.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp0.blogger.com/_ligxamYXiVg/SAvu9-hkkQI/AAAAAAAAALo/3KjfRMVWrkE/s200/cta_logo_100px.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5191505743997866242" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.ctalmada.pt"&gt;Companhia de Teatro de Alamada&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.livrosdeareia.com"&gt;Livros de Areia Editores&lt;/a&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_ligxamYXiVg/SAvvnuhkkRI/AAAAAAAAALw/VfDd03NdeuA/s1600-h/LA_logo_cor.gif"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp3.blogger.com/_ligxamYXiVg/SAvvnuhkkRI/AAAAAAAAALw/VfDd03NdeuA/s200/LA_logo_cor.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5191506461257404690" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-2035171021370790822?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/2035171021370790822/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=2035171021370790822' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/2035171021370790822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/2035171021370790822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/04/o-marinheiro-de-fernando-pessoa.html' title='O Marinheiro, de Fernando Pessoa'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_ligxamYXiVg/SAvuk-hkkPI/AAAAAAAAALg/_6fkYITCPxA/s72-c/Fernando+Pessoa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-25298052870484976</id><published>2008-04-15T22:58:00.011Z</published><updated>2008-04-21T21:24:40.338Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Raquel Pacheco'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rádio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><title type='text'>Entrevista com Raquel Pacheco -  Autora da Investigação "Quando Jovens Ganham Voz" - 1ª PARTE</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_ligxamYXiVg/SAfLYmcCSwI/AAAAAAAAALY/cMZ_bOzdfQU/s1600-h/PICT3403.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp1.blogger.com/_ligxamYXiVg/SAfLYmcCSwI/AAAAAAAAALY/cMZ_bOzdfQU/s400/PICT3403.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5190340719063223042" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://odeo.com/flash/audio_player_gray.swf" quality="high" width="322" height="54" name="odeo_player_gray" align="middle" allowScriptAccess="always" wmode="transparent"  type="application/x-shockwave-flash" flashvars="type=audio&amp;id=18715633" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" /&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="font-size: 9px; padding-left: 110px; color: #f39; letter-spacing: -1px; text-decoration: none" href="http://odeo.com/audio/18715633/view"&gt;powered by &lt;strong&gt;ODEO&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é uma entrevista realizada a Raquel Pacheco acerca do seu trabalho de investigação-acção desenvolvido durante a tese de mestrado "Quando Jovens Ganham Voz". Trata-se de uma pesquisa etnográfica sobre media e culturas juvenis. O projecto foi realizado com estudantes "problemáticos" de uma escola de Lisboa e enquadra-se na linha de orientação do projecto Crianças e Jovens em Notícia do Centro de Investigação Media e Jornalismo, que procura identificar, compreender e analisar os modos e formas de recepção de crianças e jovens em relação aos media.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira parte da entrevista foi transmitida no programa Vidas Alternativas nº118. Para ouvir o programa na íntegra clique &lt;a href="http://va.vidasalternativas.eu/?p=823"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/04/entrevista-com-raquel-pacheco-autora-da.html"&gt;Ver segunda parte da entrevista.&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-25298052870484976?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/25298052870484976/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=25298052870484976' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/25298052870484976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/25298052870484976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/04/entrevista-com-raquel-pacheco-quando.html' title='Entrevista com Raquel Pacheco -  Autora da Investigação &quot;Quando Jovens Ganham Voz&quot; - 1ª PARTE'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_ligxamYXiVg/SAfLYmcCSwI/AAAAAAAAALY/cMZ_bOzdfQU/s72-c/PICT3403.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-1523849077740175602</id><published>2008-04-06T14:05:00.004Z</published><updated>2008-04-06T14:30:53.447Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rádio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='caso do telemóvel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dá-me o telemóvel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opinião'/><title type='text'>Dá-me o telemóvel!!</title><content type='html'>Excerto de uma intervenção para o programa Vidas Alternativas, em que dou a minha opinião sobre o caso da aluna, da professora e do telemóvel. Não me pronuncio sobre as atitudes da aluna e da professora, mas sim sobre o papel dos meios de comunicação social neste caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://odeo.com/flash/audio_player_gray.swf" quality="high" width="322" height="54" name="odeo_player_gray" align="middle" allowScriptAccess="always" wmode="transparent"  type="application/x-shockwave-flash" flashvars="type=audio&amp;id=18022863" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" /&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="font-size: 9px; padding-left: 110px; color: #f39; letter-spacing: -1px; text-decoration: none" href="http://odeo.com/audio/18022863/view"&gt;powered by &lt;strong&gt;ODEO&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-1523849077740175602?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/1523849077740175602/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=1523849077740175602' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/1523849077740175602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/1523849077740175602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/04/d-me-o-telemvel.html' title='Dá-me o telemóvel!!'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-533548242189223699</id><published>2008-03-24T22:32:00.006Z</published><updated>2008-04-17T22:23:14.116Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ana Luísa Rodrigues'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><title type='text'>Entrevista com Ana Luísa Rodrigues - Autora do livro "Aos Olhos do Mundo Portugal e os Portugueses Retratados por Correspondentes Estrangeiros"</title><content type='html'>&lt;embed src="http://odeo.com/flash/audio_player_gray.swf" quality="high" width="322" height="54" name="odeo_player_gray" align="middle" allowScriptAccess="always" wmode="transparent"  type="application/x-shockwave-flash" flashvars="type=audio&amp;id=17898383" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" /&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="font-size: 9px; padding-left: 110px; color: #f39; letter-spacing: -1px; text-decoration: none" href="http://odeo.com/audio/17898383/view"&gt;powered by &lt;strong&gt;ODEO&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_ligxamYXiVg/R-guXwp3hMI/AAAAAAAAAKI/OKNsTJuy6fg/s1600-h/Livro.JPG"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp0.blogger.com/_ligxamYXiVg/R-guXwp3hMI/AAAAAAAAAKI/OKNsTJuy6fg/s320/Livro.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5181442357022131394" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ana Luísa Rodrigues é jornalista na RTP há dez anos e acabou de publicar um livro baseado na sua tese de mestrado, “Aos Olhos do Mundo Portugal e os Portugueses Retratados por Correspondentes Estrangeiros”.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Por que é que decidiu investigar esta comunidade?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AL: Especificamente esta, porque apesar de ser uma comunidade discreta de correspondentes, são eles que têm a missão por profissão de analisar a sociedade portuguesa, traçar retratos, de noticiá-la. Dão contributos para formar a imagem de Portugal nas opiniões públicas internacionais. A imagem de Portugal lá fora depende em parte do trabalho destes correspondentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O facto de serem estrangeiros, de virem de outros países, possibilita-lhes ver com mais precisão alguns traços distintivos, características da sociedade portuguesa e dos portugueses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Como é que surgiu esta comunidade e como é que a caracteriza?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AL: 1974 foi uma espécie de ano zero, o ano de abertura de Portugal ao noticiário internacional e aos correspondentes. Já havia alguns correspondentes antes do 25 de Abril, mas eram muito poucos. Há uma correspondente, a Martha De La Cal, que está cá desde 1967 e a Marvine Howe, uma outra correspondente americana. O grande “boom” foi com a chegada da democracia e com a abertura de Portugal à imprensa internacional. Nos anos de 74/75 Portugal estava no topo da actualidade. Era muito normal ver-se capas de revistas, manchetes de jornais, como o Le Monde, a Time, o New york Times ou o Times com notícias sobre o processo revolucionário português. Havia muito interesse da comunidade internacional em relação ao que se passava em Portugal, o que se reflectia quer na chegada de correspondentes que estavam aqui sedeados, quer em enviados especiais que iam e vinham ver o processo revolucionário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma fase de grande expansão, foi a altura em que Portugal mais cativou correspondentes e enviados da imprensa estrangeira. A partir do 25 de Novembro dá-se uma quebra do interesse noticioso relativamente a Portugal e nos anos 70, mas sobretudo nos anos 80, houve uma progressiva redução no número de correspondentes, com a estabilização do processo político português. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante os anos 80 houve o renascer de outros interesses. Apesar de ter havido esse pico em 74/75 e depois uma progressiva redução, é possível perceber que há vagas de nacionalidades. Por exemplo, nos anos 80, apesar de já haver muito menos correspondentes, são anos em que chegaram muito correspondentes do Brasil, sobretudo na segunda metade, a partir da entrada de Portugal na União Europeia. Nos anos 90 há bastantes correspondentes de países africanos, dos PALOP, e desde há uns quatro ou cinco anos para cá tem havido uma espécie de onda espanhola, de mulheres, jovens jornalistas, que vêm para trabalhar em Portugal e se tornam correspondentes e, neste momento, em termos numéricos a comunidade ronda mais ou menos os 50 correspondentes estrangeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Existe alguma razão para que escolham Portugal?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AL: O interesse de Portugal é muito limitado. Não se compara com o interesse que suscita uma França ou uma Inglaterra. Relativamente a Portugal é muito claro, se analisarmos do ponto de vista de nacionalidades, as mais representadas são a espanhola e a brasileira e, depois, os PALOP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Existe ainda hoje um espírito de comunidade. É muito diferente o que existe hoje daquele que existia na altura do 25 de Abril?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AL: Eu acho que existe um espírito de comunidade, até porque sendo uma comunidade pequena mais ou menos toda a gente se conhece. Há a Associação da Imprensa Estrangeira, que existe desde 1976 e que é uma espécie de instituição aglutinadora, que dá uma certa forma e identidade à comunidade. Isso faz com que haja um sentir comum, um sentir de comunidade, mesmo que não se vejam todos os dias. Hoje em dia, com as facilidades do ponto de vista tecnológico, as pessoas ficam mais fechadas sobre si próprias. Não há tanta necessidade de ir à sala de imprensa estrangeira do Palácio Foz, como havia nos anos 70 e 80, em que para se saber qualquer coisa do que acontecia, receber faxes, telexes tinha de se ir ao Palácio. Hoje os correspondentes têm muito mais independência, porque a informação é veiculada por outros meios e, portanto, apesar de haver um afastamento físico uns dos outros, há um certo sentido de comunidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comparativamente ao que havia no 25 de Abril, nota-se na comunidade que há uma diferença de sentires relativamente aos retratos que traçam de Portugal. Há as pessoas que têm a memória muito marcada do 25 de Abril e do processo revolucionário, que viveram cá nessa altura, quer enquanto correspondentes, quer enquanto jovens. Essas pessoas têm uma visão de Portugal e do próprio exercício do jornalismo também um pouco diferente das pessoas que não viveram essa época e que chegaram a Portugal nos anos 90 ou já depois. No retrato que passam de Portugal existe bastante concordância. Não sendo unânimes as , mais ou menos todos os correspondentes de várias idades e de várias nacionalidades têm uma visão mais ou menos comum sobre a sociedade portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Que visão é essa? Qual a impressão com que ficam quando chegam a Portugal?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AL: Relativamente ao retrato que fazem de Portugal e dos portugueses, Portugal é um país bastante contrastante, existem traços que coexistem. Existem traços de arcaísmo marcado, coisas bastante arcaicas, situações que estão bastante abaixo dos padrões europeus, nomeadamente, os problemas na educação, a questão da burocracia, a questão das estradas com buracos, … Os correspondentes apontam vários exemplos, sobretudo nestes aspectos, de traços que ainda persistem de um Portugal de antigamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas depois, também reparam que, mesmo com estes traços, existem outros traços e outras características de país moderno. Ao mesmo tempo que há traços de arcaísmo e de coisas antiquadas, também existe coisas bastante avançadas. Um correspondente galego, que não levava mais do que três meses aqui em Portugal, dizia “vocês são o país da via verde, que não existe em quase país nenhum do mundo e também são o país das estradas com buracos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, vêem as mudanças que Portugal teve de fazer nos últimos 30 anos, o processo de democratização, a descolonização, a abertura da economia, que no dizer e no sentir dos correspondentes originou esta dualidade de realidades. Um dos correspondentes há mais tempo cá também referia isso, “os dois portugais parapelos”. Parece que há uma coexistência de dois mundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação aos portugueses, falam de traços como a baixa auto-estima, o facto de sermos pouco auto-confiantes, de sermos afáveis no geral, embora os correspondentes de jornais e de órgãos de comunicação dos PALOP não refiram tanto esse lado da afabilidade. Isto, talvez, por fazerem reportagens das comunidades dos PALOP imigrantes em Portugal e de, portanto, não terem tanto essa noção. Também nos consideram um país muito ligado ao formalismo. Um dos correspondentes dizia “vocês são o país dos doutores e engenheiros”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: No livro fala do conceito da “temporalidade suspensa”, o que é isto em relação a Portugal?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;AL: Essa foi uma expressão que tentei arranjar para definir esta ideia do “tempo do suspenso”, que é uma característica importante que os correspondentes apontam. É a ideia de Portugal como o “país do mais ou menos”. No lançamento do livro um correspondente dizia “vocês são o único país que num convite para o lançamento de um livro dizem “esteja no Palácio Foz ‘pelas’ 18 horas e não ‘às’ 18 horas”. Há sempre um lado de “mais ou menos”, um bocadinho antes, um bocadinho depois. É sempre esta ideia de uma temporalidade um pouco dilatada, que depois tem efeitos práticos imensos: a questão dos atrasos crónicos, que deixam completamente os estrangeiros de cabelos em pé; o facto de demorarmos a decidir coisas; e de sempre aquela ideia do “até logo”, “logo se vê”. Tentei arranjar esta fórmula da temporalidade do suspenso para simbolizar todas estas ideias. Existe uma dificuldade de concretização e um adiamento das coisas, que é muito difícil. Mas, por outro lado, os correspondentes também falavam do reverso positivo disto, que é a importância do lazer, de “tomar o seu tempo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vivência de uma temporalidade dilatada faz com que haja “nuances”, que derivam na sensibilidade. A questão artística ressalta muito isto, a poesia, por exemplo. A sensibilidade que existe e que se sente em muitos portugueses, “os matizes do cinzento”, como um correspondente espanhol dizia. “Espanha é um país a preto e branco, ‘lo pillas ó lo matas”. Em Portugal não é tanto assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Aos Olhos do Mundo Portugal e os Portugueses Retratados por Correspondentes Estrangeiros” é um livro de Ana Luísa Rodrigues e está publicado pela Livros Horizonte. O lançamento foi no dia 13 de Março, no Palácio Foz.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_ligxamYXiVg/R-gtsQp3hLI/AAAAAAAAAKA/oqzl5Hacw4I/s1600-h/Lan%C3%A7amento+Livro..JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp2.blogger.com/_ligxamYXiVg/R-gtsQp3hLI/AAAAAAAAAKA/oqzl5Hacw4I/s400/Lan%C3%A7amento+Livro..JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5181441609697821874" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-533548242189223699?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/533548242189223699/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=533548242189223699' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/533548242189223699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/533548242189223699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/03/entrevista-com-ana-lusa-rodrigues.html' title='Entrevista com Ana Luísa Rodrigues - Autora do livro &quot;Aos Olhos do Mundo Portugal e os Portugueses Retratados por Correspondentes Estrangeiros&quot;'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_ligxamYXiVg/R-guXwp3hMI/AAAAAAAAAKI/OKNsTJuy6fg/s72-c/Livro.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-1944739356032400489</id><published>2008-03-14T13:02:00.004Z</published><updated>2008-03-24T23:03:35.898Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Edit On Web'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Imprensa'/><title type='text'>É a Cultura, Estúpido!</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_ligxamYXiVg/R9p4TgxCb5I/AAAAAAAAAJw/rUhjLprRA5I/s1600-h/IMG_0380.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp0.blogger.com/_ligxamYXiVg/R9p4TgxCb5I/AAAAAAAAAJw/rUhjLprRA5I/s400/IMG_0380.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5177582998224269202" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Notícia e fotografia de Inês Branco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.editonweb.com/Noticias/NoticiasDetalhe.aspx?nid=1608&amp;editoria=3"&gt;Ler Notícia no Edit On Web&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É a Cultura Estúpido!, na Europa de Leste &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É a Cultura, Estúpido!" foi o nome escolhido para a série de tertúlias que se realiza no teatro São Luiz até Abril. Na última sessão, o debate foi dedicado à Europa de Leste. Moderados pelo jornalista Daniel Oliveira, Konstantin Yakolev, director do jornal "Slovo" com edição em Portugal, Branko Neskov, engenheiro de som, e Nina Guerra, tradutora de literatura russa, discutiram as facilidades e dificuldades de trabalhar na área da cultura em Portugal e reflectiram sobre a realidade dos imigrantes de Leste em Lisboa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, que realidade é esta que permite a existência de tantos jornais e rádios falados em russo? Quem responde é Konstantin Yakolev, fazendo uma comparação com Itália. Só na zona de Milão, existe uma comunidade de um milhão de pessoas oriundas de Leste e, nem por isso, o sucesso da implementação de jornais de língua russa foi maior que em Portugal. "Este facto" explica, "deve-se à grande concentração de eslavos nas grandes cidades, como Lisboa. Vivem juntos e trabalham juntos". Quando o seu jornal surgiu, em 2001, veio colmatar a necessidade que estas pessoas tinham de ler em russo, "estes imigrantes tinham fome da palavra russa", afirma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas será que existe mesmo uma comunidade? Nina Guerra desconfia, "uma comunidade implica muita coisa, ajuda financeira, por exemplo. Não sei se existe. Mas, se existir, fico feliz". Nina pertence à "comunidade antiga". Chegou a Portugal em 1990. Nessa época eram sobretudo mulheres casadas com portugueses que chegavam ao nosso país. "Foi o meu caso. Não vim na onda da desgraça". Eram poucos e vinham por razões familiares. Mas, no fim dos anos 90, a situação começou a alterar-se com a chegada de novas vagas de imigração. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, apesar da existência de muitos russos e ucranianos, as iniciativas culturais realizadas por estes imigrantes para os portugueses não são muitas. "Praticam a cultura as pessoas que têm lazer e tempo livre", esclarece a tradutora. Não parece ser este o caso dos seus conterrâneos, para quem a vida, segundo Nina, é tudo menos fácil. "A imigração não permite dispor de si. Exprimir os seus gostos. É luta pela sobrevivência de cada dia". Mesmo sendo casada com um português, viveu os três primeiros anos em situação ilegal, "eu passei um bocado até me endireitar", confessa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conjuntura económica do país também não parece ajudar, "os imigrantes têm sempre mais dificuldades que os nacionais, mas se a situação do país é má, a situação daqueles ainda se torna mais difícil". Ter de lidar com a burocracia de dois países é outro dos problemas, "quando se chega a casa e só se tem vontade de dormir, enquanto a preocupação é com a papelada, então não há força e perde-se o hábito de procurar a cultura". Com todos os defeitos da União Soviética, diz-nos Nina, havia o gosto pela leitura e pela cultura. Embora considere o trabalho das associações e da imprensa importante, "ainda é preciso dar mais facilidades aos imigrantes". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Branko Neskov não partilha desta visão tão negra. Vê a situação de outro ângulo, "deixar o nosso país é bastante mau, mas quando se encontra outro local para viver, já é um pouco melhor". No entanto, para ele, Portugal não está preparado para receber. "Em 90, 92 éramos raros e, como qualquer coisa rara, fomos tratados com carinho, mas agora é diferente, com as grandes vagas de imigração". Quanto à existência de uma comunidade, o seu sentimento é de que de facto existe, " temos já uma ideia muito clara de perfis de imigrantes. A própria existência de um jornal implica ter de existir uma comunidade que o lê". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este sérvio, engenheiro de som, chegou a Portugal também no início dos anos 90, deixando para trás um país (Jugoslávia) desfeito em muitos outros países. "Fui impedido de trabalhar. Precisava de passaporte para viajar dentro do meu antigo país". A Alemanha foi a sua primeira opção, mas a frieza do clima e das gentes, fizeram-no escolher Portugal, "depois de toda aquela confusão, só queria um local mais calmo". Veio encontrar essa calma aqui, mas não só. Encontrou também a oportunidade que lhe permitiu permanecer. "O cinema que se fazia em Portugal na época era uma actividade artesanal, exercida num circuito muito fechado, em que os amigos se ajudavam". Não foi pois difícil descobrir lacunas "não existiam estruturas de pós-produção, o que me permitiu participar na sua criação". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao cinema português, mantém características que o distinguem do sérvio. "Em Portugal o cinema descreve um estado de espírito. Na Sérvia tenta descrever uma história". Do cinema sérvio pensa que se conhece pouco em Portugal. "Está limitado a Kusturica". Apesar daquilo que o fez deixar a Sérvia, continua a manter o contacto, "faço um ou dois filmes por ano. A este nível a amizade não foi quebrada". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não só ele mantém o contacto com a sua cidade natal. Nina deixou uma Moscovo em que, depois de Gorbachev, "parecia que tudo era liberdade", para voltar só passados dez anos. "Parecia-me outro país. Muita coisa tinha mudado. No meu tempo procurava-se literatura de qualidade. Os livrinhos baratos para aprender inglês deitavam-se fora". Chegou a pensar que a literatura de massas iria destruir a cultura adquirida ao longo de gerações. Hoje, não só se voltou a ler literatura de qualidade, como noutras áreas culturais o panorama é também animador "os teatros e cinemas de Moscovo e São Petersburgo estão cheios! Há muita produção de coisas novas. Às vezes é difícil, mas a cultura continua". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o dinamismo cultural nas duas maiores cidades russas, que chega a contrastar com o que se passa no resto do seu país, a admira, ainda assim lhes levava o exemplo português no que respeita ao teatro. Considera que o há de melhor em Portugal está no teatro Meridional, Cornucópia e Artistas Unidos e, se pudesse oferecer algo de concreto, mostrava as encenações que Luís Miguel Cintra faz dos autores russos. Quanto a estes mesmos, embora os clássicos sejam os mais traduzidos, devido sobretudo a que já não exigem o pagamento de direitos de autores, há muitos novos a surgir, mas que ainda não são conhecidos por cá. "É difícil fazer com que as pessoas comprem livros de autores desconhecidos". Ainda assim, deixa-nos a sugestão "Ivan Búnin é muito bom!". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta tertúlia inseriu-se no Ciclo Outras Lisboa, por ocasião do Ano Europeu do Diálogo Intercultural, a decorrer no São Luís Teatro Municipal até 28 de Abril.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-1944739356032400489?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/1944739356032400489/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=1944739356032400489' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/1944739356032400489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/1944739356032400489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/03/cultura-estpido.html' title='É a Cultura, Estúpido!'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_ligxamYXiVg/R9p4TgxCb5I/AAAAAAAAAJw/rUhjLprRA5I/s72-c/IMG_0380.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-1071086710933084232</id><published>2008-03-05T12:31:00.006Z</published><updated>2008-03-08T15:18:58.025Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Edit On Web'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Imprensa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='AEDI'/><title type='text'>Lançamento do Ano Europeu do Diálogo Intercultural (AEDI 2008)</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_ligxamYXiVg/R86ToVeYkYI/AAAAAAAAAJo/YyRfV_JS3Xk/s1600-h/IMG_0369.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp1.blogger.com/_ligxamYXiVg/R86ToVeYkYI/AAAAAAAAAJo/YyRfV_JS3Xk/s400/IMG_0369.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5174235343063912834" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Fotografia e notícia de Inês Branco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi oficialmente lançado em Portugal, no dia 27 de Fevereiro, o Ano Europeu do Diálogo Intercultural (AEDI 2008). O evento de abertura realizou-se no Museu de Etnologia, em Lisboa, e contou com a presença da Alta Comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural, Rosário Farmhouse, do Ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, e do Ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Alta Comissária fez um enquadramento do ano, focando os objectivos, a estratégia e o programa nacional. Rosário Farmhouse forneceu uma visão do contexto actual de Portugal: “com uma longa história de país de emigrantes, um terço da população de origem portuguesa vive emigrada e espalhada pelo mundo e, no final do séc. XX tornou-se também país de acolhimento de imigrantes. Hoje, populações de diferentes nacionalidades constituem já 4,2% da população residente em Portugal”, explicando que este mesmo contexto “exige da sociedade portuguesa o desenvolvimento de uma política de acolhimento e integração de imigrantes mais consistente, acompanhada pela consolidação de políticas de acolhimento e integração, que se reflictam quer em princípios políticos gerais, quer em iniciativas legislativas, quer ainda em respostas operacionais muito concretas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final da sua intervenção lançou o repto a todos os presentes para que “festejemos juntos a nossa diversidade” e relembrou a célebre frase de Fernando Pessoa que serve de “slogan” português ao AEDI 2008, “ser plural como o universo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Ministro da Cultura salientou a importância da língua no diálogo entre culturas, “cultura é identidade e, sobretudo, língua. É através dela que contactamos com o outro e que definimos a forma como pensamos. Somos portugueses falantes e, por isso, temos uma identidade própria”. Acrescentando ao vector “língua”, o vector “identidade”, e a necessidade de nos abrirmos ao outro através das artes, Pinto Ribeiro, manifestou o seu desejo: “gostava de apoiar e estimular todas as formas de arte. O que desejo é que todas as associações, organizações e pessoas contribuam para estes três veículos e, assim, para este diálogo intercultural”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fechar o lançamento, Pedro Silva Pereira marcou o desafio da paz como central no mundo de hoje “não é um desafio qualquer e está inteiramente ligado ao diálogo intercultural”. Não só para a Europa como um todo, mas para Portugal “é um desafio que nos tornemos numa multiplicação de sociedades de acolhimento, sobretudo, se quisermos que sejam suficientemente justas, coesas e tolerantes”. Não obstante o facto de o desafio do diálogo intercultural não ser apenas o de integração de imigrantes, o Ministro da Presidência afirmou que “passa muito por aí”. De tal forma, que foi inscrito na própria sigla do ACIDI o Diálogo Intercultural, que simboliza a “valorização da tolerância, da diversidade religiosa e do combate à discriminação, racismo e xenofobia”. Apesar de vivermos hoje num clima de paz social “é necessário vigilância e intervenção junto das consciências e dos valores da nossa sociedade, para não deixar irromper o racismo e a xenofobia”, sublinhou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este dia serviu também para dar a conhecer o sítio do AEDI 2008 (www.aedi2008), onde poderá ser encontrada a agenda para o ano e onde todos os cidadãos poderão entrar em contacto com a organização (aedi@acidi.gov.pt).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.editonweb.com/Noticias/NoticiasDetalhe.aspx?nid=1596&amp;editoria=17"&gt;Ler Notícia no Edit On Web&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-1071086710933084232?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/1071086710933084232/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=1071086710933084232' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/1071086710933084232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/1071086710933084232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/03/lanamento-do-ano-europeu-do-dilogo.html' title='Lançamento do Ano Europeu do Diálogo Intercultural (AEDI 2008)'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_ligxamYXiVg/R86ToVeYkYI/AAAAAAAAAJo/YyRfV_JS3Xk/s72-c/IMG_0369.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-7048087002136298078</id><published>2008-02-27T03:06:00.005Z</published><updated>2008-03-05T23:00:08.915Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Edit On Web'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Imprensa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gastronomia Molecular'/><title type='text'>Gastronomia ou Experiência Científica</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_ligxamYXiVg/R8TU2isfLiI/AAAAAAAAAJg/hnvQ-6FudO8/s1600-h/Foto_Gelatina.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp3.blogger.com/_ligxamYXiVg/R8TU2isfLiI/AAAAAAAAAJg/hnvQ-6FudO8/s400/Foto_Gelatina.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5171492305619594786" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Reportagem de Inês Branco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.editonweb.com/Noticias/NoticiasDetalhe.aspx?nid=1557&amp;editoria=10"&gt;Reportagem no Edit On Web&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/08/gastronomia-molecular-reportagem.html"&gt;Reportagem no blogue&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-7048087002136298078?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/7048087002136298078/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=7048087002136298078' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/7048087002136298078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/7048087002136298078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/02/gastronomia-ou-experincia-cientfica.html' title='Gastronomia ou Experiência Científica'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_ligxamYXiVg/R8TU2isfLiI/AAAAAAAAAJg/hnvQ-6FudO8/s72-c/Foto_Gelatina.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-3449164974898429572</id><published>2008-02-26T23:19:00.005Z</published><updated>2008-03-05T23:01:57.324Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Televisão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Programa &quot;Nós&quot;'/><title type='text'>Notícia Dicionário Online Caboverdiano</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="350"&gt; &lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/80C_sXOXVr8"&gt; &lt;/param&gt; &lt;embed src="http://www.youtube.com/v/80C_sXOXVr8" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350"&gt; &lt;/embed&gt; &lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notícia e voz  de Inês Branco&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-3449164974898429572?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/3449164974898429572/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=3449164974898429572' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/3449164974898429572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/3449164974898429572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/02/notcia-dicionrio-online-caboverdiano.html' title='Notícia Dicionário Online Caboverdiano'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-4339636066702339917</id><published>2008-02-26T23:19:00.004Z</published><updated>2008-03-05T23:01:31.926Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Televisão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Programa &quot;Nós&quot;'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Padre António Vieira'/><title type='text'>Notícia Lançamento Comemorações 400 anos Padre António Vieira</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="350"&gt; &lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Mtt9ZTov-Cg"&gt; &lt;/param&gt; &lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Mtt9ZTov-Cg" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350"&gt; &lt;/embed&gt; &lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notícia e voz  de Inês Branco&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-4339636066702339917?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/4339636066702339917/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=4339636066702339917' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/4339636066702339917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/4339636066702339917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/02/notcia-lanamento-comemoraes-400-anos.html' title='Notícia Lançamento Comemorações 400 anos Padre António Vieira'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-5895765458359751469</id><published>2008-02-26T23:18:00.002Z</published><updated>2008-03-05T23:02:20.687Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Televisão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Programa &quot;Nós&quot;'/><title type='text'>Ficha Técnica Programa "Nós"</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="350"&gt; &lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/VuUVPeOo-uQ"&gt; &lt;/param&gt; &lt;embed src="http://www.youtube.com/v/VuUVPeOo-uQ" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350"&gt; &lt;/embed&gt; &lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-5895765458359751469?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/5895765458359751469/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=5895765458359751469' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/5895765458359751469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/5895765458359751469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/02/ficha-tcnica-programa-ns.html' title='Ficha Técnica Programa &quot;Nós&quot;'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-7776594955855392931</id><published>2008-02-25T23:27:00.005Z</published><updated>2008-03-05T23:03:16.751Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Edit On Web'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ACIDI'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Imprensa'/><title type='text'>Seminário Ensino Bilingue e Línguas Maternas na Fundação Calouste Gulbenkian</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_ligxamYXiVg/R8NPrSsfLfI/AAAAAAAAAJI/JW1mnDo7bN0/s1600-h/IMG_0337.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp1.blogger.com/_ligxamYXiVg/R8NPrSsfLfI/AAAAAAAAAJI/JW1mnDo7bN0/s400/IMG_0337.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5171064402322861554" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Foto e texto de Inês Branco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.acidi.gov.pt/modules.php?name=News&amp;file=article&amp;sid=2208"&gt;Ler notícia no site do ACIDI&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.editonweb.com/Noticias/NoticiasDetalhe.aspx?nid=1574&amp;editoria=3"&gt;Ler notícia no Edit on Web&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-7776594955855392931?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/7776594955855392931/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=7776594955855392931' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/7776594955855392931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/7776594955855392931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/02/seminrio-ensino-bilingue-e-lnguas.html' title='Seminário Ensino Bilingue e Línguas Maternas na Fundação Calouste Gulbenkian'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_ligxamYXiVg/R8NPrSsfLfI/AAAAAAAAAJI/JW1mnDo7bN0/s72-c/IMG_0337.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-5151792094994870739</id><published>2008-02-11T19:46:00.002Z</published><updated>2008-03-05T23:04:08.339Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mia Couto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Edit On Web'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Imprensa'/><title type='text'>Mia Couto - Sessão de Autógrafos</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_ligxamYXiVg/R7GreisfLdI/AAAAAAAAAI4/meGy_HVTaUY/s1600-h/Foto+Blogue.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp0.blogger.com/_ligxamYXiVg/R7GreisfLdI/AAAAAAAAAI4/meGy_HVTaUY/s400/Foto+Blogue.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5166098788768493010" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Foto e texto de Inês Branco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mia Couto realizou hoje uma sessão de autógrafos na livraria Byblos em Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal como foi apresentado, este “autor fundamental da língua portuguesa, em cujas mãos está criada e recriada de forma inimitável” concedeu aos seus leitores, e não só, a oportunidade de o conhecerem melhor, autografando a sua obra e confraternizando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referindo-se ao diálogo entre culturas, o escritor moçambicano disse acreditar que é não só estar disponível para que as culturas dialoguem, mas, sobretudo, para que se mesticem. “Não há culturas puras. A própria cultura portuguesa já é resultado de um conjunto de cruzamentos de culturas: árabe, africana e outras”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Mia Couto o seu hobby é o seu trabalho. “Sou biólogo, mas ao fazer biologia estou muito próximo da escrita. Vejo o Mundo pelos olhos de uma criança. Quero deixar-me encantar pelo meu trabalho”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mia Couto nasceu na Beira, Moçambique, em 1955 e, além de ser escritor, sua faceta mais conhecida, é professor e biólogo. A sua vasta obra, que vai desde o conto, à crónica e da qual fazem parte títulos como “Vozes Anoitecidas”, “Terra Sonâmbula” e “Estórias Abensonhadas” foi galardoada, em 1999, com o Prémio Vergílio Ferreira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.editonweb.com/Noticias/NoticiasDetalhe.aspx?nid=1544&amp;editoria=3"&gt;&lt;strong&gt;Ler a notícia no EditOnWeb&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-5151792094994870739?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/5151792094994870739/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=5151792094994870739' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/5151792094994870739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/5151792094994870739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/02/mia-couto-sesso-de-autgrafos.html' title='Mia Couto - Sessão de Autógrafos'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_ligxamYXiVg/R7GreisfLdI/AAAAAAAAAI4/meGy_HVTaUY/s72-c/Foto+Blogue.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-7465503426530266695</id><published>2008-02-11T12:42:00.002Z</published><updated>2008-03-05T23:04:55.228Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Edit On Web'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Padre António Vieira'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Imprensa'/><title type='text'>Padre António Vieira: os mesmos desafios quatro séculos depois</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_ligxamYXiVg/R7BE4ysfLaI/AAAAAAAAAIg/tc7z1pq87qQ/s1600-h/PICT3064.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp0.blogger.com/_ligxamYXiVg/R7BE4ysfLaI/AAAAAAAAAIg/tc7z1pq87qQ/s400/PICT3064.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5165704515065687458" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Foto e texto de Inês Branco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.editonweb.com/Noticias/NoticiasDetalhe.aspx?nid=1541&amp;editoria=3"&gt;&lt;strong&gt;Ler a notícia no EditOnWeb&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-7465503426530266695?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/7465503426530266695/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=7465503426530266695' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/7465503426530266695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/7465503426530266695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/02/padre-antnio-vieira-os-mesmos-desafios.html' title='Padre António Vieira: os mesmos desafios quatro séculos depois'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_ligxamYXiVg/R7BE4ysfLaI/AAAAAAAAAIg/tc7z1pq87qQ/s72-c/PICT3064.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-299029805079060448</id><published>2008-02-03T21:58:00.000Z</published><updated>2008-02-04T00:45:56.986Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Multimedia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fotografia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mouraria'/><title type='text'>Mouraria</title><content type='html'>&lt;a href="http://inesbranco.webng.com/"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Ver filme&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Trabalho multimedia:&lt;/strong&gt; fotografia e som&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tema:&lt;/strong&gt; Mouraria&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Conteúdo:&lt;/strong&gt; Entrevista ao dono do Centro Comercial Capelo&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fotografia, Entrevista, Edição:&lt;/strong&gt; Inês Branco&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Música:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www.myspace.com/rogeriogodinho"&gt;Rogério Godinho&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_ligxamYXiVg/R6ZcYaTkbfI/AAAAAAAAAIQ/Qduzr46AtVI/s1600-h/PICT2456.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp1.blogger.com/_ligxamYXiVg/R6ZcYaTkbfI/AAAAAAAAAIQ/Qduzr46AtVI/s400/PICT2456.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5162915597274869234" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://webserver.cm-lisboa.pt/turismo/Mapanovo/pesquisaMiradouroPT.asp?VarXY=&amp;Vardisplay=MIRADOURO%20DA%20SENHORA%20DO%20MONTE"&gt;Vista do miradouro da Senhora do Monte&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-299029805079060448?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/299029805079060448/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=299029805079060448' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/299029805079060448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/299029805079060448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/02/mouraria.html' title='Mouraria'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_ligxamYXiVg/R6ZcYaTkbfI/AAAAAAAAAIQ/Qduzr46AtVI/s72-c/PICT2456.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-3074879793586529499</id><published>2007-12-21T10:56:00.001Z</published><updated>2008-03-05T23:06:21.959Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tratado Reformador'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rádio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Juventude Europeia Federalista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><title type='text'>Entrevista com Presidente Juventude Europeia Federalista</title><content type='html'>José Almeida é o presidente da JEF. Falámos, durante dez minutos, sobre o referendo ao Tratado Reformador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://odeo.com/flash/audio_player_gray.swf" quality="high" width="322" height="54" name="odeo_player_gray" align="middle" allowScriptAccess="always" wmode="transparent"  type="application/x-shockwave-flash" flashvars="type=audio&amp;id=17542173" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" /&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="font-size: 9px; padding-left: 110px; color: #f39; letter-spacing: -1px; text-decoration: none" href="http://odeo.com/audio/17542173/view"&gt;powered by &lt;strong&gt;ODEO&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-3074879793586529499?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/3074879793586529499/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=3074879793586529499' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/3074879793586529499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/3074879793586529499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/12/entrevista-com-presidente-juventude.html' title='Entrevista com Presidente Juventude Europeia Federalista'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-4302551517837565555</id><published>2007-11-18T23:20:00.001Z</published><updated>2008-03-05T23:08:07.233Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rádio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='André Soares'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='movimento liberal social'/><title type='text'>Entrevista com André Soares, coordenador do MLS Tomar</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_ligxamYXiVg/R0DMUAZQsmI/AAAAAAAAAIA/OeQuYxFsKMM/s1600-h/23714534_img.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp2.blogger.com/_ligxamYXiVg/R0DMUAZQsmI/AAAAAAAAAIA/OeQuYxFsKMM/s400/23714534_img.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134328219277767266" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://odeo.com/flash/audio_player_gray.swf" quality="high" width="322" height="54" name="odeo_player_gray" align="middle" allowScriptAccess="always" wmode="transparent"  type="application/x-shockwave-flash" flashvars="type=audio&amp;id=17340613" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" /&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="font-size: 9px; padding-left: 110px; color: #f39; letter-spacing: -1px; text-decoration: none" href="http://odeo.com/audio/17340613/view"&gt;powered by &lt;strong&gt;ODEO&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Como surgiu esta ideia de criar um grupo do MLS em Tomar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AS: Surge da reflexão do MLS acerca da política local. O MLS, até agora, não tinha nenhuma acção a nível local, nenhuma concelhia, nenhum grupo local. Na altura em se discutiu isto, achei que o concelho de Tomar, por ser de onde venho e por achar que é um concelho subaproveitado, propus à direcção do MLS que este fosse o concelho escolhido para arrancarmos com um projecto-piloto de política local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Como te juntaste ao MLS e porquê este interesse pela política?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AS: Estou a acabar o mestrado em Política Social e das Organizações e desenvolvo um estágio académico em Lisboa. Reparto o tempo entre Lisboa e Tomar. Conheci o MLS na imprensa nacional, através de um artigo no “Público”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: O grupo de Tomar foi criado há quanto tempo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AS: Foi criado em Junho deste ano. Estamos na fase de cativar pessoas para a equipa, a ouvir a população para saber quais são os problemas e a consultar dados estatísticos e demográficos. Nesta fase, o mais importante é construir uma equipa. A partir de Janeiro de 2008 começaremos a trabalhar num programa político.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Quem é essa equipa?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AS: Temos aqueles que são ou vêm a ser membros do MLS e aqueles que são independentes, mas que querem colaborar neste projecto e que se identificam com uma política local liberal. São pessoas de Tomar, pois se queremos fazer uma lista e partir para eleições, essas pessoas terão de estar recenseadas no concelho de Tomar para poderem ser eleitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Quando o MLS se propuser a eleições em Tomar, serás tu o candidato. Quais são os teus projectos de vida e qual uma boa proposta do MLS em Tomar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AS: Sou eu quem está a liderar o grupo e deverei continuar durante algum tempo, no entanto, não temos um candidato definido. Estou disponível para isso. A equipa ainda está em construção, muita coisa ainda vai ser discutida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou em Lisboa, mas a minha residência oficial é em Tomar. Quero manter a minha ligação ao concelho. Vou dividindo a minha vida entre Lisboa e Tomar. Hoje isto está muito facilitado com as novas tecnologias. Consigo ter informação política de Tomar quase em tempo real e julgo que não seja indispensável a minha presença lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Como conhecedor da região de Tomar, o que pensas que o MLS poderá dar a Tomar que Tomar não tenha já ou que outros partidos não possam vir a dar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AS: Tomar tem um potencial enorme. Tem excelentes acessibilidades, um património histórico-cultural incrível, mas está muito subdesenvolvido. Isto tem partido das políticas muito conservadoras que têm existido nos últimos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: No que é que se caracteriza esse subdesenvolvimento?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AS: Verifica-se que na zona de Tomar existem concelhos com franco desenvolvimento, como Torres Novas, Ourém, Abrantes e Entroncamento, tanto em sentido económico, como social. Enquanto Tomar tem estado estagnado e até tem tido algum retrocesso. Na mesma medida que vão abrindo novas empresas nos concelhos limítrofes, em Tomar as empresas vão fechando. Cada vez há menos emprego qualificado em Tomar e o de baixa qualificação já está a desaparecer. A população está a ficar muito envelhecida e isto é particularmente grave, porque não se deve à saída de pessoas para ir para Lisboa, Porto ou Coimbra, mas sim para os concelhos vizinhos. Aí têm acesso a mais cultura, a melhores empregos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: O que deu origem a essa paragem no desenvolvimento?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AS: O retrocesso começou no 25 de Abril. Antes disto, era um pólo industrial de importância no nosso país. A partir dali houve um “abanão”, tal como em outras partes do país e parece-me que Tomar não soube recomeçar. Ainda andamos a viver a ressaca do 25 de Abril. A cidade está muito fechada a novos investimentos, a novas pessoas, a novos projectos. Há uma super-protecção dos poderes instalados, quer económicos, quer sociais. É extremamente difícil uma média ou grande empresa entrar na economia tomarense. E isto é culpa das políticas que se têm tomado. Os projectos são boicotados não pelas pessoas que estão a vender os terrenos, mas pela Câmara Municipal, que ou não passa os alvarás ou não dá autorizações para que as empresas se instalem no concelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Nos últimos 30 anos já passaram vários partidos pela Câmara. Todos adoptam essa política?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AS: É um fenómeno interessante, mas infeliz. Tal como na política nacional, a Câmara vai alternando entre PS e PSD, mas as políticas são muito parecidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Não há uma alternativa?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AS: Creio que não. Os partidos, mesmo os outros, têm as mesmas pessoas desde há 10 ou 15 anos. São sempre as mesmas ideias. Por isso parece que ainda vivemos há 10 ou 15 anos atrás. Não há inovação, querer andar para a frente. Contribuem todos para esta situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: O que pensas dar a Tomar que Tomar não tenha?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AS: A estratégia do MLS terá de passar sempre por três vertentes: económica, social e ambiental. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na vertente social, falo do património histórico-cultural. Medidas tão simples como em vez de promovermos o turismo junto do público, promovê-lo junto dos operadores turísticos. Se tivermos operadores turísticos a operar em Tomar vamos ter muito mais turismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Mas o desenvolvimento de Tomar não passa só pelo turismo.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AS: A mesma coisa acontece em termos económicos. Não existe uma marca que venda Tomar às empresas. É tão simples como criar uma marca “Tomar Investir”. Tomar tem de ser promovido junto dos empresários e mesmo das pessoas da terra. O investimento não tem de vir de fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Haverá algum tipo de apoio que exista nos concelhos limítrofes e que não exista em Tomar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AS: A primeira razão para isto acontecer é o facto de nos concelhos vizinhos não haver forças de bloqueio tão fortes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Essas forças são quem?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AS: Parte claramente da Câmara e dos partidos representados na autarquia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Pensas que existe um interesse no bloqueio do desenvolvimento de Tomar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AS: Em Tomar temos muito pequeno comércio e existe um grande “lobby” do pequeno comércio. Os autarcas não querem proteger o que é seu, querem proteger aquele “lobby”. Querem proteger o comércio tradicional a todo o custo, ainda que as pessoas vão fazer compras ao lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Não se está a abrir as portas a outro tipo de investimento, que geraria muito mais emprego?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AS: Mesmo esse comércio, se entrassem novas empresas no panorama económico de Tomar, também se iria desenvolver. Julgo que se poderia criar um gabinete de apoio ao desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: E se um cidadão de Tomar quiser colaborar contigo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AS: Pode entrar em contacto comigo ou com a concelhia. Mesmo que não seja para dar a cara, é importante que as pessoas participem e dêem a sua opinião. É importante que as pessoas não vivam à margem do que se passa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Para Tomar há alguma acção prevista?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AS: Está a ser preparada uma apresentação pública, tanto do MLS, como do MLS Tomar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para obter mais informações sobre o MLS Tomar, poderá consultar o &lt;a href="http://mls-tomar.blogspot.com"&gt;blog.&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-4302551517837565555?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/4302551517837565555/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=4302551517837565555' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/4302551517837565555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/4302551517837565555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/11/entrevista-com-andr-soares-coordenador.html' title='Entrevista com André Soares, coordenador do MLS Tomar'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_ligxamYXiVg/R0DMUAZQsmI/AAAAAAAAAIA/OeQuYxFsKMM/s72-c/23714534_img.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-7109794811383374646</id><published>2007-10-29T11:49:00.001Z</published><updated>2008-03-05T23:08:52.535Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rádio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='movimento liberal social'/><title type='text'>Entrevista - 6ª AG do Movimento Liberal Social</title><content type='html'>Esta entrevista foi realizada na 6ª Assembleia Geral do MLS, a dois dos membros que apresentaram moções. Primeiro, Miguel Duarte faz um resumo da sua moção sobre empreendorismo e, de seguida, Luís Humberto Teixeira apresenta a sua moção sobre o processo eleitoral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://odeo.com/flash/audio_player_gray.swf" quality="high" width="322" height="54" name="odeo_player_gray" align="middle" allowScriptAccess="always" wmode="transparent"  type="application/x-shockwave-flash" flashvars="type=audio&amp;id=17211153" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" /&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="font-size: 9px; padding-left: 110px; color: #f39; letter-spacing: -1px; text-decoration: none" href="http://odeo.com/audio/17211153/view"&gt;powered by &lt;strong&gt;ODEO&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a moção apresentada por Luís Humberto Teixeira, poderá obter mais informações na entrevista realizada em Março deste ano. &lt;a href="http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/03/entrevista-com-lus-humberto-teixeira_04.html"&gt;Entrevista com Luís Humberto Teixeira sobre os eleitores fantasma&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-7109794811383374646?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/7109794811383374646/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=7109794811383374646' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/7109794811383374646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/7109794811383374646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/10/entrevista-6-ag-do-movimento-liberal.html' title='Entrevista - 6ª AG do Movimento Liberal Social'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-1601079635426733597</id><published>2007-10-29T11:45:00.001Z</published><updated>2008-03-05T23:09:50.320Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rádio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Juventude Liberal Social'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='movimento liberal social'/><title type='text'>Entrevista com a Juventude Liberal Social</title><content type='html'>Esta entrevista foi gravada durante a 6ª AG a alguns membros da Juventude Liberal Social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://odeo.com/flash/audio_player_gray.swf" quality="high" width="322" height="54" name="odeo_player_gray" align="middle" allowScriptAccess="always" wmode="transparent"  type="application/x-shockwave-flash" flashvars="type=audio&amp;id=17211133" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" /&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="font-size: 9px; padding-left: 110px; color: #f39; letter-spacing: -1px; text-decoration: none" href="http://odeo.com/audio/17211133/view"&gt;powered by &lt;strong&gt;ODEO&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-1601079635426733597?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/1601079635426733597/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=1601079635426733597' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/1601079635426733597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/1601079635426733597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/10/entrevista-com-juventude-liberal-social.html' title='Entrevista com a Juventude Liberal Social'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-1244310015638318304</id><published>2007-10-18T18:34:00.001Z</published><updated>2008-03-05T23:10:48.552Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='miguel duarte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rádio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='referendo tratado europeu'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><title type='text'>Referendo ao Tratado Europeu - Entrevista com Miguel Duarte</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_ligxamYXiVg/RxenlBv2kVI/AAAAAAAAAH0/hSrlSTxZ4HI/s1600-h/miguel_duarte.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp3.blogger.com/_ligxamYXiVg/RxenlBv2kVI/AAAAAAAAAH0/hSrlSTxZ4HI/s400/miguel_duarte.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5122747355723370834" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: O Movimento Liberal Social (MLS) defende a realização de um referendo à escala europeia para o novo Tratado Europeu. Qual é a diferença entre um tratado e uma constituição?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MD: A nível europeu a diferença não é muito grande. Se compararmos a actual proposta do Tratado com a anterior proposta de Constituição, a diferença é muito reduzida. Resume-se a que retiraram alguns artigos da anterior Constituição, alguns puramente simbólicos, como haver um hino e uma bandeira. A anterior Constituição era um tratado constitucional, por isso penso tratar-se de uma questão política e de palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: A Constituição não foi já rejeitada?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MD: A Constituição não foi rejeitada. A Constituição só foi rejeitada em alguns países. Para que a Constituição entrasse em vigor era necessária a assinatura de todos os países da União Europeia. Todos tinham de aprovar a Constituição Europeia e esta foi rejeitada, em referendo, por alguns países. Por isto, parou-se o processo constitucional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: O MLS é a favor da realização de um referendo para um novo Tratado Europeu ou para uma nova Constituição.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MD: O desejo do MLS era que houvesse mesmo uma Constituição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Por que não um tratado em vez de uma constituição?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MD: A palavra Constituição tem um carácter simbólico mais fundador, como uma lei básica, base daquilo que seria a União Europeia. Um tratado, em termos práticos, perde o simbolismo, mas tem o mesmo efeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Porquê um referendo à escala europeia e não apenas nacional?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MD: Tratando-se de um tratado que é para ser implementado a nível europeu, todos os europeus deveriam poder votar sobre esta questão e, também, devido à importância que este documento tem. Setenta por cento das leis aprovadas todos os anos em Portugal emanam da União Europeia. Esta tem uma influência profunda em todo o processo legislativo a nível nacional. O mesmo é válido para os outros países. Portanto, não me parece justo que em alguns países haja referendo e noutros não, sendo os políticos a decidir. O democrático seria que houvesse, a nível europeu, um referendo.&lt;br /&gt;O segundo ponto diz respeito a que, muitas vezes, quando há referendos nacionais sobre questões europeias, o referendo acaba por centrar-se em questões nacionais e não em questões europeias. Se fizermos um referendo em simultâneo com as eleições para o Parlamento Europeu e à escala europeia, o referendo será um debate europeu. Poderemos assistir a políticos europeus a pronunciar-se sobre o referendo e as discussões serão sobre temas europeus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Seria essa a melhor data para o referendo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MD: A campanha que o MLS está a defender propõe que a data para a realização do referendo seja em simultâneo com as eleições para o Parlamento Europeu, em Junho do próximo ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: De que forma este tratado irá contribuir para o desenvolvimento da Europa, quer em termos económicos, quer em termos ambientais?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MD: A Europa já tem alguns órgãos centrais para decisão, mas estes órgãos não têm todos os poderes que deveriam ter, nem são órgãos muito democráticos. Elege-se um parlamento, mas este não tem os poderes que um parlamento normal teria. Por exemplo, o Parlamento Europeu propôs que se abolisse a actual proibição de levar líquidos nos aviões e o órgão democrático quis levantar essa proibição, mas logo de seguida a Comissão Europeia, que é um órgão pouco democrático, pois não é eleito directamente pelos cidadãos europeus, não aprovou aquilo que o Parlamento tinha já aprovado. Isto deveria acabar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nível internacional a Europa está enfraquecida, não tem um representante único que possa exercer a política externa da Europa e muitas das decisões não são tomadas por maioria, o que prejudica a capacidade de decisão da União Europeia. Temos de ter muitas mais decisões a nível da União Europeia que sejam tomadas por maioria, principalmente agora, em que o número de países que pertencem à União Europeia é muito elevado. Um novo tratado iria resolver todos estes temas e contribuir para dar muito mais força e capacidade de decisão à Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: O que vai acontecer nos países onde ganhar o “Não”?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MD: Sendo um referendo à escala europeia, há um resultado global para a União Europeia. Isto deverá dizer alguma coisa aos políticos sobre se os cidadãos da União Europeia, como um todo, aprovam o referendo ou não. É evidente que haverá parciais a nível nacional. Cada país, a nível nacional, deverá tomar uma decisão sobre se deseja participar na nova União Europeia que se está a construir, ou não. Considero que um país não deve impedir o processo de construção europeia. O Reino Unido, eventualmente, diz que não a este tratado, mas toda a União Europeia não poderá ficar parada devido a um país. Se um país rejeita o tratado, esse país deverá tirar daí as suas elações e, possivelmente, terá de negociar um novo acordo com a União Europeia, que poderá ser esse país abandonar a União Europeia e ficar com um acordo especial de cooperação, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Este referendo é consultivo e não vinculativo. Qual é a força de um referendo destes?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MD: Devido a questões legais, pois há países que proíbem a realização de referendos sobre a União Europeia, o referendo nunca poderá ter um carácter obrigatório para todos os países. Ao ser consultivo significa que não tem força legal. Em teoria, os políticos de cada país podem não seguir aquilo que o referendo determina. Mas em países democráticos, os políticos terão a obrigação moral de seguir os resultados do referendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: No caso português poderia ser feito um referendo vinculativo. Por que é que o MLS propõe a realização de um referendo consultivo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MD: Nós estamos numa campanha internacional, cujo objectivo é a realização do referendo em todos os países. Portanto, independentemente da situação em cada país, nós propomos a realização de um referendo consultivo, por ser um referendo que se quer pan-europeu. É simplesmente para resolver questões legais. Isto não impede que os políticos em Portugal decidam que este referendo, a realizar-se, seja vinculativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oiça a entrevista &lt;a href="http://www.miguelduarte.net/european-referendum.mp3"&gt;aqui!&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.europeanreferendum.eu/"&gt;European Referendum&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-1244310015638318304?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/1244310015638318304/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=1244310015638318304' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/1244310015638318304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/1244310015638318304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/10/entrevista-com-miguel-duarte-sobre-o.html' title='Referendo ao Tratado Europeu - Entrevista com Miguel Duarte'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_ligxamYXiVg/RxenlBv2kVI/AAAAAAAAAH0/hSrlSTxZ4HI/s72-c/miguel_duarte.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-869569219075237303</id><published>2007-09-13T21:45:00.001Z</published><updated>2008-03-05T23:11:18.270Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Imprensa'/><title type='text'>Conferências "A Busca da Felicidade" na Culturgest</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Felicidade na Economia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No final de Maio, aconteceram, na Culturgest, as conferências sobre a Felicidade. Fui assistir a uma. O tema, à partida, não prometia muito, mas acabou por ser muito interessante: “Felicidade na Economia”.&lt;br /&gt;O objectivo era explicar a ideia de felicidade na teoria dos modelos económicos e no mundo empresarial. Esquisito… A economia é uma ciência de números e a felicidade é subjectiva. Então, como é que a afectividade e a felicidade se cruzam com o pensamento económico?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O mote começou por ser: “Se tivesse apenas mais dez minutos de vida, o que faria?”.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta foi: “Ia para casa ver os meus filhos”. Bom, eu não, que não tenho. Mas era o que o professor Luís Santos Pinto, da Universidade Nova de Lisboa, faria. Ter um filho é uma motivação genética, no entanto, pode ser uma má experiência. Há bebés que choram muito, que não nos deixam dormir… Será que quero ter um filho? Será que quererei ter dois filhos? Nesta decisão pesam componentes afectivas, mas também económicas. Afecto pode não faltar, dinheiro para um poderei ter, mas para o segundo… É aqui que entra a economia. Da componente económica faz parte o rendimento e este dá para prever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas o que é a felicidade? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerando que a felicidade é “bem-estar”, a ela está inerente subjectividade, pois países diferentes terão critérios diferentes. É por ser um conceito subjectivo, que, para a Economia, é difícil medi-la. Apesar disto, é possível partir de medidas individuais para um todo e encontrar métodos que permitam medi-la e construir rankings comparativos entre países. Os dois rankings mencionados foram o World Values Survey e o Eurobarómetro. Segundo este último, Portugal tem 17 por cento de pessoas muito felizes, abaixo da média da União Europeia, 26 por cento. A Dinamarca vem no topo, com 49 por cento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E será que a felicidade se compra?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contra todas as expectativas, empiricamente os dados indicam que sim. Num dado país as pessoas mais ricas são as mais felizes, porque o rendimento é importante. Afinal, até não parece estranho e é até consistente com a teoria económica mais básica. Fazemos escolhas com uma restrição económica orçamental. Portanto, quanto mais elevado for o nosso rendimento, mais escolhas poderemos fazer!&lt;br /&gt;Mas será que este acréscimo de felicidade é sempre proporcional ao acréscimo de rendimento? Não. O incremento é cada vez menor. Se na compra do primeiro Porsche (!!) ficamos felicíssimos, na compra do terceiro, a felicidade já não é tão grande. Daqui resulta que faz sentido cobrar mais impostos às pessoas mais ricas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será mesmo verdade que é o aumento do rendimento que provoca um aumento de felicidade? Não será que é a felicidade que faz aumentar a produtividade e que um aumento na produtividade provoca um aumento no rendimento?&lt;br /&gt;Não. Provou-se que a causalidade vai do rendimento para a felicidade. Claro que o inverso poderá ser verdadeiro em alguns casos, mas normalmente é um acréscimo no rendimento que provoca um “incremento de felicidade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quer dizer que o dinheiro é aquilo que nos torna felizes?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente, não! Existem sete factores principais que nos tornam felizes e cuja ordem varia consoante o país e cada uma das pessoas. A ordem genérica para os países ricos é esta:&lt;br /&gt;1.º Relações familiares.&lt;br /&gt;2.º Rendimento.&lt;br /&gt;3.º Trabalho.&lt;br /&gt;4.º Comunidade e amigos.&lt;br /&gt;5.º Saúde.&lt;br /&gt;6.º Liberdade pessoal. Aqui verificou-se que a qualidade do governo conta muito. Um exemplo flagrante é o caso da Rússia, que no ranking surge como país altamente infeliz.&lt;br /&gt;7.º Prática de religião, ligação ao transcendente, meditação.&lt;br /&gt;Depois, existem para além destes, outros factores como comer, fazer exercício, fazer sexo, relaxar, …&lt;br /&gt;Outro aspecto interessante é verificar-se que, ao longo da história, os níveis de felicidade também podem ser medidos. Em 1820, 80 por cento da população vivia com menos de um dólar (comparado ao valor de hoje); na Idade Média, vivia-se para sobreviver; e hoje somos mais felizes, embora os níveis de felicidade estejam “flat” desde os anos 50.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por que é que somos mais ricos, mas não somos mais felizes?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Várias teorias têm sido apresentadas para explicar este fenómeno:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.º Artifício estatístico&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quando medimos o rendimento per capita, ele pode ir até valores incalculáveis, mas a escala da felicidade é limitada. Vai de zero a quatro. Se calhar, era necessária uma escala maior e simétrica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2.º Teoria do Setpoint&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Cada indivíduo tem um nível predeterminado de felicidade, que é determinado geneticamente. O fundamento está, por exemplo, em pessoas que ganharam a lotaria ou em pessoas deficientes, que não ficaram estupidamente mais felizes, nem estupidamente mais infelizes. No entanto, esta teoria é discutível, porque as pessoas não se conseguem adaptar completamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3.º Teoria da Habituação&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Todos aspiramos a ter certas coisas. Apesar de ficarmos mais ricos, as nossas aspirações também são maiores. Esta teoria também é criticável, porque parte do princípio de que as nossas preferências não são estáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4.º Teoria dos “bens de status”.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Esta teoria, também conhecida pela do “relative income”, diz que nós nos comparamos com os outros. Temos inveja das pessoas mais acima de nós. E, diz-nos também, que somos um bocado cínicos. Quando estamos em baixo, preocupamo-nos com a igualdade, queremos políticas sociais, mas quando estamos em cima, já não nos importamos tanto. Entramos numa “escalada competitiva”. Se o meu vizinho tem um BMW, eu também tenho de ter, se ele compra depois um Porsche, eu também vou ter de ter um, … Mais uma vez, esta teoria, como quase todas, é criticável, porque dois terços do peso vai para o rendimento absoluto. A partir daí é difícil dizer o que é um bem de status. Será que a casa é? Depende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5.º Teoria do Capital Social&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Também conhecida por “bowling alone” (Robert Putnam – RP), diz-nos que estamos a tornar-nos mais individualistas e menos sociáveis. Temos mais rendimento, logo podemos ter mais saúde, logo somos mais felizes. No entanto, temos um capital social menor, logo os dois factores anulam-se e não nos tornamos mais felizes. A crítica a esta teoria está em saber o que é o capital social. O RP não deu uma boa definição, porque não levou em conta o facto de o tipo de comunicação ter mudado. Hoje utilizamos mais o telemóvel, mais a internet. Mas será que isto nos torna mais infelizes? Realmente, há fenómenos que nos criaram mais stress, por exemplo, o querermos estar melhor que os outros. John Nash, na sua Teoria dos Jogos, mostrou-nos que, em muitas situações, podem haver vários equilíbrios e que podemos cair num equilíbrio menos bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, na Holanda, para criar um melhor equilíbrio, os sindicatos negociaram empregos em part-time, para haver mais pessoas a sair às 4h30m e assim dedicarem mais tempo à sua vida social.&lt;br /&gt;Será que estamos a ser irracionais ao ficar em casa, não socializando e, por isso, sendo mais infelizes? Não. Simplesmente fazemos as escolhas com base naquilo que conhecemos da sociedade. É mais difícil encontrar grupos, porque é mais fácil ficar em casa, logo ficando em casa, não se formam grupos e, por isso, somos menos motivados a sair de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Será que os governos e os economistas deverão passar a utilizar a felicidade para medir os níveis de satisfação de um país, em vez do PIB?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso ter em consideração três coisas:&lt;br /&gt;1.º Os economistas analisam o PIB real e não o nominal;&lt;br /&gt;2.º Os economistas analisam o PIB per capita;&lt;br /&gt;3.º A longo prazo não consumimos mais do que o que produzimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade que o PIB é uma medida com grandes problemas. Tudo o que não passa pelo mercado não é contabilizado pelo PIB. Se fizermos um belo jantar em casa, não passa. Mas, se contratarmos uma empregada para o fazer, passa. Qual nos faz mais felizes? Um idoso num lar passa pelo PIB, podendo associar-se maior felicidade a um lar mais caro, mas se estiver em casa com a família, não passa. Onde é que ele é mais feliz? Portanto, o PIB está enviesado quanto às interacções sociais. Por outro lado, o PIB não leva em conta a degradação ambiental e, por ser uma média, não leva em conta a distribuição do rendimento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Então porquê continuar a utilizar o PIB?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque é uma medida objectiva. Na felicidade não há comparações objectivas possíveis, porque cada país valoriza coisas diferentes e, assim, teriam de ser criados rankings diferentes consoante os países. Por exemplo, parece que os europeus têm mais tempo livre e valorizam-no mais e são mais avessos à desigualdade. Já os americanos não valorizam tanto isto. Quem é mais feliz?&lt;br /&gt;O PIB pode ser abandonado, mas têm de ser avaliadas outras medidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O “Economist” pegou em sete factores de qualidade de vida, mensuráveis, e com eles criou um ranking, o “World Quality of Life”.&lt;br /&gt;1.º Liberdade Política (?): 26.2%&lt;br /&gt;2.º Saúde (esperança de vida à nascença): 19%&lt;br /&gt;3.º Bem-estar material (PIB per capita): 18.8%&lt;br /&gt;4.º Vida em comunidade (taxas de ida à igreja e de participação em encontros): 12.2%&lt;br /&gt;5.º Relações familiares (taxas de divórcio): 11.3%&lt;br /&gt;6.º Segurança no trabalho (taxa de desemprego): 7.7%&lt;br /&gt;7.º Igualdade dos sexos (rácio de rendimentos f vs m): 4.8%&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal encontra-se no 19º lugar em qualidade de vida (WQL) e em 31º no PIB.&lt;br /&gt;Por exemplo, a Rússia encontra-se no 105º em WQL e em 55º no PIB.&lt;br /&gt;Os Estados Unidos estão no 13º em WQL e em 2º no PIB.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ranking do PIB per capita dos países mais ricos estamos abaixo dos vinte primeiros, sendo a nossa posição, em 2005, a 31ª; em 1990, no World Ranking of Hapiness, estávamos em 35º; e, em 2005, no World Ranking of Quality of Life estávamos, como já disse, em 19º.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Conclusão: &lt;/strong&gt;Não somos muito felizes, não somos muito ricos, mas temos uma grande qualidade de vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-869569219075237303?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/869569219075237303/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=869569219075237303' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/869569219075237303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/869569219075237303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/09/conferncias-busca-da-felicidade-na.html' title='Conferências &quot;A Busca da Felicidade&quot; na Culturgest'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-3883326108009936347</id><published>2007-08-27T14:47:00.002Z</published><updated>2008-07-14T10:31:09.849Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Perfil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Imprensa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ricardo Quaresma'/><title type='text'>Ricardo Quaresma - Perfil de um Mágico</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_ligxamYXiVg/RtLk99RS0BI/AAAAAAAAAHk/AfkjmXdIz4E/s1600-h/20051029PortoRicardoQuaresma.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp1.blogger.com/_ligxamYXiVg/RtLk99RS0BI/AAAAAAAAAHk/AfkjmXdIz4E/s400/20051029PortoRicardoQuaresma.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103393080834445330" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mustang”, “Harry Potter” ou Ricardo Quaresma, qualquer um dos nomes serve para identificar este “jogador da bola”, que com apenas 23 anos já fez história no futebol português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou no Sporting Clube de Portugal, onde se estreou na equipa principal com dezoito anos. Estávamos na época 2001/2002 e Laslo Boloni era então o treinador. Foi ele que baptizou Ricardo Quaresma com um nome que reflectia a raça e a rebeldia do jogador, “Mustang”. De simples rebelde a cavalo de raça, a história fez-se no entretanto e começou antes, bem antes, quando ainda andava na Escola Domingos Sávio. António Silva, o primeiro treinador diz que "só queria a bola para ele." Foi depois contratado pelo Sporting, após um “olheiro” o ver a fazer o tipo de passes que, ainda hoje, são a sua imagem de marca. Mais tarde fez sensação na selecção sub-16, a qual ganhou, em 2000, o Europeu em Israel. Mais uma vez houve alguém nas bancadas que o viu e o contratou. Desta vez, para fazer a pré-época no Sporting.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2003, o Barcelona viria a pagar seis milhões de euros pela sua transferência. Mas a vida não lhe correu bem pelas terras da Catalunha. Em Maio desse mesmo ano, após 22 jogos, onze dos quais como titular, conflitos com o treinador e uma lesão no pé obrigaram-no a parar durante dois meses e foi então que resolveu voltar a Portugal, sem cumprir o contrato de quatro anos em Espanha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em terras lusas, juntou-se ao Futebol Clube do Porto, onde joga actualmente com a camisola sete, na posição de extremo direito. Quando entra em jogo, benze-se, e dentro do campo destaca-se pelo seu remate fortíssimo e pela "trivela", um cruzamento com a parte de fora do pé direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De si próprio, diz ser alegre, simpático e orgulhoso. Com ascendência cigana, um dos valores que preserva da sua tradição cultural é a dedicação à família. No entanto, após o divórcio dos pais, Ricardo ficou a viver com a mãe, não tendo sido educado dentro da cultura cigana.O irmão é uma das pessoas mais importantes na sua vida. Alfredo foi uma esperança no Sporting, mas nunca chegou a ser uma certeza. Foi ele que impediu Ricardo de deixar o futebol para se dedicar ao hóquei em patins. Na altura tinha dez ou onze anos e praticava no CACO de Campo de Ourique.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os críticos, Ricardo é um jogador irregular. Mas será isto mau? Miguel Sousa Tavares, conhecido pela sua devoção ao clube azul e branco diz “pois eu tenho a tese contrária: há grandes jogadores que valem pela sua regularidade e há grandes jogadores, que vivem da inspiração repentina e que, necessariamente, são irregulares”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Bonzinho, outro crítico, compara-o a Cristiano Ronaldo. “Cristiano Ronaldo é bem capaz de ser o melhor jogador do mundo neste momento, mas Quaresma é mais «selvagem», mais «puro» enquanto génio. Cristiano é um jogador completo, arrebatador, demolidor; Quaresma é um mágico, um daqueles jogadores capazes ainda de inventar truques com uma bola, de fazerem o impensável de, na subtileza de um simples toque, mudarem o vento do jogo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basta fazer uma busca na internet, para se perceber a sua fama. O seu nome aparece referenciado 56 mil vezes só em páginas portuguesas. Luís Figo, por exemplo, aparece apenas 54 mil vezes. Tem vários blogues e páginas não oficiais criadas pelos fãs e, visitando-as, repara-se que é apreciado por adeptos do seu clube, mas não só…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-3883326108009936347?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/3883326108009936347/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=3883326108009936347' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/3883326108009936347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/3883326108009936347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/08/ricardo-quaresma-perfil-de-um-mgico.html' title='Ricardo Quaresma - Perfil de um Mágico'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_ligxamYXiVg/RtLk99RS0BI/AAAAAAAAAHk/AfkjmXdIz4E/s72-c/20051029PortoRicardoQuaresma.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-687755151039947863</id><published>2007-08-18T15:02:00.001Z</published><updated>2008-03-05T23:12:25.286Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reportagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Imprensa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gastronomia Molecular'/><title type='text'>Gastronomia Molecular - Reportagem</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_ligxamYXiVg/RscKHtRS0AI/AAAAAAAAAHc/Q5A9E6kksoo/s1600-h/Foto.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp1.blogger.com/_ligxamYXiVg/RscKHtRS0AI/AAAAAAAAAHc/Q5A9E6kksoo/s400/Foto.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5100056230547869698" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gastronomia ou Experiência Científica&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Muito daquilo que fazemos ao preparar um prato pode ser descodificado pela ciência, tendo por base a composição dos alimentos e as alterações físicas e químicas que ocorrem durante a sua preparação. Quando a Física e a Química deixam o laboratório e entram na cozinha, o que acontece? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa das salas do Instituto Superior de Agronomia (ISA) o curso vai começar. Este já é o terceiro dia em que se repete. Os dois primeiros esgotaram. Aqui vão ser abordadas questões da gastronomia do ponto de vista científico, onde as moléculas são o centro das atenções. Estamos num curso de Gastronomia Molecular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de começar, faz-se a apresentação dos professores. São um grupo que se encontrou em 2001 no projecto “A Cozinha é um Laboratório”, da agência Ciência Viva, uma unidade do Ministério da Ciência e da Tecnologia, que visa a promoção da cultura científica e tecnológica junto da população portuguesa. Na altura, o objectivo era divulgar a ciência de uma forma “saborosa”. As suas formações são diversas. Paulina Mata, Margarida Guerreiro, Catarina Prisca e Conceição Loureiro-Dias têm formação em química e engenharia química. Joana Moura é arquitecta paisagista e bolseira do ISA na área de Gastronomia Molecular. O grupo deu-se bem e, hoje, continua junto, partilhando o interesse pelas bases científicas da cozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado, a assistir ao curso, também estão pessoas de diferentes áreas. O chefe de cozinha e a pasteleira do Casino de Lisboa, o sub-chefe de cozinha do hotel Cascais Mirage e o chefe de cozinha do Hotel Avis marcam presença, tendo como objectivo comum o aprofundar de conhecimentos nesta área para aplicação no seu dia-a-dia.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A aula inicia-se e a questão impõe-se: porquê molecular? No entanto, a resposta é simples: “Todos os alimentos são constituídos por átomos que se ligam formando moléculas. Quem cozinha manipula o movimento das moléculas, as suas ligações e alterações e a quantidade e o processo de transferência de calor”, esclarece Margarida Guerreiro,  procurando desmistificar esta nomenclatura e outros dos “medos” de quem contacta pela primeira vez com esta ciência, a utilização de químicos. Qual o elemento essencial na cozinha? “A água. A água é um mundo. Somos nós. A par do cloreto de sódio é o reagente mais simples”. Afinal a água é um composto químico, duas moléculas de hidrogénio e uma de oxigénio. Utilizamo-la todos os dias. Se pretendermos grandes e rápidas alterações químicas, basta subir a temperatura para aumentar o movimento das moléculas. É esta a explicação por trás de um acto quotidiano tantas vezes repetido: se queremos que o leite aqueça mais rápido, basta rodar o botão do fogão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da teoria passa-se à prática. Estamos agora num dos laboratórios do instituto. Em cima das bancadas vêem-se desde varinhas mágicas e batedeiras, a tubos de ensaio e pipetas. Joana Moura apresenta o alginato, o xantano e o gluco. Não passam de pós. Começa-se por fazer uma solução de alginato com chá. Sob o olhar atento dos chefes de cozinha, explica “Fica com ar. Tem de se esperar duas horas. Ou colocar numa máquina de vácuo”. Passa-se à metilcelulose: “Só se dissolve a frio, mas só dispersa a quente. No entanto, se aplicarmos força motora não é preciso aquecer. Como incorpora muito ar, tem de repousar a frio”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Fernandes é aluno do curso de Cozinha e Pastelaria da Escola de Hotelaria de Lisboa. Quando interrogado sobre a razão que o leva a estar aqui, responde: “Tendo em conta que os quatro melhores restaurantes do Mundo utilizam os conhecimentos da Gastronomia Molecular aplicados à cozinha, parece-me importante vir adquirir tais conhecimentos. Por outro lado, este é o único instituto em Portugal a leccionar cursos nesta área”. Depois de ouvir as explicações, passa à acção. O objectivo é fazer pequenas esferas utilizando uma solução de sumo com xantano a 0,3 por cento e gluco a 2,5 por cento. Na Gastronomia Molecular a precisão nas proporções e nas quantidades é crucial. Quem a queira praticar, para além de ter uma balança de precisão, deverá ser bom a matemática. A famosa “regra de três simples” é utilizada todos os dias, pois só com ela se poderão manter as proporções. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o interesse por esta “ciência” não passa só pelos profissionais de cozinha. Maria Leonor Souza é responsável pelas publicações culinárias da Unilever – Jerónimo Martins. O que a leva a frequentar este curso é o interesse por estes temas e o factor “novidade”: “É uma maneira diferente de abordar o acto de cozinhar e a combinação dos sabores e das texturas. É uma área que ainda está pouco explorada e que é muito interessante. O meu objectivo é entusiasmar as pessoas. Agora está a renascer um entusiasmo grande pela cozinha e cozinhar está na moda ”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua, ela também, a seguir a receita. Feitas as esferas, deitam-se na solução de alginato, deixando repousar durante 3 minutos. Passado este tempo, o resultado está à vista: pequenas bolinhas de aspecto gelatinoso, assemelhando-se a gomas. Quando levadas à boca, rebentam, libertando o sumo. O efeito surpresa é plenamente alcançado. “É este o objectivo da Gastronomia Molecular: surpreender através da diferença nas texturas e da atractividade visual”, explica Margarida Guerreiro, acrescentando que “A novidade neste mundo globalizado em que podemos experimentar a gastronomia de países tão diversos como o Tibete ou o Brasil dentro da mesma cidade, já não está nos sabores. Ela surge da colaboração entre cozinheiros e cientistas que inventam novas texturas e introduzem novas cores”. Assim, para conseguir estes efeitos, novas técnicas e substâncias são utilizadas. O azoto líquido, por exemplo, serve para dar uma consistência mais cremosa aos gelados; a peelenzima consegue descascar um citrino sozinha e os transglutaminases dão para colar alimentos que tenham proteínas. Uma das professoras sugere “Experimentem juntar galinha com atum!”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O medo dos “E”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas destas substâncias são também designadas por “E”. Não se estarão a utilizar produtos prejudiciais à saúde? “Tudo o que é ingerido em demasia faz mal. Se comermos um quilo de amêndoas, não vamos de certeza passar bem, pois embora em quantidades muito pequenas, têm cianeto”, esclarece Catarina Prisca e Joana Moura acrescenta: “Muitas destas substâncias são extraídas da natureza e já utilizadas há muito tempo em países como, por exemplo, a China”. Margarida Guerreiro conclui, afirmando: “Os espessantes não são cancerígenos. Nada está provado. Há uma grande desinformação”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;História&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A denominada “Gastronomia Molecular” começou quando um físico e um químico se juntaram para perceber os processos que ocorriam na cozinha. Estávamos em 1988 e o trabalho de Nicholas Kurti e Hervé This demonstrou que muito daquilo que fazemos com base na experiência pode ser descodificado pela ciência, tendo por base a composição dos alimentos e as alterações físicas e químicas que ocorrem durante a sua preparação. É de Nicholas Kurti (o físico húngaro) a célebre frase “É preocupante que se saiba mais sobre a temperatura no interior das estrelas do que sobre a temperatura no interior de um prato de soufflé”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dicionário de substâncias espessantes, gelificantes e estabilizantes:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espessante: permite aumentar a viscosidade de um alimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gelificante: confere textura através da formação de um gel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estabilizante: contribui para dar uniformidade ou consistência a preparados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hidrocolóides: são colóides (substância semelhante a cola) com uma especial atracção pela água e que, quando em contacto com esta, agarra-a como que “aprisionando-a”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Metilcelulose: é um dos aditivos alimentares permitidos pela legislação comunitária e americana, designado por E 461. É produzida industrialmente a partir da celulose.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Xantano: é um dos aditivos alimentares permitidos pela legislação comunitária e americana, designado por E 415, sendo utilizado desde 1969. É um polissacárido (hidrato de carbono muito grande) produzido pela bactéria Xanthomonas Campestris, frequente em folhas de couve, couve-flor e brócolos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alginato: é uma das substâncias mais abundantes na natureza. É um polissacárido extraído de algumas algas castanhas Phaeophyceae, principalmente de espécies do género Laminária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mais Informação&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Blogue “Jo Cooking”: &lt;a href="http://www.jocooking.typepad.com"&gt;http://www.jocooking.typepad.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Site “Ciência Viva”: &lt;a href="http://www.cienciaviva.pt"&gt;http://www.cienciaviva.pt&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.isa.utl.pt/home/node/892"&gt;Instituto Superior de Agronomia&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-687755151039947863?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/687755151039947863/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=687755151039947863' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/687755151039947863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/687755151039947863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/08/gastronomia-molecular-reportagem.html' title='Gastronomia Molecular - Reportagem'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_ligxamYXiVg/RscKHtRS0AI/AAAAAAAAAHc/Q5A9E6kksoo/s72-c/Foto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-5641218673734091654</id><published>2007-08-04T14:54:00.003Z</published><updated>2008-10-03T12:42:44.537Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rui Horta'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Perfil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Imprensa'/><title type='text'>Perfil de Rui Horta, Coreógrafo - 3ª Parte</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_ligxamYXiVg/RrSTpLIIF8I/AAAAAAAAAHE/o3m5uSOQnjg/s1600-h/Rui+Horta_2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp2.blogger.com/_ligxamYXiVg/RrSTpLIIF8I/AAAAAAAAAHE/o3m5uSOQnjg/s400/Rui+Horta_2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5094859414033668034" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1984 regressou a Portugal, porque tinha saudades, mas sobretudo porque lhe ofereceram a oportunidade de criar uma companhia de dança. Foi a Companhia de Dança de Lisboa. Tratava-se de um projecto de continuidade daquilo que eram as companhias de reportório. Era um projecto mais voltado para a dança moderna com alguma nova dança e dança contemporânea. Nela começaram a dançar pessoas como João Fiadeiro, Benvindo Fonseca e Clara Andermatt. “Era praticamente o único sítio onde se poderia fazer dança de uma forma mais profissional fora do Ballet Gulbenkian. Foi bonito nesse aspecto, mas foi limitado no ponto de vista estético. Não foi um projecto de ruptura”. Convidou um dos seus melhores amigos para fazer a direcção administrativa, José Manuel Oliveira, que nessa altura era fotógrafo, mas as coisas acabaram por não correr bem. “Houve uma situação um bocado desagradável, um processo um pouco “hamletiano”. Ficou ele com a companhia e eu fui posto na rua, o que foi fantástico para mim, agradeço-lhe profundamente”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi nesta altura que surgiu outra das pessoas mais importantes no seu percurso, Carlos Andrade, marido de Vanda Ribeiro da Silva. “Foi um homem extraordinário comigo, apoiou-me”. Carlos Andrade, quadro intermédio num governo muito frágil, emprestou-lhe o seu dinheiro pessoal para lançar o Rui Horta &amp; Friends. “Não havia Ministério da Cultura na altura, havia uma vaga Secretaria de Estado da Cultura, com uma direcção geral de acção cultural”. Aqui Fernando Alçada, director geral de acção cultural, também teve um papel importante, ao apostar no seu trabalho. “São estas coisas que nos fazem crescer”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Rui Horta cresceu. Os seis anos, entre 1984 e 1990, são caracterizados por uma grande vontade de passar conhecimento de tudo o que tinha aprendido em Nova Iorque a todas as pessoas que queriam dançar, “formei montes de gente e toquei uma geração inteira”. Nesta altura, tinha o estúdio nos Bombeiros Lisbonenses. Este estúdio foi um ponto de encontro de freelancers, livre para toda a gente. “Era o meu estúdio de dança. Toda a gente tinha a chave. Muita gente ensaiava”. Nomes como João Fiadeiro e Clara Andermatt passaram por lá, “às dez da noite iam para o estúdio e ensaiavam até à uma, duas da manhã. Porque era de todos”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É então que o coreógrafo parte para a Alemanha, ali fica por dez anos e regressa para se instalar em Montemor-o-Novo. A relação de empatia com o Presidente da Câmara, Carlos Pinto Sá, foi fundamental. “Falámos meia hora e ele foi-me logo mostrar o convento. Ficou decidido ao fim de meia hora que eu ia ficar lá”. Ao fim de dois meses, Rui Horta já estava em Montemor com “armas e bagagens”. O primeiro outdoor que pôs do lado de fora do convento teve inscrita a frase “Estamos Cá”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A relação de Rui Horta com a terra que o acolheu tem sido marcada por um trabalho muito próximo com várias instituições. Após seis anos, o Convento da Saudação, graças ao seu trabalho, está parcialmente recuperado e as negociações com o governo para a recuperação deste, que é o maior convento do sul de Portugal, estão a decorrer. A proximidade com o tecido escolar também tem sido uma aposta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, para lá deste trabalho sociocultural, há o trabalho que é realizado no centro coreográfico “Espaço do Tempo”. Ali recebe anualmente 36 equipas criativas, que se traduzem em mais de 700 artistas. “Pessoas emergentes. Quando recebemos um pedido, vamos ver a companhia in locco ou vemos em vídeo. É um trabalho muito intenso. No fim de contas, quem tem de escolher, tem de estar informado. Essa é a parte mais dura, mais difícil”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando olha para trás custa-lhe a acreditar que já tivessem passado trinta anos. Foram milhares e milhares de horas a trabalhar com pessoas, em que conheceu o mundo inteiro. Existiram momentos de grande solidão. “Sozinho no meio de uma grande cidade”. Mas também existiram momentos de enorme sucesso em cidades do outro lado do planeta, como Tóquio e Xangai. “São 30 anos que já são para mim duas vidas, ou três. Hoje já podia ir-me embora, porque já fiz tudo o que tinha para fazer, não preciso fazer mais”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, o arquitecto, bailarino, professor, coreógrafo e pai tem cinquenta anos e continua a receber convites para sair de Portugal. “É muito tentador, mas não vejo os meus filhos a mudarem para outro país. Se eu não tivesse crianças, talvez”. Os seus filhos vivem e estudam em Montemor. “Vai tudo à escola em Montemor. À escola pública, à saúde pública. Eu sou uma pessoa que acredita nos serviços públicos. As pessoas têm que pagar impostos, mas têm que exigir dos governantes”. Esta educação que dá aos filhos é muito diferente da que ele próprio e os seus sete irmãos receberam. O pai foi professor catedrático da Faculdade de Medicina. “Foi um médico bastante conhecido em Portugal, foi bastonário da ordem dos médicos. Foi director de um hospital”. A mãe também foi professora universitária, doutorada em anatomia patológica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filho “do meio da tabela” viveu a sua infância e adolescência nas Avenidas Novas, em Lisboa, mais precisamente na esquina da Av. Defensores de Chaves com a Av. Miguel Bombarda. Foi aluno da turma B do Camões, da qual saiu também António Guterres. “Venho de uma família com um nível intelectual muito grande. Os meus pais, apesar de terem profissões muito técnicas, eram pessoas intelectualmente muito diferenciadas. Tenho uma irmã, a Maria Teresa Horta, que é poetisa e tenho um irmão que é de História. Há de tudo na minha família”. Dos seus ex-colegas do Liceu Camões ainda mantém contacto com alguns, entre eles, António Carrapatoso, actual presidente da Vodafone. “É um homem muito inteligente, com quem é bom conversar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teve uma infância feliz, embora a considere um pouco formatada. “Foi uma educação da burguesia intelectual portuguesa, com umas referências um pouco britânicas, como compete à própria burguesia portuguesa”. Da parte do pai teve uma influência muito grande da literatura francesa. “O meu pai lia muito Simone de Beauvoir, Saint-Exupéry, Sartre, Balzac, toda aquela literatura de referência francesa que andava sempre ali por cima do escritório e que eu li muito cedo”. Cedo começou a assinar o L’Avant Scène, onde viu as primeiras “figurinhas” de espectáculos, com fotografias, textos teatrais, que lia em francês. “Na prática fui um privilegiado. Tive acesso, desde muito cedo, a estas experiências fortíssimas”. No Verão, como contra-ponto a esta educação um pouco mais formal no Inverno, eram, ele e os irmãos, deixados à solta numa praia do sul durante muitos meses com uma tia já mais velha. “Libertou-nos de algumas tensões de formatação. Equilibrou a balança. Foi um tempo absolutamente maravilhoso, de selvajaria, de possibilidade de conhecer tudo e mais alguma coisa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje pensa que poderá não estar a dar aos filhos aquilo que os seus pais lhe deram. “É uma grande incógnita para mim. Tenho dúvidas se estou a fazer bem”. Por outro lado dá-lhes muitas outras coisas. “Temos tempo para eles. O meu pai não estava tão perto de mim, como eu estou dos meus filhos. Faço os trabalhos de casa com eles e vamos dar passeios no campo. Andamos de bicicleta. Falamos imenso. Todas as noites lhes conto uma história e há uma grande proximidade na família”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rui Horta, para lá de coreógrafo, é um criador e considera o que faz um trabalho de auto-destruição. “Eu nunca estou contente. Mas eu também sou assim. Mesmo quando estou calmo, nunca estou sereno”. Se tivesse de escolher os trabalhos mais representativos destes trinta anos, Rui Horta escolheria a primeira obra que foi fazer para a Alemanha, “Linha” (uma das obras de ruptura. Em 1989). Depois optaria pela obra que o tornou conhecido mundialmente, “Objecto Constante”, em 1994. Há também uma “obra maldita”, mas que adora, “Khora”. “É o nome de um livro do Jacques Derrida, que eu gosto imenso e que deu origem a uma obra negra minha, mas que é talvez uma das minhas melhores obras, em 1997”. E, finalmente, a obra que considera ser a mais forte, “Pixel”. “O Pixel aparentemente marcou muita gente. Continua a ser uma obra muito pedida, muito pretendida. Há coisas assim misteriosas. Não custou nada a fazer. Fiz isto num mês e meio. As coisas que eu tenho feito de mais interessantes não têm custado. Às vezes quando a gente se envolve imenso com as coisas, custa que se farta”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o criador Rui Horta há de facto um processo de criação que é quase como um processo de incubação de uma doença viral. “Apanhas uma infecção qualquer. Sem saber o que tens ainda, começas a ter dores no corpo. Tens sintomas, mas não sabes ainda qual é o diagnóstico”. Para ele, a criação é isto. Começa com os seus livros de cabeceira. Dantes, tinha, por exemplo, os do Rem Koolhaas, prémio nobel da arquitectura (Pritzker) e o “Delirious New York”. Depois passou a ter o “Small Medium Large x-Large”. “A gente vai lendo. Ao fim de seis meses, apercebes-te que já tens a obra mais ou menos, mas que estás a ficar tenso. Aquilo é uma coisa que te afecta”. Depois vem a fase de decidir efectivamente fazer a obra “x”, em que se pede o dinheiro. É aqui que o criador põe tudo no papel. E depois vem a concretização. “Quando vais para o estúdio fazer a obra é a terapia. Depois da incubação, depois do diagnóstico, vem a terapia para te curar”. E, por fim, a estreia. “O momento da estreia é o momento em que estás curado. Estás curado, acabou, tiraste aquilo do sistema. A criação é mesmo daquelas coisas que é criar ou morrer”. E, ao sétimo dia, descansa, fica muito tranquilo, um bocado apático durante uns tempos, porque ficou curado. E depois começa a vir outra incubação, mais um vírus, mais um vírus…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inês Branco, Julho de 2007&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/07/perfil-de-rui-horta-coregrafo-1-parte.html"&gt;1ª Parte&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/08/perfil-de-rui-horta-coregrafo-2-parte.html"&gt;2ª Parte&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-5641218673734091654?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/5641218673734091654/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=5641218673734091654' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/5641218673734091654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/5641218673734091654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/08/perfil-de-rui-horta-coregrafo-3-parte.html' title='Perfil de Rui Horta, Coreógrafo - 3ª Parte'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_ligxamYXiVg/RrSTpLIIF8I/AAAAAAAAAHE/o3m5uSOQnjg/s72-c/Rui+Horta_2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-1444186411174916725</id><published>2007-08-02T21:14:00.002Z</published><updated>2008-10-03T12:40:09.856Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rui Horta'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Perfil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Imprensa'/><title type='text'>Perfil de Rui Horta, Coreógrafo - 2ª Parte</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_ligxamYXiVg/RrSS-rIIF7I/AAAAAAAAAG8/4DBNGWwQfsI/s1600-h/Pixel.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp0.blogger.com/_ligxamYXiVg/RrSS-rIIF7I/AAAAAAAAAG8/4DBNGWwQfsI/s400/Pixel.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5094858683889227698" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pixel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos dez anos de Alemanha, houve uma nova crise em 1997. Mas houve também a criação de outra companhia, o Rui Horta Stageworks, que ainda existe hoje e com a qual assina, para diferenciar do Espaço do Tempo, o espaço multifuncional criado em Montemor. Chama-se Stageworks, porque com esta companhia não faz apenas dança. Faz instalação, artes plásticas, multimédia, teatro, ópera e artes de palco. Os anos em que esteve na moda passaram. O Thèâtre de la Ville foi seu co-produtor. “É o teatro mais importante em toda a Europa, talvez em todo o mundo. É o teatro mais importante em todo o mundo e eu fui co-produzido pelo Thèâtre de la Ville durante seis anos, entre 93 e 99. Ganhei em 92 o concurso Bagnolet, que é uma espécie de Óscares da dança.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Rui Horta os prémios significaram sempre uma surpresa muito grande. “Quando eu ganho Bagnolet nem acredito. Depois é que me apercebi que havia 400 coreógrafos e eu ganhei. 400 coreógrafos do mundo inteiro e tu não percebes. Nem chegas a perceber. Ganhaste, pronto! No dia seguinte vais a casa dos teus amigos ou vais jantar fora”. A surpresa foi ainda maior talvez porque não foi Rui Horta a candidatar-se ao prémio. Foi um conjunto de catorze teatros alemães que se juntou e que o candidatou a representante alemão em 1991. Rui Horta só soube quando recebeu uma carta com o pedido de autorização. Ainda em Portugal, em 1989, tinha-se candidatado com o “Interiores”, uma obra de que gosta muito, e nem sequer chegou a passar a primeira eliminatória de escolha. “Por aqui se vê que quando a gente quer uma coisa, não tem nada, quando a gente não quer nada tem uma coisa. A vida é uma coisa misteriosa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Rui Horta não existe óptica de carreira na profissão. Há um percurso. “Todos os dias levantas-te e fazes aquilo que sabes e gostas. Cada dia é um dia novo, é um dia ‘jubilatório’”. Agora, que está mais velho, acontece-lhe mais frequentemente levantar-se de manhã e dizer “Que bom, tou vivo. Vou fazer o que me apetece durante o dia. Tenho umas coisas chatas para fazer pelo meio, mas vou fazer deste dia um dia bestial”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se lhe perguntar quem foram as pessoas mais marcantes neste seu percurso, Rui Horta tem-nas bem presentes. A primeira foi uma professora muito importante na sua vida, Vanda Ribeiro da Silva, que lhe ensinou os primeiros passos da dança clássica na Fundação Gulbenkian. “Eu tinha 16 anos e caiu o fascismo. Foi uma coisa extraordinária, libertaram-se imensas tensões sociais e eu libertei o meu corpo também.” Noutra conjuntura talvez tivesse sido arquitecto. Na prática, acabou por ser um coreógrafo. Antes disto, após ter frequentado os cursos pré-profissionais, percebeu que não iria dançar no Ballet Gulbenkian. “Não tinha aquele corpo perfeito de bailarino clássico, que naquela altura era muito importante”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na alma ainda continua arquitecto. “Eu faço arquitectura com o “Corpus”, eu crio luz, eu crio cenografias. Vês o meu palco? É um palco de arquitectura. Não tem nada a ver com abrir a cortina e fazer uma dança. Eu sempre trabalhei com linguagens cénicas, com linguagens espaciais”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O 25 de Abril abriu-lhe horizontes extraordinários, ficou fascinado com a liberdade, com as possibilidades de viajar. Foi aqui que surgiu Maria Ângela de Sousa, uma pessoa que foi um instrumento fundamental na sua vida. Cientista e imunologista, vivia nessa altura em Nova Iorque. Quando a mãe de Rui Horta faleceu, em 1978, com apenas 21 anos, Maria Ângela pôs-lhe a chave de sua casa nas mãos e ele foi para Nova Iorque. Pensou em ficar três meses, mas acabou por ficar seis anos. “Foi um tempo fantástico. Tudo é possível. Tive 40 mil empregos. Era filho de professores catedráticos e entreguei pizzas ao domicílio, fiz limpezas de apartamentos, dei aulas nos sítios mais escabrosos, trabalhei como garçon num restaurante. Fiz todos os trabalhos e mais alguns e, a certa altura, comecei a ser reconhecido como professor”. De facto, Rui Horta foi para os Estados Unidos para dançar, mas nos últimos anos era já um professor de referência em Nova Iorque, “talvez um dos professores mais importantes de dança moderna em Nova Iorque”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi também em Nova Iorque que conheceu a sua mulher, actualmente ex-mulher, “minha grande companheira, minha grande amiga. Foi durante 15 anos minha mulher, da qual tenho 3 filhos maravilhosos”. Esta era psico-terapeuta, mas tinha uma formação de bailarina. Nessa altura dançava e foi a Nova Iorque nas férias de Verão para fazer uma “reciclagem”. Rui Horta tinha pessoas do mundo inteiro a trabalhar consigo, “conheci muita gente e conheci-a a ela”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este percurso profissional como professor vai desde 1982/83 até 1989/90. “Nunca diria a ninguém que sou bom coreógrafo. Mas se me perguntarem se sou um bom pedagogo, eu sou um excelente professor. Fui um excelente professor e formei bailarinos muito bons, tanto cá, como nos Estados Unidos”. Rui Horta gosta de passar conhecimento, mas gosta mais ainda de criar obras de dança. Após o regresso dos Estados Unidos, em 1991/92/93 foi professor convidado no Laban Centre em Londres, no Conservatório de Paris, no Conservatório de Lyon e na Rotherdam Dance Academy. Mas, pouco a pouco, o ensino passou a interessar-lhe menos. Estava cada vez mais fascinado pela coreografia. “A partir do final dos anos 80, princípios dos anos 90, a coreografia tomou a dianteira das minhas preocupações e eu comecei a desaparecer como professor. Aquilo não era prioritário para mim”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/07/perfil-de-rui-horta-coregrafo-1-parte.html"&gt;1ª Parte&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/08/perfil-de-rui-horta-coregrafo-3-parte.html"&gt;3ª Parte&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-1444186411174916725?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/1444186411174916725/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=1444186411174916725' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/1444186411174916725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/1444186411174916725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/08/perfil-de-rui-horta-coregrafo-2-parte.html' title='Perfil de Rui Horta, Coreógrafo - 2ª Parte'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_ligxamYXiVg/RrSS-rIIF7I/AAAAAAAAAG8/4DBNGWwQfsI/s72-c/Pixel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-986300769172536499</id><published>2007-07-29T21:59:00.002Z</published><updated>2008-10-03T12:38:12.207Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rui Horta'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Perfil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Imprensa'/><title type='text'>Perfil de Rui Horta, Coreógrafo - 1ª Parte</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_ligxamYXiVg/Rq0Ok7IIF2I/AAAAAAAAAGU/5eSNRbGcCAc/s1600-h/premios2003_rui_horta.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp2.blogger.com/_ligxamYXiVg/Rq0Ok7IIF2I/AAAAAAAAAGU/5eSNRbGcCAc/s400/premios2003_rui_horta.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5092742781135755106" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quando tudo, de repente, acontece&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Mesmo quando está calmo, nunca está sereno. Rui Horta é um coreógrafo alfacinha que já viu as suas obras percorrerem o mundo inteiro. Este ano comemora cinquenta anos de vida e trinta de percurso profissional.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentado numa das cadeiras da plateia do Teatro Camões, fala com uma das assistentes, enquanto toda a sua equipa continua a trabalhar. Ninguém os interrompe. “Esta é uma das formas de conseguir ter tempo. Eu escolho as pessoas, formo-as e confio no trabalho delas. É preciso saber delegar”. Alto, conserva ainda o corpo magro e bem esculpido, que lhe permitirá, se um dia quiser, voltar a dançar. “Como bailarino deixei de dançar relativamente cedo, danço muito bem. Ainda hoje as pessoas perguntam por que é que não danço. E devo dizer que hoje, neste momento, com 50 anos tenho imensa vontade de fazer um solo para mim, para eu dançar”. Por enquanto, continua do outro lado, dirigindo bailarinos e criando espectáculos. Em pleno palco uma grande estrutura em barras de ferro está a ser montada. Dali a dois dias tudo tem de estar em ordem para a estreia de Pixel, um dos espectáculos mais emblemáticos do coreógrafo Rui Horta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São três da tarde e o tempo não pára. Por volta das quatro, o táxi estará à sua espera para o levar de regresso a casa. É assim que Rui Horta gere o tempo, ao minuto. “Consigo fazer muita coisa, mas para isso é preciso organização, uma agenda”. Montemor-o-Novo foi a terra que escolheu para viver, aquando do regresso a Portugal, no ano 2000. “Quando vim para Portugal, queria vir para o Sul. Eu sou um homem do Sul, estava farto de Invernos frios, com temperaturas abaixo de zero”. Na altura, a renovação da rede de cineteatros ainda não tinha começado. Se fosse hoje, talvez ele tivesse escolhido um teatro que já existisse, no Sul ou no Norte. Montemor, no mapa, pareceu-lhe muito bom. Não era muito longe de Lisboa. Mas os grandes impulsionadores da mudança foram duas pessoas do Ministério da Cultura, Gil Mendo e Ana Marim, que o informaram da existência de um Presidente de Câmara em Montemor-o-Novo muito interessado na cultura. Disseram-lhe também que Montemor era uma cidade muito bonita, pequena e com um convento a cair, um teatro a cair e que, portanto, ele poderia fazer a diferença. Rui desceu ao sul e constatou com os seus olhos o que os outros lhe haviam dito. “Eu aqui sou um tipo que posso chamar a atenção justamente com o prestígio e com a pedalada que tenho. Vou tentar renovar estes dois equipamentos, vou tentar empurrar esta agenda, vou tentar avançar e vou viver aqui.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É com o nascimento do terceiro filho que Rui Horta decide deixar a Alemanha e regressar, em definitivo, a Portugal. Para ele as grandes decisões da vida não são decisões estratégicas, mas sim intuitivas. “Tenho o meu terceiro filho e penso que se calhar é mais interessante eles saberem quem é o Dom Diniz, do que quem é o Bismarck.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este regresso dá-se após dez anos de vida na Alemanha, os primeiros sete em Frankfurt e os últimos três em Munique. É para aquele país que vai, após um ano de crise entre 1988 e 1989, tinha então 32 anos. “Entre sair da Companhia de Dança de Lisboa e fazer o meu projecto de autor (Rui Horta &amp; Friends) eu tenho aquilo que acontece quando se tem uma relação com uma pessoa durante muitos anos. Ninguém salta de uma relação para outra. Tem-se ali um período de luto. É o ano em que nada acontece na minha vida profissional, mas é talvez o mais importante”. Apenas deu aulas para sobreviver e não foi ver espectáculos. Todos os dias ia para o estúdio com o seu gato Flash, um gato preto apanhado na rua. “Passei um ano sozinho a viver algo para dentro, meu, e a questionar todo o meu passado. A tentar esquecer tudo o que tinha aprendido para partir de bases novas. Foi muito bom. É aquilo que eu aconselho a muita gente. É ter uma grande crise na altura em que eu a tive.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na realidade, Rui Horta não esteve parado. Quando saiu da Companhia de Dança de Lisboa, em 1988, decidiu fazer o que apelidou de “projecto de ruptura”, o Rui Horta &amp; Friends. Madalena Azeredo Perdigão, uma das pessoas mais icónicas na sua vida, convidou-o dois anos seguidos para criar no Acarte (Gulbenkian). “E eu crio no Acarte uma peça chamada “Linha”. Nessa peça dançam algumas das pessoas mais emblemáticas da dança portuguesa, a Carlota Lagido, o Francisco Camacho, o Paulo Ribeiro e a Clara Andermatt. No ano seguinte, em 1990, faço outra obra chamada “Interiores.” Mas foi uma professora da escola onde estava, que viu estes dois espectáculos, e que levou uma cassete sua para a Alemanha. “Essa cassete aterra na secretária do Dieter Buroch. Isto muda a minha vida.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, Rui Horta estava na Alemanha, no teatro mais importante, o Kunstlerhaus Mousonturm, cujo director é Dieter Buroch. “Vou para lá como convidado para criar uma obra, depois ele convida-me para ficar a dirigir uma companhia, o Soap.” Para Rui Horta esta foi uma grande experiência. “De repente explodi como coreógrafo”. Talvez ele tivesse alguma coisa de novo para dar, numa altura em que a grande referência era (e continua a ser) Pina Bausch e Forsyth. “Acho que o meu trabalho tem uma frescura muito grande. Dentro da contemporaneidade eu sou de facto a grande referência nos anos 90, na Alemanha, em termos de dança contemporânea. Entre 1991 e 1995 eu sou fundamentalmente um produto de exportação do Instituto Alemão, do Goethe Institute”. Fez cerca de 800 espectáculos em cerca de 8 anos, no mundo inteiro. Do Japão a África. Do Brasil à Rússia, que tinha acabado de se abrir ao Ocidente. “Estás um mês no Canadá ou estás a dançar no Joyce Theatre em Londres ou no Spirehall em Tóquio. Foi uma coisa absolutamente extraordinária para um miúdo, que era um português, um alfacinha, que de repente chegou e que nunca pensou que tivesse esse talento.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1997, mudou-se para Munique, três anos antes do regresso a Portugal. Frankfurt não era uma boa cidade para se ter crianças e Munique, cidade do Sul da Baviera, para além de ser muito bonita, tinha a vantagem de estar perto do sítio onde moravam os sogros. A família tornou-se importante, após muitos anos de profissão. “De repente as crianças são a coisa mais importante da minha vida. De facto, o amor é a coisa mais importante das nossas vidas. Apesar de eu ter uma profissão excitante, os afectos são mais importantes”. E foi por esta razão que se aproximou de onde estavam os seus laços familiares. No entanto, em termos profissionais Munique não lhe oferecia o mesmo que Frankfurt. “Foram dois anos ainda muito bons para mim na Alemanha, mas foram já anos em que eu sentia vontade de voltar a Portugal”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/08/perfil-de-rui-horta-coregrafo-2-parte.html"&gt;2ª Parte&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/08/perfil-de-rui-horta-coregrafo-3-parte.html"&gt;3ª Parte&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-986300769172536499?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/986300769172536499/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=986300769172536499' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/986300769172536499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/986300769172536499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/07/perfil-de-rui-horta-coregrafo-1-parte.html' title='Perfil de Rui Horta, Coreógrafo - 1ª Parte'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_ligxamYXiVg/Rq0Ok7IIF2I/AAAAAAAAAGU/5eSNRbGcCAc/s72-c/premios2003_rui_horta.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-8871049362848902028</id><published>2007-07-29T21:53:00.000Z</published><updated>2007-07-29T21:55:08.947Z</updated><title type='text'>Intervalo</title><content type='html'>Como nos próximos três meses não farei entrevistas, aproveito para colocar aqui outros trabalhos jornalísticos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-8871049362848902028?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/8871049362848902028/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=8871049362848902028' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/8871049362848902028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/8871049362848902028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/07/intervalo.html' title='Intervalo'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-4501474400288323620</id><published>2007-06-22T12:11:00.001Z</published><updated>2008-03-05T23:14:08.711Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='miguel duarte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rádio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='movimento liberal social'/><title type='text'>Entrevista com Miguel Duarte Sobre a Crise Política na Turquia - 2.ª Parte</title><content type='html'>Esta é a segunda parte da entrevista com Miguel Cunha Duarte (MD), Presidente do Movimento Liberal Social (MLS) sobre os problemas políticos da Turquia e os entraves à entrada na União Europeia (EU)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://odeo.com/flash/audio_player_gray.swf" quality="high" width="322" height="54" name="odeo_player_gray" align="middle" allowScriptAccess="always" wmode="transparent"  type="application/x-shockwave-flash" flashvars="type=audio&amp;id=13321893" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" /&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="font-size: 9px; padding-left: 110px; color: #f39; letter-spacing: -1px; text-decoration: none" href="http://odeo.com/audio/13321893/view"&gt;powered by &lt;strong&gt;ODEO&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Há também o problema dos rebeldes separatistas curdos do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão)? Como é que vês este problema associado aos outros dois?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MD: Há curdos no Iraque e em determinadas zonas da Turquia há um maior número de curdos. Mas também há curdos espalhados pela Turquia. Em Istambul também já existe um grande número de curdos. Neste momento, quando se fala eventualmente numa independência é algo muito complicado, porque eles, em busca de um melhor nível de vida saíram da zona próxima da fronteira com o Iraque para Istambul e para outras grandes cidades da Turquia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que a solução passa por dar-lhes mais liberdade de expressão e passa pela possibilidade de falarem a sua língua, terem meios de comunicação na sua língua e de ter os seus partidos políticos. Por exemplo, há pouco tempo, numa campanha eleitoral houve curdos que foram presos por estar a fazer campanha política na língua curda em vez de em turco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob este ponto de vista é um problema de liberdade de expressão que existe na Turquia. Claro que também não vejo com bons olhos o terrorismo que tem sido praticado pelo PKK e inclusivamente agora por causa do Iraque. No Iraque a zona curda está já é semi-independente e é nessa zona que existe grande quantidade de petróleo e há dinheiro, vindo das receitas que estão a ser geradas na zona curda do Iraque, que está a ser usado para praticar actos de terrorismo na Turquia. Também está a ser uma base a nível dos terroristas para estarem no Iraque. O exército turco já afirmou que poderia invadir o Iraque em caso de mais ataques, o que, mesmo a nível internacional seria algo muito perigoso. Imagine-se o que seria a Turquia agora também entrar na guerra do Iraque, invadindo a zona curda que é, por coincidência, a zona mais estável dentro das várias zonas que existem no Iraque. É um problema que é bastante grave e que pode ter repercussões no médio oriente a vários níveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Para além do problema do Curdistão, temos a questão de Chipre. A Turquia não reconhece o Chipre, o que é mais um entrave à entrada na Turquia na União Europeia.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MD: É verdade. Neste momento o Chipre está separado. Temos uma zona grega, que é aquilo que se conhece por Chipre na Europa e que aderiu à União Europeia recentemente e temos a zona turca ou de maioria turca, que a Turquia reconhece ser um estado independente, mas o resto da comunidade internacional não reconhece. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve no ano passado um referendo promovido pela Nações Unidas, em que foi perguntado a ambas as partes do Chipre se concordavam com um acordo das Nações Unidas. Aquilo que a União Europeia esperava na altura e foi por isso que o Chipre grego entrou para a EU era que ambas as partes ou aceitavam esse acordo ou a parte grega aceitava esse acordo e a parte turca rejeitava-o, mas curiosamente aconteceu o contrário. A parte turca aceitou o acordo, mas a parte grega rejeitou-o e, no fim, a parte que foi recompensada foi a parte grega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Turquia é um país nacionalista, a Grécia é um país nacionalista e também é uma situação de muito difícil resolução. Há questões que têm a ver com os bens das pessoas. Houve casas de gregos que fugiram na altura da guerra e que estão na parte turca, que entretanto forma vendidas a ingleses e os gregos querem as suas casas de volta. Existem muitas questões que vão ter de ser resolvidas e de facto, são um grande entrave à entrada da Turquia na EU, até porque a própria Turquia não reconhece o Chipre grego e não abre os seus portos e a EU quer obrigá-la a fazê-lo. Este é mais um dos obstáculos e é dificultado por nacionalismo de ambos os lados. Como agora o Chipre faz parte da EU também tem poder de veto, que vem agravar ainda mais o problema de uma eventual adesão no futuro da Turquia à EU.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Vários membros do MLS, quando foi a segunda volta das eleições em França preferiram o Sarkozy à Ségolène Royal. No entanto, a França com a vitória de Sarkozy opõem-se à entrada da Turquia. Vês alguma razão nesta posição de oposição?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MD: Nenhum dos candidatos que foram à segunda volta das eleições presidenciais francesas eram candidatos liberais. Um dos candidatos, o Sarkozy, é claramente conservador e a Ségolène Royal é socialista. Portanto, de um ponto de vista liberal ambos os candidatos estavam muito longe de ser o ideal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: O candidato apoiado pelo MLS seria o François Bayrou, não era?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MD: Exactamente. Foi também o candidato aprovado por um partido que nasceu recentemente em França, que é um partido liberal. Mas eles próprios também admitiram que os outros dois candidatos não eram aceitáveis. Os membros dos MLS que quiseram apoiar o Sarkozy fizeram-no apenas por uma razão, é todos sabemos que a França está em muito má situação económica e isso influencia a Europa e, portanto influencia o nosso país. O Sarkozy é o único candidato que, a nível económico, é liberal e quer mudar drasticamente a situação em França. No âmbito das liberdades individuais é um candidato conservador, mas quanto à Economia é o candidato que se propõe de facto a mudar alguma coisa em França. Vamos a ver se o consegue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já Royal não iria trazer nada de novo e de grandes mudanças à economia francesa e, como tal, aqueles que decidiram apoiar o Sarkozy, não a consideraram uma candidata que devesse ser apoiada. Foi simplesmente essa a razão. Em política tem de se fazer escolhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: E quanto a esta oposição da França à entrada da Turquia?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MD: Os liberais apoiam a entrada da Turquia na União Europeia e tem sido uma posição os partidos liberais a nível europeu, por isso discordamos de Sarkozy. No entanto, até a Turquia entrar na EU, claramente a Turquia tem de estar preparada para entrar na EU, que ainda não está, ainda há muita coisa que tem de mudar na Turquia e a própria EU tem de se preparar para isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Para finalizar, qual pensas ser o futuro da Turquia?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MD: Penso que a Turquia ainda vai passar por alguma turbulência a nível político. As próximas eleições na Turquia vão retirar poder ao actual partido que está no governo e as negociações com a Europa irão continuar ainda durante muitos anos e, se calhar, só daqui a dez ou vinte anos poderemos estar a pensar numa Turquia que possa aderir à EU. Muita coisa há-de mudar na Turquia. A Turquia há-de evoluir economicamente, as pessoas que são emigrantes recentes nas cidades se calhar vão tornar-se menos radicais. O Islamismo também vai mudar, não só na Turquia, mas um pouco por todo o mundo. A Turquia ainda tem um longo caminho a percorrer até poder entrar na EU, infelizmente…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Apesar de ser considerada uma economia muito promissora, com capacidade de igualar países como o Brasil, Rússia, Índia e China. Mesmo apesar disso, tem de ter grandes melhorias. Vinte anos parecem imenso tempo, mas será esse o tempo necessário para que a Turquia possa estabilizar-se? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MD: Antes disso não creio, porque de facto se formos à Turquia, viajarmos por lá, verificamos que as principais cidades estão muito desenvolvidas. Istambul poderia perfeitamente entrar para a EU amanhã, porque é mais desenvolvida do que muitas regiões da Polónia, que já faz parte da EU. Mas existem outras regiões da Turquia em que se vê que é claramente um país em desenvolvimento. Mais as diferenças culturais, e outras muito significativas, estão a causar problemas com a Europa e os problemas que ainda temos a nível de Constituição da Europa, que ainda não foi aprovada… Há muita coisa que tem de mudar para que a Europa possa receber a Turquia e sem medos. Aquilo que se vê na Europa é que há um grande medo por parte de muitas das pessoas que fazem parte da EU relativamente à Turquia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-4501474400288323620?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/4501474400288323620/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=4501474400288323620' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/4501474400288323620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/4501474400288323620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/06/entrevista-com-miguel-duarte-sobre_22.html' title='Entrevista com Miguel Duarte Sobre a Crise Política na Turquia - 2.ª Parte'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-2842324198123560636</id><published>2007-06-05T14:31:00.001Z</published><updated>2008-03-05T23:14:48.202Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='miguel duarte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rádio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='movimento liberal social'/><title type='text'>Entrevista com Miguel Duarte Sobre a Crise Política na Turquia - 1.ª Parte</title><content type='html'>&lt;embed src="http://odeo.com/flash/audio_player_gray.swf" quality="high" width="322" height="54" name="odeo_player_gray" align="middle" allowScriptAccess="always" wmode="transparent"  type="application/x-shockwave-flash" flashvars="type=audio&amp;id=13066773" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" /&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="font-size: 9px; padding-left: 110px; color: #f39; letter-spacing: -1px; text-decoration: none" href="http://odeo.com/audio/13066773/view"&gt;powered by &lt;strong&gt;ODEO&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Hoje tenho comigo o Miguel Cunha Duarte (MD), Presidente do Movimento Liberal Social (MLS) e o tema escolhido é a Turquia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 30 de Maio, numa entrevista ao jornal italiano La Stampa, o secretário de estado do Vaticano, Cardeal Bertone revelou que a igreja católica é favorável à entrada da Turquia na União Europeia.&lt;br /&gt;As relações entre o Vaticano e a Turquia têm vindo a evoluir. Em 2004, o então cardeal Ratzinger pronunciou-se contra a entrada da Turquia na União Europeia e, em Setembro de 2006, houve uma crise devido ao discurso do Papa em Ratisbona, durante uma viagem à Alemanha. Já em Dezembro de 2006, o Papa foi à Turquia e rezou na Mesquita Azul de Istambul, num gesto de “amizade e tolerância”. Em Janeiro, o Papa homenageou o “compromisso da Turquia em favor da paz”, lembrando o seu “papel de ponte” entre a Ásia e a Europa e de “cruzamento entre as culturas e as religiões”. E agora o secretário do Vaticano revela a que a igreja católica é favorável à entrada da Turquia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual a interpretação que fazes desta "mudança de atitude" da igreja católica?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_ligxamYXiVg/RmV2gaEiPtI/AAAAAAAAAEM/BoPn7r6yg1c/s1600-h/miguel_duarte.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp2.blogger.com/_ligxamYXiVg/RmV2gaEiPtI/AAAAAAAAAEM/BoPn7r6yg1c/s400/miguel_duarte.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5072590854428966610" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MD: Penso que, acima de tudo, devem ser questões políticas. No entanto, recebo de bom agrado essa posição da igreja católica, porque a União Europeia não é um espaço reservado a uma única religião. Deve estar aberta a países de qualquer religião maioritária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Mas houve uma mudança de atitude…&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MD: Fico surpreendido, porque não é do meu conhecimento de que tenha havido qualquer mudança no Vaticano relativamente a este tema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Tem havido uma crise política na Turquia que está a afectar o processo de entrada na União Europeia.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fazendo um resumo. Na Turquia a religião predominante é o Islamismo, porém o país é secular, ou seja, existe uma dominação da religião pelo Estado (algo diferente da separação entre Igreja e Estado que temos nos Estados laicos ocidentais), o que afasta a Turquia do resto do mundo islâmico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No passado dia 24 de abril, o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan anunciou que Abdullah Gul, ministro das relações exteriores, seria o candidato do seu partido (AKP - Partido da Justiça e do Desenvolvimento) à presidência do país. Gul, assim como Erdogan, é um islamista moderado, porém fez questão de afirmar que, caso eleito, seria fiel aos princípios básicos da República, isto é, ao Estado democrático e secular. Contudo, as correntes ultra-secularistas turcas, inclusive nas lideranças militares, levantaram-se contra o apoio do parlamento a um candidato islamista, por considerá-lo antitético ao tradicional secularismo da Turquia e ao legado de Ataturk.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O partido AKP, que chegou ao poder em 2002, rejeitou o seu passado islamista e definiu-se como conservador, porém os seus membros islâmicos desejam que a Turquia abandone as restrições à liberdade religiosa. Dessa maneira, abraçaram um projecto de liberalização do país, defendendo a entrada da Turquia na União Europeia, o livre mercado e as liberdades individuais. Os seus opositores, portanto, que defendem a manutenção do secularismo acabaram por adoptar uma postura anti-Ocidente, anti-liberal e anti-americana.&lt;br /&gt;No dia 27 de Abril, Abdullah Gul não conseguiu votos suficientes para ser eleito presidente da Turquia na primeira volta. Devido a pressões da oposição, a votação foi considerada nula pela corte constitucional. Paralelamente ao desenrolar das questões políticas no parlamento turco, as tensões entre os secularistas e os islamistas moderados alcançaram as ruas em ondas de protestos que envolveram actividades de violência e prisões de centenas de pessoas. Abdullah Gul sucumbiu à pressão dos opositores secularistas e dos militares turcos, renunciando à sua candidatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 25 de Maio, o Presidente da Turquia, Ahmet Necdet Sezer, rejeitou a eleição do próximo chefe de Estado por sufrágio universal, reenviando para o Parlamento um conjunto de emendas que incluem essa decisão. As modificações da Lei Fundamental foram preparadas pelo AKP e adoptadas no dia 10 de Maio. Se o Parlamento adoptar outra vez a sua primeira decisão, Sezer não poderá opor-se uma segunda vez, mas pode convocar um referendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, um Estado turco mais “islamizado” seria, à primeira vista, um factor complicador para a integração do país, porém o partido AKP, desde que está no poder, tem feito de tudo para incrementar os laços com a União Europeia e acelerar o processo de admissão da Turquia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que consequências a recente crise política turca terá para o processo de entrada na União Europeia? Será que existe actualmente, o risco de quebra da democracia turca, caso os secularistas imponham a sua vontade por outros caminhos que não o das urnas? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MD: A Turquia é um país peculiar e a situação actual é muito complicada. A posição dos secularistas (ou dos laicos, como se diz no resto da Europa) é de que quem islâmico queira tomar o poder, queira dar uma volta na Constituição e queira cortar as liberdades às pessoas. Esse é o grande medo. Sabem que isso não vai acontecer amanhã ou dentro de um ano, mas existe o receio de que lentamente as liberdades vão sendo retiradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem exemplos de que membros do actual partido que está no governo, em algumas cidades, proibiram o consumo de álcool e tomaram outro tipo de medidas, todas com base nos preceitos islâmicos. Houve uma proposta, que não chegou a ser aprovada na Turquia, devido ao “barulho” que criou, em que se queria tornar o adultério um crime. Isto é algo que para nós, no Ocidente, não é minimamente aceitável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É evidente que, se este tipo de leis, continuar a ser aprovado, mesmo com o actual partido AKP, a Turquia nunca entrará na União Europeia (UE), porque a UE não vai aceitar que um Estado islâmico, que de facto corte as liberdades individuais, entre para UE.&lt;br /&gt;Por outro lado, é verdade que a Turquia, para entrar para a UE, tem de ser uma democracia sólida. No entanto, o actual sistema eleitoral foi aquele que permitiu que o partido que está actualmente no poder esteja com uma maioria de quase dois terços no Parlamento. É um sistema eleitoral imperfeito, que atribui a um partido que tinha 30 por cento dos votos essa maioria mais do que absoluta. Este sistema eleitoral “corta” a entrada no Parlamento a todos os partidos que não tenham 10 por cento dos votos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se vê na Turquia, neste momento, é luta de forças democráticas, que têm uma visão diferente do futuro da Turquia. A população turca não se sente sequer representada no actual governo e sente-se ameaçada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não creio que a Turquia entre na “Europa” nos próximos vinte anos. De uma forma ou de outra será ameaçada. O actual governo turco conseguiu melhorar muito a economia da Turquia e isso é algo positivo e tem tentado implementar muitas medidas impostas pela UE. Aos islamistas estas liberdades são algo que interessa, porque mesmo para eles não há uma grande liberdade religiosa. O Estado controla a religião. Apesar de haver um número enorme de mesquitas, há limitação à abertura de novas mesquitas, à liberdade de expressão de quem fala nas mesquitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, isto não é algo inédito. Em França é o que está a acontecer. O governo francês está a envolver-se na religião muçulmana e a tentar controlar de alguma forma o islamismo radical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Mas isso, à partida seria bom, não? As pessoas devem ter independência religiosa até certos limites. Quando existe radicalismo e quando as práticas religiosas vão contra as liberdades de cada um, deverão ser controladas. Pensas que essa intervenção do Estado é nociva?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MD: Eu, como liberal, defendo a liberdade de expressão e acho que no mundo ideal o Estado não se devia envolver nos assuntos religiosos. O problema é que temos observado que há, por vezes, uma tendência para o radicalismo e para que este se torne agressivo e perigoso, chegando a implicar actos terroristas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: No caso da excisão feminina houve quem sugerisse que isso passasse a ser feito em hospitais. Por um lado, parece uma coisa completamente aberrante continuar a haver excisão feminina. Por outro, uma vez que previam que isso continuasse a acontecer clandestinamente, que pelo menos fosse feita em condições nos hospitais. Aqui a intervenção do Estado era numa tentativa esses efeitos nocivos que uma prática religiosa teria para cada uma das cidadãs. Elas não são livres de não a fazer, é imposta pela própria religião.&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MD: Em relação à excisão sou completamente contra por ser praticada em crianças e não me parece aceitável que possam ser os pais de uma criança a determinar acabar com a sexualidade da sua filha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Mas só pela forma como é feita é uma coisa completamente bárbara…&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MD: Sim, é bárbaro. A excisão feminina é cortar o clitóris a uma mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Sem anestesia.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua no próximo programa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-2842324198123560636?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/2842324198123560636/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=2842324198123560636' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/2842324198123560636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/2842324198123560636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/06/entrevista-com-miguel-duarte-sobre.html' title='Entrevista com Miguel Duarte Sobre a Crise Política na Turquia - 1.ª Parte'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_ligxamYXiVg/RmV2gaEiPtI/AAAAAAAAAEM/BoPn7r6yg1c/s72-c/miguel_duarte.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-6271071879831177283</id><published>2007-05-10T10:56:00.001Z</published><updated>2008-03-05T23:15:11.214Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rádio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><title type='text'>Entrevista com José Maximiano - Portugal de Lés a Lés</title><content type='html'>O "Portugal de Lés a Lés 2007" será nos próximos dias 12 e 13 de Maio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É num espírito de preocupação e esforço de sensibilização, que se irá realizar esta primeira travessia ecológica, de Norte a Sul de Portugal, em veículos movidos, exclusivamente, a combustíveis alternativos, ecológicos e renováveis, como é o caso do óleo vegetal e do biodiesel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta iniciativa insere-se no projecto Fórum NOVAENERGIA.NET, criado por alguns cidadãos preocupados, essencialmente, com as questões ambientais emergentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um projecto sem fins lucrativos, que tem fomentado principalmente a cooperação entre a sua comunidade de membros, que já ultrapassa os 1200. São promovidos, o conhecimento e a troca de experiências, sempre com o intuito de chegar a soluções energeticamente eficientes e mais ecológicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São debatidos inúmeros temas, sendo de destacar o uso de óleo vegetal directo e o fabrico de biodiesel, como combustíveis, sem esquecer o álcool etílico e metílico. Outras áreas, tais como a eficiência energética em habitações, a energia eólica, a energia solar e foto voltaica e a energia da biomassa, são igualmente debatidas, sempre com o objectivo de desenvolver o conhecimento de uma forma acessível e gratuita, para quem o quiser assimilar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta iniciativa acontece também no seguimento da apresentação pela ONU, no dia 2 de Fevereiro, do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (I.P.C.C) e da imposição que a Comissão Europeia apresentou à indústria automóvel no sentido de reduzir em 25% as emissões de dióxido de carbono (CO2).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta iniciativa visa ainda sensibilizar os governos, os automobilistas e a população em geral, estimulando o uso de combustíveis limpos e amigos do ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A caravana ecológica iniciará o percurso em Bragança, com destino a Quarteira, onde terminará com a participação na Exposição Veículos Amigos do Ambiente / Cozinhas Solares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrevistei José Maximiano, um dos organizadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://odeo.com/flash/audio_player_gray.swf" quality="high" width="322" height="54" name="odeo_player_gray" align="middle" allowScriptAccess="always" wmode="transparent"  type="application/x-shockwave-flash" flashvars="type=audio&amp;id=11323163" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" /&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="font-size: 9px; padding-left: 110px; color: #f39; letter-spacing: -1px; text-decoration: none" href="http://odeo.com/audio/11323163/view"&gt;powered by &lt;strong&gt;ODEO&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Itinerário:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bragança - Guarda - Castelo Branco - Portalegre - Évora - Beja - Quarteira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Programa do PORTUGAL DE LÉS A LÉS ECOLÓGICO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inicio em Bragança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DIA 11 DE MAIO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concentração junto à Câmara Municipal de Bragança pelas 19 horas. Volta pela cidade em passeio turístico.&lt;br /&gt;Jantar e dormida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DIA 12 DE MAIO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Início às 8 horas, com a caravana Junto à Câmara Municipal, rumo à Guarda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegada às 11 horas. Concentração na Câmara Municipal da Guarda e almoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ida ao centro de inspecção e, perante sorteio, análise dos parâmetros no opacímetro de um dos veículos participantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partida às 16h30 com destino a Castelo Branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegada às 17h30. Visita à Câmara Municipal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partida às 18h30 com destino a Portalegre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegada às 19h30. Concentração junto à Camara Municipal de Portalegre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jantar e dormida em Estremoz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DIA 13 DE MAIO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partida às 8 horas com destino a Évora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegada às 10 horas. Visita à Câmara Municipal de Évora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partida às 11 horas com destino a Beja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegada às 12 horas. Concentração junto à Camara Municipal de Beja&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Almoço às 13 horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partida às 15 horas com destino a Quarteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegada às 17 horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Participação na Exposição de Novas Energias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jantar às 20 horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Final do evento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais informação em:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://novaenergia.net"&gt;novaenergia.net&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contactos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Maximiano&lt;br /&gt;919688842&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Manuel dos Santos Alves&lt;br /&gt;967934762&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-6271071879831177283?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/6271071879831177283/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=6271071879831177283' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/6271071879831177283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/6271071879831177283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/05/entrevista-com-jos-maximiano-portugal.html' title='Entrevista com José Maximiano - Portugal de Lés a Lés'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-356111551774896878</id><published>2007-05-09T11:43:00.001Z</published><updated>2008-03-05T23:15:29.552Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rádio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><title type='text'>Entrevista com Daniel Burrueco sobre El Club Literario</title><content type='html'>A propósito do Dia Mundial do Livro, entrevistei Daniel Burrueco. O Daniel vive em Portugal, trabalha com software informático há muitos anos e resolveu criar um site dedicado à leitura. Trata-se do Club Literário (&lt;a href="http://www.elclubliterario.com"&gt;www.elclubliterario.com&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali são apresentadas dez sugestões de livros e a finalidade é a escolha e leitura de um por mês. No site, os livros são depois discutidos. Por enquanto, ainda é espanhol!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://odeo.com/flash/audio_player_gray.swf" quality="high" width="322" height="54" name="odeo_player_gray" align="middle" allowScriptAccess="always" wmode="transparent"  type="application/x-shockwave-flash" flashvars="type=audio&amp;id=11315863" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" /&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="font-size: 9px; padding-left: 110px; color: #f39; letter-spacing: -1px; text-decoration: none" href="http://odeo.com/audio/11315863/view"&gt;powered by &lt;strong&gt;ODEO&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este programa foi para o ar na semana de 30 de Abril.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-356111551774896878?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/356111551774896878/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=356111551774896878' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/356111551774896878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/356111551774896878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/05/entrevista-com-daniel-burrueco-sobre-el.html' title='Entrevista com Daniel Burrueco sobre El Club Literario'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-4317658109984078653</id><published>2007-04-30T12:09:00.001Z</published><updated>2008-03-05T23:16:12.214Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rádio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Helena de Sousa Freitas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><title type='text'>Transcrição da Entrevista com Helena de Sousa Freitas - Sigilo Profissional em Risco</title><content type='html'>Esta entrevista já foi colocada em dois posts anteriores.&lt;br /&gt;No entanto, devido a que a audição esteve indisponível durante algum tempo, coloco agora a transcrição da entrevista, na íntegra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;IB: Hoje entrevistarei Helena de Sousa Freitas, autora do livro “Sigilo Profissional em Risco”.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;O livro retrata a polémica condenação do jornalista Manso Preto, que, ao abrigo do sigilo profissional, em 2002 se recusou a revelar ao tribunal a sua fonte, numa peça sobre tráfico de droga. Entre outras coisas, o livro analisa também processos similares, envolvendo jornalistas portugueses e estrangeiros.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Helena, o sigilo profissional dos jornalistas estará mesmo em risco? Porquê?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;HSF: Eu considero que sim, que está mesmo em risco, porque, de acordo com a investigação que eu fiz, nos últimos anos tem vindo a registar-se, cada vez mais, talvez devido à guerra ao terrorismo, do pós Onze de Setembro, o uso de escutas, vídeo-vigilância, buscas nas redacções e intercepção postal, inclusivamente (conhecida por violação de correspondência). Isto em todo o Mundo, afectando dezenas de jornalistas nos mais diversos países. Estamos a falar desde Estados Unidos, que tem tido os casos mais mediáticos, mas também Reino Unido, Irlanda, Paraguai, Austrália, Bélgica, Canadá, Etiópia, Nepal, França. Tem afectado jornalistas um pouco por todo o Mundo. Ao todo, dos números que eu consegui recolher, praticamente uma centena, pelo menos.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;IB: Em que medida é que isto pode afectar o jornalismo de investigação?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;HSF: Eu penso que pode afectar o jornalismo de investigação, na medida em que as fontes começam a ter receio de falar com os jornalistas. Este tipo de medidas, de escutas, de intercepção postal, de buscas, acaba por inspirar medo, sobretudo nas fontes e, sem fontes confidenciais, não há jornalismo de investigação em áreas como a política, como a economia, como a justiça, como o crime. Isto porque são áreas em que, por vezes, é preciso pegar em assuntos muito delicados, em matérias muito sensíveis e as fontes só podem falar com os jornalistas se souberem que não vão ter de dar o rosto, que não vão ter de dar o seu nome. Muitas vezes isto significa não só risco de perder o emprego, mas também perigo de vida, quer para a fonte em si, mas também para familiares, para pessoas das suas relações. É isto também que o sigilo das fontes procura salvaguardar, que as pessoas possam falar sem sofrer represálias pelos factos que apresentam ou que fazem chegar aos jornalistas.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;IB: O principal caso que é apresentado no livro é o do jornalista Manso Preto.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Só para dar um enquadramento, já que para a classe jornalística é sobejamente conhecido, mas para o público em geral pode não ser, apresento um resumo:&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;“Este caso teve início quando o jornalista Manso Preto, na sequência de reportagens sobre civis infiltrados pela polícia judiciária em redes de tráfico de droga, que publicou no semanário Expresso no início de 2002, foi arrolado como testemunha pelo advogado de defesa dos irmãos Jaime e Mário Pinto. Estes camionistas ficaram conhecidos por terem liderado o bloqueio contra o aumento do preço das portagens na ponte 25 de Abril, em 1994. Depois foram envolvidos num caso de narcotráfico, do qual terá resultado, em Outubro de 2000, a apreensão de quatro toneladas de haxixe. Os trabalhos publicados pelo jornalista punham em causa a fronteira entre as acções infiltradas legalmente e as acções infiltradas provocadas. Estas últimas são proibidas por lei e já conduziram à inutilização de provas e, consequentemente, à anulação de julgamentos e absolvição dos arguidos.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;O advogado dos irmãos Pinto, alegando que estes tinham sido alvo de uma cilada por parte da PJ, considerou que o jornalista, pelos conhecimentos que demonstrava nas reportagens podia dar um testemunho valioso e foi aí que o arrolou como testemunha.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;O jornalista Manso Preto foi testemunhar no processo, em 2002, e é nessa altura que ele acrescenta que um inspector da PJ, entretanto aposentado, mas que à data exercia funções de chefia no departamento de combate ao tráfico de droga, o informara que o caso dos irmãos Pinto era uma encenação, uma acção provocada pela PJ de Setúbal, como tantas anteriores.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Foi perante afirmações destas que a magistrada quis conhecer o nome desse tal inspector, mas o jornalista recusou-se a dizer.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Perante a manutenção da recusa, o jornalista viria a ser condenado a onze meses de prisão com pena suspensa por três anos. Manso Preto não chegou a cumpri-los, mas foi sensivelmente esse o tempo que esperou pela resposta ao recurso da sua defesa e na sequência do qual foi absolvido do crime de desobediência, em 2005.” &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Portanto, é aqui que entra o sigilo profissional. O jornalista Manso Preto decidiu optar por proteger as fontes. Neste caso, e em todos os casos de sigilo profissional, isto é um direito ou é um dever do jornalista?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;HSF: É um direito e é um dever. Como direito está consagrado na Constituição, é o artigo 308.º. Está também consagrado na Lei de Imprensa, é o artigo 302.º. E, nos Estatutos do Jornalista, era o artigo 6.º (agora com as alterações, não sei se ficará com o mesmo número).&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Como dever, figura no Código Deontológico dos Jornalistas, é o ponto 6.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Portanto, ele tem estas duas características, de ser um direito e de ser um dever. Por vezes, ouve-se falar que é apenas um dever e que, portanto o jornalista pode ter de ceder com mais facilidade, porque o que está inscrito na Lei são direitos. Mas, neste caso, ele é também um direito. Pessoas que surgem com este argumento (de que é somente um dever) não têm conhecimento. É um direito e está salvaguardado a três níveis (Constituição, Lei de Imprensa e Estatutos do Jornalista).&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;IB: Um dos principais factores que leva os jornalistas a quebrar o sigilo profissional é o segredo de justiça (e foi neste âmbito que, no caso Manso Preto, foi levantado o sigilo profissional). Não se estará a utilizar os jornalistas, não só neste caso, mas em todos os casos onde isso acontece, como instrumento auxiliar à investigação, em vez de ser o próprio aparelho judicial a fazer essa mesma investigação?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;HSF: No caso do Manso Preto eu já o tenho dito e continuo convicta disto, acho que a justiça quis poupar tempo e esforço e explico por que é que tenho esta posição. Porque o Manso Preto, exceptuando o nome do ex-inspector da Polícia Judiciária, deu um manancial enorme de informação. Ele disse que era um ex-inspector que estivera na chefia do combate ao narcotráfico em Setúbal. Ora, perante todas estas informações, quantas pessoas é que caberiam neste perfil. Eram três, quatro, cinco no máximo. Não estou a ver mais do que isso. Portanto, se a questão era também chamar essas pessoas a tribunal como testemunhas, tal como ele também foi arrolado, e ninguém se pode furtar a comparecer a uma situação dessas, logo poderiam ouvir o que os vários inspectores, que correspondiam a este quadro de características, tinham a dizer. Por exemplo, esta era uma opção. Por que é que o Manso Preto tinha de falar? Portanto, houve aqui um certo “braço-de-ferro”.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;IB: Quando um tribunal pondera a necessidade de quebra de sigilo profissional dos jornalistas, pelo menos nos casos apresentados no livro, pede sempre um parecer ao Sindicato dos Jornalistas. Não é óbvio que o Sindicato se vai sempre pronunciar desfavoravelmente à quebra do sigilo profissional?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;HSF: Em todos os casos que eu encontrei no meu período de estudo, o Sindicato pronunciou-se contra a quebra do sigilo, em todos eles. Mas eu acredito que um dia ele possa tomar outra posição, dependendo do caso em questão.&lt;/p&gt; &lt;br /&gt;&lt;p&gt;Tentei perceber por que é que isto acontecia, quando fui consultar a documentação e vi que o Sindicato se tinha sempre pronunciado contra. Também falei com pessoas do Sindicato acerca disto e a conclusão a que cheguei foi que a posição do Sindicato se deve ao facto de esta entidade achar que a relação de confiança entre a fonte e o jornalista só deve ser quebrada em caso de muita gravidade e após esgotadas todas as hipóteses de chegar às fontes por outros meios. Aliás, é até o que está previsto na Lei. O jornalista será instado a revelar a fonte só mesmo se não houver nenhuma outra possibilidade de se chegar à fonte por um outro caminho.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;A conclusão a que me parece que o Sindicato chegou é que não tinham sido feitos todos os esforços para se chegar a essa informação sem ter de colocar o jornalista a falar e daí se ter sempre pronunciado contra a quebra do sigilo.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;IB: E neste caso específico?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Para mim, num caso como o do Manso Preto, parece-me flagrante que houve uma falta de investimento num caminho alternativo. Houve uma grande insistência em que o Manso Preto falasse e uma insistência menor em encontrar um caminho alternativo para chegar à fonte. No caso dele é flagrante, porque me parecia bastante fácil conseguir ir, pelo menos, por um trilho alternativo. Tentar esse caminho! Não insistir com o Manso Preto com uma insistência que se prolongou. Ele foi várias vezes instado a falar. Perguntaram-lhe se não queria mudar a posição dele, se ele já tinha pensado bem. E ele disse sempre que não, que não dizia.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;IB: Os jornalistas têm essa função social de fazer chegar a informação à comunidade. Como é que o levantamento do direito à protecção das fontes, do sigilo, pode pôr em causa o acesso do público à informação? De que forma é que poderá haver uma imprensa livre se as fontes não puderem confiar nos jornalistas?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;HSF: Não pode existir uma imprensa livre e aí é que o problema se coloca. Para mim, o aspecto mais grave da questão é, precisamente, esse. Se as fontes não puderem falar com os jornalistas por receio de que o jornalista, pressionado pelo tribunal, revele o seu nome, se souberem que há este risco, o jornalista acaba por não ter acesso a determinadas informações, sobretudo em dossiers mais delicados. O público sai, assim, como o principal perdedor no final dessa cadeia. A fonte retrai-se, porque tem medo de um dia ser revelada, e não dá informação; o jornalista não tendo acesso, não divulga, e quem perde no final disto tudo é o público, que é o destinatário final da informação.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;O jornalista é apenas o intermediário, ele não quer a informação para si, quer informação para divulgar. A partir do momento em que o primeiro elo da cadeia se corta ou deixa de existir, que é a tal revelação da informação ao jornalista, o jornalista não tem o que informar e o público não recebe informação.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;IB: O jornalista fica então numa posição muito difícil… No caso descrito no livro, da jornalista americana Judith Miller, ela no início teve o apoio até da comunidade internacional, por não ter revelado as fontes. Após a sua libertação (ela foi mesmo presa) chegou a ser acusada de desenvolver trabalho ao serviço das fontes e da agenda política norte-americana. Como é que um jornalista pode ou deve lidar com uma situação destas. Por um lado, tem de proteger a fonte, por outro, tem de defender a credibilidade da sua classe e, por outro, tem de obedecer à justiça?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;HSF: Aqui, as duas primeiras, ou seja, o jornalista ter de proteger a fonte e defender a credibilidade da classe, penso que se podem interligar. De certa forma, ao proteger uma fonte confidencial, o jornalista está a defender a credibilidade da sua classe. O contrário seria se ele falasse, porque aí não era só ele que era prejudicado. Passava a ser visto como um delator e, provavelmente, era o fim da sua carreira. Estaria a pôr em risco a confiança geral do público e de eventuais fontes na classe, como um todo. Portanto, a credibilidade ficava mais em risco se, no caso de Judith Miller, tivesse divulgado uma fonte que lhe tinha pedido o anonimato. Aqui a protecção da fonte, de certa forma, também defende a credibilidade da classe.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;O que pode sempre acontecer, e aconteceu no caso dela, é que ocorreram ataques, suspeitas, que, a partir do momento em que o jornalista prefere o silêncio, terá sempre de suportar. Até uma certa maledicência, porque às vezes a coragem também incomoda. São consequências que um jornalista tem de carregar se optar pelo silêncio. Por um lado, eu acho que ele está a prestigiar a classe, por outro lado, é claro que dentro da classe e fora dela podem sempre levantar as questões de “Por que é que ele não fala? Será só uma questão de preservar o anonimato e de manter essa relação de confiança ou há algo mais que o jornalista está a ocultar, a esconder?”. Isto é algo com que o jornalista vai ter de lidar, se optar por manter o silêncio. Assim como, se decidir falar, há certamente outras avaliações que vão ser feitas. “Por que é que falou? Por que é que não guardou o sigilo? Já sabia que, quando prometeu o sigilo, um dia poderia ser instado pelo tribunal. Não pensou nisso na altura?”. Portanto aqui, coitado, “seria preso por ter cão e preso por não ter”, que até é uma expressão que o Manso Preto utiliza.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;IB: E para conciliar as três situações?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Já mais difícil é conciliar a protecção das fontes, com a credibilidade da classe e com o obedecer à justiça. Sobretudo, se a justiça não for sensível aos direitos dos jornalistas e, por vezes, o que me parece que acontece é que o direito ao sigilo profissional, apesar de estar consagrado na Constituição, na Lei de Imprensa e nos Estatutos dos Jornalistas nem sempre terá um grande peso no âmbito judicial, quando os juízes têm de avaliar determinadas situações que envolvem jornalistas.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;IB: Para finalizar, um dos fenómenos que foi abordado no livro é um relativamente recente, que é o dos &lt;em&gt;bloggers&lt;/em&gt;. Sendo uma realidade nova, como é que se pode garantir aqui a protecção das fontes? Porque num blogue pode escrever-se o que se quiser. Dever-se-á criar um estatuto do &lt;em&gt;blogger&lt;/em&gt;, à semelhança do dos jornalistas? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;HSF: Este é um bom tema para debate. Eu gostei especialmente de escrever este capítulo do livro. Nós, em Portugal, temos uma imprensa livre. O jornalista pode cumprir as suas funções. As funções do jornalista não estão em causa em Portugal e, por isso, eu penso que, em Portugal, esta questão dos &lt;em&gt;bloggers&lt;/em&gt; terem o mesmo estatuto dos jornalistas, o mesmo direito à protecção das fontes, talvez não se coloque. Se temos um jornalista que faz essa função, passarmos a ter um &lt;em&gt;blogger&lt;/em&gt; com o mesmo estatuto, eventualmente levantava problemas aos profissionais que exercem o jornalismo e, provavelmente, junto do público não seria muito bem recebido. &lt;/p&gt; &lt;br /&gt;&lt;p&gt;Mas eu quis avançar com esta questão, sobretudo, porque, como estive a fazer o estudo também no plano internacional, chamou a minha atenção situações como existem, por exemplo, no Irão, na China e noutros países, em que os jornalistas estão, de certa forma, amordaçados. E o que acontece aí? Acontece que há &lt;em&gt;bloggers&lt;/em&gt; que acabam por assumir a função que caberia aos jornalistas, se estes pudessem trabalhar livremente. É, sobretudo, em relação a estes países que me parece importante ponderar, dar algo mais aos &lt;em&gt;bloggers&lt;/em&gt;. Dar-lhes talvez um estatuto mais próximo daquele que os jornalistas têm num país livre. Isto porque, de certa forma, eles acabam, em certas circunstâncias, por fazer as funções dos jornalistas, porque não há uma liberdade de imprensa.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-4317658109984078653?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/4317658109984078653/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=4317658109984078653' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/4317658109984078653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/4317658109984078653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/04/transcrio-da-entrevista-com-helena-de.html' title='Transcrição da Entrevista com Helena de Sousa Freitas - Sigilo Profissional em Risco'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-4888020629729487645</id><published>2007-04-10T21:27:00.001Z</published><updated>2008-03-05T23:17:18.674Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rádio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hugo Garcia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='movimento liberal social'/><title type='text'>Entrevista com Hugo Garcia Sobre a Problemática do Aquecimento Global</title><content type='html'>&lt;embed src="http://odeo.com/flash/audio_player_gray.swf" quality="high" width="322" height="54" name="odeo_player_gray" align="middle" allowScriptAccess="always" wmode="transparent"  type="application/x-shockwave-flash" flashvars="type=audio&amp;id=11197363" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" /&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="font-size: 9px; padding-left: 110px; color: #f39; letter-spacing: -1px; text-decoration: none" href="http://odeo.com/audio/11197363/view"&gt;powered by &lt;strong&gt;ODEO&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Hugo Garcia é membro do Movimento Liberal Social (MLS) e tem-se dedicado, ultimamente, a investigar os fenómenos das alterações climáticas e do aquecimento global. Esta investigação tem sido feita quer no âmbito daquilo que é defendido pelo movimento ao qual pertence, quer por seu próprio interesse na matéria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidi entrevistá-lo, apesar de ele não ser um perito na matéria, porque com os seus conhecimentos, pode dar-nos, de uma forma sintética e clara, algumas explicações sobre esta problemática ambiental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_ligxamYXiVg/RhwHZ62bgAI/AAAAAAAAADs/TChbkrbrpT0/s1600-h/DSC_0067.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp0.blogger.com/_ligxamYXiVg/RhwHZ62bgAI/AAAAAAAAADs/TChbkrbrpT0/s400/DSC_0067.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5051921023878529026" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Hoje tenho comigo o Hugo Garcia do MLS – Movimento Liberal Social – e é com ele que vou falar sobre a problemática das alterações climáticas e do aquecimento global.&lt;br /&gt;Nas últimas semanas, temos ouvido falar muito sobre estas questões, também por causa do filme do Al Gore. Porquê agora o levantamento desta “celeuma” a propósito do aquecimento global?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HG: Já há algumas décadas que se tem vindo a falar sobre a problemática do aquecimento global. O que tem acontecido é que, nos últimos anos, o que antigamente eram previsões tem vindo a realizar-se. Havia também muitas dúvidas sobre se, efectivamente, seria a mão a responsável pelo aquecimento global e pelas alterações climatéricas e, cada vez mais, há certezas.&lt;br /&gt;O Al Gore já há décadas que estuda o problema. Quando era vice-presidente, durante a administração Clinton, já vinha a chamar a atenção e, desde então, tem-se preocupado cada vez mais em fazê-lo. Agora aproveitou o “timing” certo para lançar este grande aviso. Aconselho toda a gente a ler o livro ou a ver o filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Falámos em alterações climáticas e em aquecimento global. Qual é a diferença?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HG: Como o próprio nome indica, o aquecimento global refere-se à subida média da temperatura. Mas, as consequências dessa subida média da temperatura não são iguais no planeta inteiro. O que pode acontecer é, inclusivamente, em certos pontos a temperatura descer. Pode também haver alterações climáticas de outras ordens, como alterações de correntes e de ventos. Têm havido vários casos de ciclones que, à partida, estarão ligados com o aquecimento global.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Por exemplo, o caso da neve em Portugal, em 2006?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HG: Sim, quando no nosso país houve neve de norte a sul; agora, mais recentemente, as cheias em Moçambique; no continente americano muitos casos de ciclones e tufões; ou as subidas da temperatura no norte da Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: O que está na origem do aquecimento global?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HG: O aquecimento global resulta daquilo que se chama “efeito de estufa”. O nível de dióxido de carbono e de metano ao longo das últimas décadas, ou até dos últimos séculos, desde a Revolução Industrial, tem vindo a aumentar. O dióxido de carbono e o metano fazem com que mais energia do Sol se retenha na superfície terrestre e daí o aquecimento global.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Por que razão o dióxido de carbono e o metano aumentaram?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HG: O elemento comum entre estes dois gases é o carbono. O dióxido de carbono é composto por oxigénio e carbono e o metano é constituído por hidrogénio e carbono. O oxigénio e o hidrogénio não são problemas, mas o carbono, neste caso, é um problema. Por outro lado, nós somos feitos de carbono, somos formas de vida baseadas em carbono, assim como as plantas e os animais. O que acontece é que há um desequilíbrio. O equilíbrio era que nós, seres-humanos, respirávamos oxigénio transformando-o em dióxido de carbono e as plantas “respiravam” o dióxido de carbono transformando-o em oxigénio. Neste momento, devido à desflorestação, à redução da fauna a nível superficial e a nível aquático e, essencialmente, devido à extracção de petróleo e à sua combustão, tem aumentado o nível de dióxido de carbono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: E quanto ao metano, é verdade que a flatulência das vacas produz metano? Vamos eliminar as vacas ou existe outra explicação?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HG: Isso é uma questão engraçada que anda sempre à volta do tema, mas esse não é um dos grandes problemas. O metano libertado pelas vacas não está a ser acrescentado ao circuito, ou seja, mantém-se dentro do mesmo ciclo, ao contrário do petróleo, que é extraído do subsolo e, portanto, é acrescentado à superfície. As madeiras que, por exemplo, queimamos nas nossas casas também libertam metano, mas se continuarmos sempre a cuidar das nossas florestas, a quantidade de carbono no ar não está a aumentar e, portanto, isso não resulta num problema.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: E para o futuro? Hoje existe uma consciência global ou, pelo menos, tenta-se que haja essa consciência global em relação ao aquecimento. Por que razão não há consenso no que diz respeito ao Protocolo de Quioto?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HG: Desde 1972 que a quase totalidade dos países e dos seus governantes concordaram que era necessário haver uma preocupação, tomarem-se medidas para proteger o ambiente. Em 1999 chegou-se à conclusão, talvez pelas características típicas dos políticos, que dizer que se concorda com essa ideia não se reflecte em acções tomadas. No Direito Internacional existe um princípio que diz que nenhum país deve ser obrigado a cumprir um acordo que não tenha ratificado. Foram vários os países que não assinaram o Protocolo de Quioto. O exemplo flagrante é, obviamente, os Estados Unidos, porque são o grande poluente. Agora estão a surgir novos poluentes, como a China e a Índia, que, numa corrida para o desenvolvimento, têm muito menos cuidado, muito menos preocupação e também não tiveram uma educação para a população para este problema. Naturalmente são pessoas que têm outras prioridades e que mais dificilmente que nós se preocuparão com o ambiente. A Europa está a fazer um grande esforço para conter as suas emissões e, até no sentido da florestação, para conseguir planear para o equilíbrio, embora seja difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Mas os países nórdicos sempre foram conhecidos por terem essa preocupação com a protecção ambiental. Portanto, esse esforço já não é só de hoje, vem de há muitos anos, enquanto para países como a China, que nunca tiveram esse tipo de preocupações, pelo menos na era da industrialização, é uma novidade, portanto só agora é que vão começar a tê-las?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HG: Sim, eu diria até que podemos ver o desenvolvimento intelectual ou moral de um país pela forma como se preocupa com o ambiente, será um dos muitos factores. Gostava de chamar a atenção para que, no caso dos Estados Unidos, não se pode dizer que em lado nenhum se respeite o Protocolo de Quioto. Embora não tenham assinado, curiosamente foi um senador da Califórnia que, na Califórnia, não tendo assinado, consegue cumprir com os valores que lhe teriam sido impostos se tivesse aceitado o Protocolo de Quioto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: E para o futuro, o que poderá ser feito para controlar as alterações climáticas e o aquecimento global?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HG: A nível de cada país, é controlar os níveis de emissões, especialmente na indústria, e também nos transportes individuais, e é necessário um grande esforço de florestação. Conseguir estas metas a nível internacional é que será o mais complicado. Vai ser um trabalho de diplomacia, um trabalho de negociações, um trabalho de informações e até de ajudas. A ONU está a evoluir muito nesse campo. Está a ajudar países mais pobres a desenvolverem-se de forma sustentada e, de forma preocupada com o futuro, ajuda também a criar políticas. Daqui para a frente, será como que um jogo de puxa e empurra, um jogo de política, um jogo de negociações para ver de que forma é que todos nós, que estamos no mesmo barco, conseguimos proteger o planeta em que habitamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta entrevista é parte integrante do programa Vidas Alternativas transmitido na semana de 16 de Abril.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-4888020629729487645?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/4888020629729487645/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=4888020629729487645' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/4888020629729487645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/4888020629729487645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/04/entrevista-com-hugo-garcia-sobre-o.html' title='Entrevista com Hugo Garcia Sobre a Problemática do Aquecimento Global'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_ligxamYXiVg/RhwHZ62bgAI/AAAAAAAAADs/TChbkrbrpT0/s72-c/DSC_0067.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-2784154727606031457</id><published>2007-03-15T19:46:00.001Z</published><updated>2008-03-05T23:16:34.043Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rádio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Helena de Sousa Freitas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><title type='text'>Entrevista com Helena de Sousa Freitas, autora do livro "Sigilo Profissional em Risco" - 2ª PARTE</title><content type='html'>&lt;embed src="http://odeo.com/flash/audio_player_gray.swf" quality="high" width="322" height="54" name="odeo_player_gray" align="middle" allowScriptAccess="always" wmode="transparent"  type="application/x-shockwave-flash" flashvars="type=audio&amp;id=11197603" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" /&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="font-size: 9px; padding-left: 110px; color: #f39; letter-spacing: -1px; text-decoration: none" href="http://odeo.com/audio/11197603/view"&gt;powered by &lt;strong&gt;ODEO&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a segunda parte da entrevista realizada à jornalista Helena de Sousa Freitas sobre o sigilo profissional dos jornalistas (ver a apresentação no post anterior).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Helena lançou, em Novembro do ano passado, o ensaio “Sigilo Profissional em Risco –Análise dos Casos de Manso Preto e de Outros Jornalistas no Banco dos Réus”, desenvolvido a partir de um trabalho apresentado à Faculdade de Direito de Lisboa no âmbito de um curso de pós-graduação em Direito da Comunicação Social. O livro recorda a polémica condenação do jornalista Manso Preto, que, ao abrigo do sigilo profissional, em 2002 se recusou a revelar ao tribunal a sua fonte numa peça sobre tráfico de droga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_ligxamYXiVg/RfmmqqdEMSI/AAAAAAAAACw/rSurNdrmkhM/s1600-h/amostra_Porto_mansopreto.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp1.blogger.com/_ligxamYXiVg/RfmmqqdEMSI/AAAAAAAAACw/rSurNdrmkhM/s200/amostra_Porto_mansopreto.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5042244509698896162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Além deste caso, o estudo analisa outros processos similares envolvendo jornalistas portugueses e estrangeiros que foram chamados a tribunal para revelarem as suas fontes em juízo, abordando ainda diferentes formas de atentado ao sigilo profissional, como a intercepção postal, as escutas telefónicas ou as buscas nas redacções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A análise abrange um período de quatro anos (2002 a 2005) e para a sua realização foram consultadas, além de bibliografia de cariz jurídico e da legislação e deontologia em vigor, 280 notícias publicadas pela agência Lusa e pelo site do Sindicato dos Jornalistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_ligxamYXiVg/RfmlaKdEMRI/AAAAAAAAACo/o5B2DZio73c/s1600-h/Apres_Fnac_2006_11_16-mesa.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp3.blogger.com/_ligxamYXiVg/RfmlaKdEMRI/AAAAAAAAACo/o5B2DZio73c/s400/Apres_Fnac_2006_11_16-mesa.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5042243126719426834" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(Apresentação do livro na Fnac do Chiado em 16 de Novembro de 2006)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mais informações sobre o livro, consultar o site:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.sigiloprofissional.com"&gt;http://www.sigiloprofissional.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para falar com a autora acerca do livro o email é: &lt;br /&gt;&lt;a href="helena@sigiloprofissional.com"&gt;helena@sigiloprofissional.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta segunda parte da entrevista só irá para o ar na semana de 19 de Março, mas, para que possam ouvi-la de uma só vez, coloquei as duas partes simultaneamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sempre, recordo que as entrevistas são parte integrante do programa Vidas Alternativas, cuja audição poderá ser feita nas rádios que menciono aqui ao vosso lado esquerdo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-2784154727606031457?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/2784154727606031457/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=2784154727606031457' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/2784154727606031457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/2784154727606031457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/03/entrevista-com-helena-de-sousa-freitas_15.html' title='Entrevista com Helena de Sousa Freitas, autora do livro &quot;Sigilo Profissional em Risco&quot; - 2ª PARTE'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_ligxamYXiVg/RfmmqqdEMSI/AAAAAAAAACw/rSurNdrmkhM/s72-c/amostra_Porto_mansopreto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-223303559495888285</id><published>2007-03-15T18:49:00.001Z</published><updated>2008-03-05T23:16:49.352Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rádio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Helena de Sousa Freitas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><title type='text'>Entrevista com Helena de Sousa Freitas, autora do livro "Sigilo Profissional em Risco" - 1ª PARTE</title><content type='html'>&lt;embed src="http://odeo.com/flash/audio_player_gray.swf" quality="high" width="322" height="54" name="odeo_player_gray" align="middle" allowScriptAccess="always" wmode="transparent"  type="application/x-shockwave-flash" flashvars="type=audio&amp;id=11197503" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" /&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="font-size: 9px; padding-left: 110px; color: #f39; letter-spacing: -1px; text-decoration: none" href="http://odeo.com/audio/11197503/view"&gt;powered by &lt;strong&gt;ODEO&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_ligxamYXiVg/RfmWHqdEMOI/AAAAAAAAACQ/2-i_SIQr4Tc/s1600-h/HSF_Foto.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp1.blogger.com/_ligxamYXiVg/RfmWHqdEMOI/AAAAAAAAACQ/2-i_SIQr4Tc/s320/HSF_Foto.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5042226316217430242" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Helena de Sousa Freitas nasceu em Lisboa em 1976, licenciou-se em Comunicação Social pela Escola Superior de Educação de Setúbal, tem uma pós-graduação em Direito da Comunicação Social pela Faculdade de Direito de Lisboa e o curso de Foto-Reportagem do Cenjor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iniciou-se na profissão em 1996, na imprensa regional de Setúbal, foi coordenadora da secção de notícias de Natação do site Infordesporto.pt e é redactora na agência Lusa desde 1998, além de colaboradora do Sindicato dos Jornalistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo de 2001 dirigiu ainda, no site Literário Online, uma secção de entrevistas a autores portugueses e brasileiros, consagrados ou emergentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estreou-se em 2002 com o ensaio “Jornalismo e Literatura: Inimigos ou Amantes?” (Peregrinação Publications), de leitura aconselhada em vários cursos do ensino superior em Portugal (Universidade de Coimbra, Universidade Lusófona e Universidade Católica, entre outras) e no Brasil (Universidade Federal de Brasília e Faculdade Cásper Líbero, entre várias).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acumulando as práticas jornalística e ensaística com a escrita de ficção, é autora de conto e poesia, figurando em obras colectivas em Portugal, Brasil, Reino Unido e Chile (em castelhano), bem como em cerca de cinquenta sites de Portugal, Alemanha, Angola, Brasil, Canadá, Espanha, Estados Unidos e Suécia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_ligxamYXiVg/RfmdnKdEMQI/AAAAAAAAACg/bULpb0g7MVs/s1600-h/Capa+do+Livro.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp3.blogger.com/_ligxamYXiVg/RfmdnKdEMQI/AAAAAAAAACg/bULpb0g7MVs/s320/Capa+do+Livro.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5042234553964704002" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a propósito do seu mais recente livro, "Sigilo Profissional em Risco", que a entrevistei. Sendo as minhas entrevistas de apenas dez minutos, coloco agora a primeira parte, que foi para o ar no dia 12 de Março. De seguida colocarei a segunda parte, que poderá ser ouvida nas rádios locais a partir do dia 19 de Março. Ambas as entrevistas foram realizadas via telefone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta entrevista foi parte integrante do programa Vidas Alternativas n.º 67. Para que possam ter a visão geral do programa, deixo aqui a sinopse: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O VA 67  começa por lembrar o Dia Internacional da Mulher, 8 de Março, com uma entrevista ao crítico literário, Dr. Pedro Sena Lino, a propósito de um colóquio realizado no âmbito do Ano Europeu pela Igualdade de Oportunidades, que decorreu em Lisboa, na FIL. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De seguida, temos uma notícia sobre as mulheres que têm proeminência em Portugal, e uma intervenção em nome da Associação Mulheres Contra Violência, na perspectiva da ONU.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O segredo dos jornalistas parece estar ameaçado. Por isso, a Inês Branco entrevista a jornalista Helena de Sousa Freitas, que acabou de lançar um livro sobre este tema. Devido a o assunto ser importante, segue só a primeira parte da conversa. Na próxima semana, seguirá o resto.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Para separador musical, como apelo à Cidadania num momento em que ela precisa de se (re)organizar, vamos ouvir uma canção de Lopes Graça, escrita por José Gomes Ferreira: "Acordai!", cantada pelo coro de S. Domingos (Montemor-o-Novo). Para a comentar e contextualizar, convidamos o Dr. Rui Vieira Nery, ex-secretário de Estado da Cultura, e conhecido musicólogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminamos com uma entrevista com Duarte Vilar, director da Associação para o Planeamento Familiar (APF), em que fala da problemática e das dificuldades da educação  sexual nas escolas. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;António Serzedelo (editor do Vidas Alternativas)&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.vidasalternativas.eu"&gt;http://www.vidasalternativas.eu&lt;/a&gt;/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-223303559495888285?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/223303559495888285/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=223303559495888285' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/223303559495888285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/223303559495888285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/03/entrevista-com-helena-de-sousa-freitas.html' title='Entrevista com Helena de Sousa Freitas, autora do livro &quot;Sigilo Profissional em Risco&quot; - 1ª PARTE'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_ligxamYXiVg/RfmWHqdEMOI/AAAAAAAAACQ/2-i_SIQr4Tc/s72-c/HSF_Foto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-6641719692752768908</id><published>2007-03-04T19:35:00.002Z</published><updated>2008-04-17T22:24:52.587Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rádio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Luís Humberto Teixeira'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='movimento liberal social'/><title type='text'>Entrevista com Luís Humberto Teixeira - autor de estudo sobre Eleitores-Fantasma</title><content type='html'>&lt;embed src="http://odeo.com/flash/audio_player_gray.swf" quality="high" width="322" height="54" name="odeo_player_gray" align="middle" allowScriptAccess="always" wmode="transparent"  type="application/x-shockwave-flash" flashvars="type=audio&amp;id=9919513" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" /&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="font-size: 9px; padding-left: 110px; color: #f39; letter-spacing: -1px; text-decoration: none" href="http://odeo.com/audio/9919513/view"&gt;powered by &lt;strong&gt;ODEO&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís Humberto Teixeira é jornalista e mestrando do curso de Política Comparada do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL). Juntamente com José António Bourdain, mestrando do mesmo curso, realizou um estudo cujo objectivo foi proceder a uma  estimativa, o mais rigorosa possível, do número de eleitores-fantasma presentes nos cadernos eleitorais. Este estudo, publicado na semana de 26 de Fevereiro, foi realizado através do cruzamento de dados do Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo Eleitoral (STAPE), do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_ligxamYXiVg/ResfpLd9MeI/AAAAAAAAACI/xO0VJfpK-KI/s1600-h/luishumbertoteixeira_PLV.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp2.blogger.com/_ligxamYXiVg/ResfpLd9MeI/AAAAAAAAACI/xO0VJfpK-KI/s320/luishumbertoteixeira_PLV.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5038155400457564642" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderá aceder ao estudo &lt;a href="http://vamos.mudaromundo.com/2007/03/01/eleitores-fantasma"&gt;aqui!&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este programa foi gravado ao telefone e será transmitido na semana de dia 5 de Março.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-6641719692752768908?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/6641719692752768908/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=6641719692752768908' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/6641719692752768908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/6641719692752768908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/03/entrevista-com-lus-humberto-teixeira_04.html' title='Entrevista com Luís Humberto Teixeira - autor de estudo sobre Eleitores-Fantasma'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_ligxamYXiVg/ResfpLd9MeI/AAAAAAAAACI/xO0VJfpK-KI/s72-c/luishumbertoteixeira_PLV.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-7498650969332059623</id><published>2007-03-04T18:16:00.001Z</published><updated>2008-03-05T23:18:14.889Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rádio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Maurits Van Der Hoofd'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='movimento liberal social'/><title type='text'>Entrevista com Maurits Van Der Hoofd sobre o Referendo ao Aborto</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_ligxamYXiVg/ResVfrd9MZI/AAAAAAAAABc/Vjef4_xja28/s1600-h/maurits_van_der_hoofd.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp0.blogger.com/_ligxamYXiVg/ResVfrd9MZI/AAAAAAAAABc/Vjef4_xja28/s400/maurits_van_der_hoofd.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5038144242132529554" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maurits Van Der Hoofd é holandês e vive em Portugal há 5 anos. Trabalha numa empresa de transportes, como Engenheiro Civil, e é Vice-Presidente do Movimento Liberal Social (MLS). É na qualidade de cidadão holandês e, simultaneamente, de membro do MLS, que o entrevistei a propósito da campanha e do resultado do referendo à legalização do aborto, que ocorreu no dia 11 de Fevereiro de 2007.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta entrevista passou nas rádios na semana de dia 19 de Fevereiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://odeo.com/flash/audio_player_gray.swf" quality="high" width="322" height="54" name="odeo_player_gray" align="middle" allowScriptAccess="always" wmode="transparent"  type="application/x-shockwave-flash" flashvars="type=audio&amp;id=8947973" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" /&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="font-size: 9px; padding-left: 110px; color: #f39; letter-spacing: -1px; text-decoration: none" href="http://odeo.com/audio/8947973/view"&gt;powered by &lt;strong&gt;ODEO&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-7498650969332059623?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/7498650969332059623/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=7498650969332059623' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/7498650969332059623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/7498650969332059623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/03/entrevista-com-maurits-van-der-hoofd-o.html' title='Entrevista com Maurits Van Der Hoofd sobre o Referendo ao Aborto'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_ligxamYXiVg/ResVfrd9MZI/AAAAAAAAABc/Vjef4_xja28/s72-c/maurits_van_der_hoofd.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-7926001491961943901</id><published>2007-02-22T21:11:00.001Z</published><updated>2008-03-05T23:18:49.202Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rádio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vasco Freire'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><title type='text'>Entrevista com Vasco Freire - representante da Associação Médicos pela Escolha</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_ligxamYXiVg/ResWKbd9MaI/AAAAAAAAABk/K1oGCfQrp_M/s1600-h/Vasco_Freire.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp3.blogger.com/_ligxamYXiVg/ResWKbd9MaI/AAAAAAAAABk/K1oGCfQrp_M/s400/Vasco_Freire.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5038144976571937186" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta entrevista realizou-se no dia 2 de Dezembro, ainda antes do início da campanha oficial do referendo sobre a despenalização do aborto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O convidado foi Vasco Freire, fundador da Associação Médicos pela Escolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://odeo.com/flash/audio_player_gray.swf" quality="high" width="322" height="54" name="odeo_player_gray" align="middle" allowScriptAccess="always" wmode="transparent"  type="application/x-shockwave-flash" flashvars="type=audio&amp;id=3503543" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" /&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="font-size: 9px; padding-left: 110px; color: #f39; letter-spacing: -1px; text-decoration: none" href="http://odeo.com/audio/3503543/view"&gt;powered by &lt;strong&gt;ODEO&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MLS: Boa noite. Esta semana, a propósito da temática do aborto, vamos entrevistar Vasco Freire, fundador da Associação Médicos pela Escolha. Vasco, boa noite.&lt;br /&gt;VF: Boa noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MLS: Quais são os objectivos desta associação?&lt;br /&gt;VF: Antes de mais, obrigado pelo convite. A Associação Médicos pela Escolha é uma associação composta por médicos, enfermeiros, psicólogos e outros profissionais relacionados com a Saúde. O nosso objectivo principal é promover a defesa dos direitos sexuais e reprodutivos em Portugal e, neste momento, em relação à campanha do aborto que se avizinha, é eliminar o aborto clandestino. Estamos neste momento a fazer um movimento que se vai chamar Movimento Médicos pela Escolha, que vai participar activamente na campanha pelo “Sim”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MLS: Vasco, vocês vão ter acções de divulgação científica, aliás, até já fizeram algumas. Em que consistem as vossas acções?&lt;br /&gt;VF: Nós temos feito várias sessões de esclarecimento e participado em debates. Essas sessões são públicas. Falamos das várias formas médicas e cirúrgicas do aborto e temos feito esse esclarecimento, porque acreditamos que do ponto de vista científico é necessário que diversos equívocos e enganos que têm surgido sejam esclarecidos, e para que as pessoas possam votar de uma forma consciente. Nós acreditamos que a única forma de acabar com o aborto clandestino é através de um planeamento familiar eficaz e através de condições legais e estruturais que permitam que as mulheres possam fazer um aborto acompanhado medicamente, sem riscos, seguro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MLS: Falaste em enganos e equívocos. Quais são esses enganos e equívocos?&lt;br /&gt;VF: Vários. Na campanha de Noventa e Oito já aconteceram e nesta campanha em princípio vão voltar a acontecer. Por exemplo, quando falamos do aborto médico, ele é feito neste momento com dois fármacos. É um procedimento médico não invasivo, que pode ser feito em ambulatório, ou seja, sem internamento, até às nove semanas. É um processo que não é traumático se for feito com acompanhamento, sem a aura de criminalidade e de ilegalidade que existe ainda no nosso país, e não tem ligação nenhuma com as imagens que nós vimos há oito anos atrás, de pinças, instrumentos arcaicos…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MLS: Esses serão os métodos utilizados no aborto clandestino?&lt;br /&gt;VF: Esperemos que já não. Esses eram métodos utilizados nos anos Setenta, provavelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MLS: Quais são então os métodos utilizados hoje em dia no aborto clandestino, pelo menos que vocês tenham conhecimento?&lt;br /&gt;VF: Do que nós presumimos, os métodos mais utilizados são o Misopristol, que é um medicamento e o Citotec (vulgarmente chamado Citotec), que é vendido no mercado negro a preços exorbitantes. Pensamos que essa é a forma mais utilizada neste momento. Por outro lado, nas clínicas presumimos que será feito por cortagem, mas também não sabemos. De qualquer forma, os métodos que seriam utilizados se o aborto fosse legal, seriam os métodos médico ou cirúrgico. O método médico, tal como eu disse, demora cerca de quarenta e oito horas, são dois comprimidos, é muito seguro e eficaz e a taxa de complicações é baixíssima. O método cirúrgico é feito por aspiração, é mais rápido, mas também é seguro, eficaz e sem complicações, ao contrário do aborto clandestino, que não tem qualquer tipo de acompanhamento ecográfico, médico, e que provoca muitas vezes infecções, hemorragias, que têm como consequência a infertilidade de várias mulheres ou até a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_ligxamYXiVg/ResK77d9MYI/AAAAAAAAABU/2JjOUpMo4Ao/s1600-h/manifesta%C3%A7%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp1.blogger.com/_ligxamYXiVg/ResK77d9MYI/AAAAAAAAABU/2JjOUpMo4Ao/s400/manifesta%C3%A7%C3%A3o.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5038132632835928450" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MLS: Qual é a vossa estimativa para o número de abortos praticados em Portugal, se é que existe essa estatística?&lt;br /&gt;VF: Não existem dados muito concretos. Nós sabemos que a estimativa pode variar entre vinte mil a quarenta mil abortos por ano. Sabemos, por exemplo, através de dados de clínicas espanholas, que apenas numa clínica foram feitos no último ano quatro mil abortos por mulheres portuguesas e que, por exemplo, em Madrid quinze porcento (15%) das mulheres que fazem abortos são portuguesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MLS: Nas vossas sessões de esclarecimento, nos vossos debates, quando se discute a questão da Vida Humana de um ponto de vista científico, como é o caso, onde é que entra o Direito de uma Criança a ser Desejada e o Direito à Vida? Sei que talvez seja um pouco complicado, mas qual é a sua opinião?&lt;br /&gt;VF: A questão da Vida é sempre a mais polémica nestes debates sobre a questão da IVG (Interrupção Voluntária da Gravidez). A Vida, do ponto de vista científico, que é o que nos interessa (porque a Vida pode ser discutida do ponto de vista jurídico, do ponto de vista filosófico, …) é um processo contínuo. Nós não conseguimos definir cientificamente quando é que se inicia a Vida. Por outro lado, sabemos que a Vida Humana não existe antes das doze semanas, porque não há um desenvolvimento do sistema nervoso central que permita isso. Eu acho que quando nós pensamos em Vida Humana, pensamos num feto muito mais desenvolvido do que um feto com doze semanas e pensamos, principalmente eu como médico, porque acho que tenho essa obrigação e esse dever, numa mulher que está a passar por uma escolha difícil, e que eu devo, como médico, como profissional de saúde, ajudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MLS: Isso acaba por ser, digamos assim, um dilema quase moral, por isso é que eu estava a fazer a comparação entre o Direito de uma Criança a ser Desejada e o Direito à Vida. Presumo que na cabeça de um médico, tal e qual como na cabeça de qualquer pessoa, exista este tipo de dilema, até que ponto é que uma criança tem direito a vir ao Mundo, mas depois também tem direito a ser bem cuidada. Da sua experiência pessoal, qual crê que seja a posição da generalidade do pessoal médico português relativamente à Interrupção Voluntária da Gravidez?VF: Eu acho que nós temos tido uma adesão ao Movimento impressionante, maior do que o que eu estava à espera. Eu acredito realmente que um médico ou um psicólogo ou um enfermeiro que lide com mulheres que passam por esta questão, dificilmente não pensa em ajudá-la. É uma questão que provoca imenso sofrimento, imensa angústia, e é-me difícil acreditar que algum médico veja estas mulheres como criminosas. Obviamente que o dilema em relação ao início da Vida é uma questão subjectiva e cada médico fará a sua avaliação, e por isso é que é possível ter o estatuto de objector de consciência. Depois, se a lei for realmente aplicada e mudar, essas condições vão ter que ser revistas. Por exemplo, nós defendemos na Associação que a lista de objectores de consciência seja pública, para que as mulheres que se dirigem a um estabelecimento público para fazer uma interrupção voluntária da gravidez saibam de antemão se existem médicos nesses estabelecimento, ou não, que assegurem esse procedimento e, se por acaso isso não for possível, que o possam fazer (e o Estado tem de assegurar isso) no estabelecimento público mais próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MLS: Para terminar, o Código Deontológico dos Médicos é mais restritivo do que a legislação em vigor. Quer num cenário de legalização, quer num de despenalização, como é que pretendem ver resolvido este problema?&lt;br /&gt;VF: A lei de um país sobrepõe-se aos códigos deontológicos. Como o bastonário da Ordem dos Médicos disse, nenhum médico vai ser perseguido, vai ter problemas com a Lei, se fizer um aborto dentro da legalidade. Nós acreditamos que o Código Deontológico tem que se adaptar às realidades do país. Neste momento isso não acontece e nós acreditamos e faremos pressão para que isso aconteça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-7926001491961943901?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/7926001491961943901/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=7926001491961943901' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/7926001491961943901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/7926001491961943901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/02/entrevista-com-vasco-freire.html' title='Entrevista com Vasco Freire - representante da Associação Médicos pela Escolha'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_ligxamYXiVg/ResWKbd9MaI/AAAAAAAAABk/K1oGCfQrp_M/s72-c/Vasco_Freire.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-6896418629399169258</id><published>2007-02-16T21:55:00.002Z</published><updated>2010-06-03T12:52:02.744Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rádio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ana Lopes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><title type='text'>Entrevista com Ana Lopes - autora do livro "Trabalhadores do Sexo, Uni-vos"</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_ligxamYXiVg/ResFY7d9MSI/AAAAAAAAAAk/q12bnOt7uDg/s1600-h/Ana+Lopes.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp1.blogger.com/_ligxamYXiVg/ResFY7d9MSI/AAAAAAAAAAk/q12bnOt7uDg/s320/Ana+Lopes.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5038126533982368034" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ana Lopes, antropóloga, nasceu no Porto em 1975, viveu onze anos em Inglaterra, onde se doutorou em Sociologia na University of East London. Chris Knight, especialista em estudos culturais daquela universidade, considerou-a a mais brilhante aluna de sempre da instituição "Mais importante do que andar a fazer simples análises académicas, um antropólogo deve estar preocupado em provocar a mudança."Activista pelos direitos dos trabalhadores do sexo, é reconhecida internacionalmente como especialista em assuntos relacionados com as indústrias sexuais. Fundou, e é hoje presidente honorária, do sindicato britânico International Union of Sex Workers (secção do GMB, a terceira maior organização sindical do Reino Unido). Voltou para Portugal em Março deste ano e acabou de lançar o livro "Trabalhadores do Sexo, Uni-vos", tendo por base a sua tese de doutoramento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed name="odeo_player_gray" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" align="middle" src="http://odeo.com/flash/audio_player_gray.swf" width="322" height="54" type="application/x-shockwave-flash" flashvars="type=audio&amp;id=2913353" wmode="transparent" allowscriptaccess="always" quality="high"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="PADDING-LEFT: 110px; FONT-SIZE: 9px; COLOR: #f39; LETTER-SPACING: -1px; TEXT-DECORATION: none" href="http://odeo.com/audio/2913353/view"&gt;powered by &lt;strong&gt;ODEO&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este programa foi transmitido na semana de 20 de Outubro de 2006.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IB: A 17 de Dezembro do ano passado foi criado um movimento com o objectivo de criar um sindicato ou associação profissional dos trabalhadores do sexo como melhor forma de defender os direitos dos trabalhadores do sexo. Chegou mesmo a ser criado esse sindicato em Portugal?&lt;br /&gt;AL: Não, não chegou. E o objectivo nunca foi criar um sindicato. O objectivo desse encontro, dessa iniciativa, foi dar um empurrão para qualquer tipo de mobilização de profissionais do sexo em Portugal. Mas qualquer tipo de movimento ou de associação que possa surgir tem de vir de dentro. Portanto, nunca foi minha intenção vir dar lições de como fazer uma mobilização. Acho que não me cabe a mim tomar esse tipo de iniciativa. Eu sou uma aliada que pode ajudar, que pode fomentar a criação desse movimento, mas não é a mim que cabe a iniciativa e começar as coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IB: Seria este o melhor enquadramento legal para o caso Português, ou seja, a criação de um sindicato tal como foi feito em Inglaterra?&lt;br /&gt;AL: Não é necessariamente a melhor escolha. Eu acho que a nível internacional cada vez mais os profissionais do sexo estão a reconhecer a utilidade de ter os sindicatos como aliados, mas as únicas pessoas que sabem o que é melhor para si são os próprios profissionais do sexo que trabalham em Portugal. Portanto, são eles que têm que decidir qual é a melhor estratégia e há muitas estratégias à escolha, o sindicalismo é apenas uma das estratégias. É uma estratégia que os trabalhadores de outras indústrias têm utilizado desde o Século XIX, tem dado resultado noutras indústrias e tem dado resultados na indústria do sexo em alguns países. Acho que os trabalhadores do sexo em Portugal podem aprender com estas experiências, mas têm que fazer o seu próprio caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IB: Em Inglaterra a criação do sindicato foi considerada uma experiência de sucesso. Quais os principais impactos da sua criação?&lt;br /&gt;AL: Teve impactos a vários níveis. Talvez o primeiro impacto tenha sido a aceitação desta perspectiva laboral pelo público, ou seja, de que o trabalho sexual é um trabalho, é uma actividade laboral, as pessoas fazem-no porque têm contas para pagar como toda a gente que trabalha em qualquer indústria. Isto vem solucionar uma série de problemas e vem facilitar o diálogo e o encontro de soluções e de medidas para melhorar as condições de vida e de trabalho dos profissionais do sexo. A sindicalização também trouxe uma voz colectiva aos profissionais do sexo que até aí estavam dispersos, isolados e portanto não tinham voto em matérias que já eram importantes. Agora, através desta entidade colectiva, é muito mais fácil falar com os governos, falar com os partidos, falar com as pessoas que fazem a política e que têm um grande impacto nas suas vidas. A um nível mais concreto trouxe espaços sindicalizados. Há espaços como clubes de streap-tease que estão sindicalizados oficialmente. Portanto, o sindicato tem um grande impacto nesses espaços. Estamos a provar que é possível fazer o trabalho do sexo sem haver exploração e nesse sentido também temos resolvido muitos problemas pontuais que os profissionais do sexo sentem quer no trabalho, em casos de acidente, nas suas vidas pessoais e noutra série de problemas. Uma das coisas de que os nossos associados falam é do empowerment, é da capacitação que vem de fazer parte de uma comunidade, de fazer parte de um colectivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IB: Ou seja, embora sejam considerados uma minoria, sentem-se apoiados por trabalharem em conjunto. Cá em Portugal não há muito esse hábito de se criarem associações em que as pessoas com os mesmos objectivos se unem, mas esse caso é um bom exemplo. Na Nova Zelândia descriminalizaram por completo e este é por si considerado o melhor exemplo. Por que é que o considera o melhor exemplo?&lt;br /&gt;AL: Considero-o o melhor exemplo, porque deste meu trabalho de falar com as pessoas quer em conferências, quer através da Internet com profissionais de todo o mundo, acho que é na Nova Zelândia que os profissionais se sentem mais seguros, que têm mais direitos, não havendo ali dois tipos de prostituição, a prostituição clandestina e a legal. A descriminalização é uma medida que vai tocar todos os níveis da indústria do sexo. O que é especial neste sistema legal é que não há leis específicas, não há leis especiais para a indústria do sexo. Há um mínimo de regras, porque se eu quiser abrir um café ou um cabeleireiro também há um conjunto de regras a cumprir. No caso da indústria do sexo qualquer estabelecimento, podemos chamar um bordel, não pode ter mais do que quatro pessoas, no sentido de evitar criar problemas às comunidades locais, às vizinhanças. Mas fora isso não há regras especiais, as pessoas não têm por exemplo de se registar com a polícia como acontece em alguns países, o que é uma medida extremamente discriminatória, em qualquer outra profissão não se tem que registar com a polícia ou com qualquer outra autoridade. Também não há testes médicos obrigatórios, o que também acho ser uma medida discriminatória. Mas pelo contrário investe-se muito dinheiro e muita energia em educação para a saúde. Há um entendimento das necessidades deste grupo de pessoas e portanto quando as pessoas vão à procura de serviços médicos não se sentem estigmatizadas por aquilo que fazem, sentem-se à vontade para utilizar esses serviços. Dos relatórios que tenho lido e ouvido, houve diminuição de violência, porque ao não ser clandestina esta indústria torna-se menos atractiva para as redes de criminosos. Também não houve aumento dos números da prostituição na Nova Zelândia, pelo contrário terá até diminuído um pouco, porque desapareceu o lado ilícito da indústria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IB: Em Portugal, ao contrário do que acontece na Nova Zelândia, a prostituição ainda existe como sendo um problema social?&lt;br /&gt;AL: Eu não acho que a prostituição em si seja um problema social, é a legislação que rege a indústria do sexo, é a estigmatização, as atitudes sociais, que levam a problemas do foro social e que levam à ligação da indústria do sexo com certos problemas, mas esses problemas não são inerentes à indústria do sexo. Mesmo os problemas mais graves como a violência, o tráfico, a toxicodependência, nenhum desses problemas são causados pela prostituição, não lhe são inerentes. É porque sempre se empurrou a indústria do sexo para a invisibilidade, para a clandestinidade, que ela aparece associada a esses problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_ligxamYXiVg/ResGWbd9MUI/AAAAAAAAAA0/IBOf69LgD3Y/s1600-h/Capa_Livro.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp3.blogger.com/_ligxamYXiVg/ResGWbd9MUI/AAAAAAAAAA0/IBOf69LgD3Y/s320/Capa_Livro.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5038127590544322882" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IB: O seu livro foi feito com base na sua tese de doutoramento. Em que área fez a tese e de que trata o livro?&lt;br /&gt;AL: Eu sou licenciada em Antropologia, mas a tese de doutoramento é multidisciplinar, está algures entre a Antropologia e a Sociologia. O meu livro “Trabalhadores do Sexo Uni-vos” fala desta perspectiva laboral da indústria do sexo, fala da história da formação, do desenvolvimento quer do sindicato no Reino Unido, quer do movimento internacional dos profissionais do sexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IB: Tinha algum objectivo com a publicação do livro em Portugal?&lt;br /&gt;AL: Tenho dois objectivos. O primeiro é inspirar os profissionais do sexo a mobilizarem-se, a aprenderem com as experiências de outros países. O segundo objectivo é dar ao público uma visão diferente da indústria do sexo, uma visão que eu espero que seja mais complexa do que as histórias a preto e branco que muitas vezes vemos nos meios de comunicação social, e por outro lado que seja uma visão de dentro. Eu acho que o que faltava era a visão dos próprios profissionais do sexo, uma visão que vem de dentro da indústria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IB: Tem alguns próximos passos pensados para Portugal, agora que voltou?&lt;br /&gt;AL: Tenho um novo projecto que é uma associação cujo objectivo é fomentar o terceiro sector. Ou seja, o sector que nem é o público e que nem é o privado, no fundo é a sociedade civil. O objectivo desta organização é dar apoio e tornar possível a sustentabilidade das organizações do terceiro sector. Portanto, o meu leque de acção está a alargar-se. No entanto, continuo disponível para dar apoio aos profissionais do sexo em Portugal, obviamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7318761615240253340-6896418629399169258?l=dezminutosdeconversa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/feeds/6896418629399169258/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7318761615240253340&amp;postID=6896418629399169258' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/6896418629399169258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7318761615240253340/posts/default/6896418629399169258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/02/entrevista-com-ana-lopes.html' title='Entrevista com Ana Lopes - autora do livro &quot;Trabalhadores do Sexo, Uni-vos&quot;'/><author><name>Inês Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11045067105087993188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_ligxamYXiVg/ResFY7d9MSI/AAAAAAAAAAk/q12bnOt7uDg/s72-c/Ana+Lopes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
